Cioran, por José Thomaz Brum

Do website da editora ROCCO

Emil Cioran (1911-1995), nascido em Rasinari, uma aldeia da Transilvânia (Romênia), filho de um sacerdote ortodoxo, escreveu cinco livros em sua língua natal (o romeno). Entre eles Pe culmile desperãrii (Nos cumes do desespero) de 1934, seu primeiro ensaio, que recebeu o Prêmio dos Jovens Escritores Romenos. De sua obra romena a editora Rocco publicará em 2012 O livro dos enganos.

A partir de 1937, Cioran exila-se em Paris e, em 1947, passa a escrever em francês. Em 1949 é publicado pela editora Gallimard o célebre Breviário de decomposição que, em 1951, recebe o prestigioso prêmio Rivarol. Alguns anos depois, Saint-John Perse o saúda como “o maior dos prosadores de língua francesa desde  Valéry”. Juntamente com Mircea Eliade e Ionesco, Cioran compôs o trio de romenos célebres que escolheram Paris para viver.

Pensador da existência, a sua filosofia não deve ser confundida com a da “segunda geração existencial” (Heidegger, Sartre), mas sim com a dos “pensadores privados” (Nietzsche, Dostoievski, Chestov) que procuram conservar no homem a kierkegaardiana “síncope da liberdade”. Através de uma escrita aforística e ensaística, o pensamento de Cioran procura “exprimir toda a angústia moderna sem eliminar a dimensão metafísica do homem” (como pude observar em entrevista à revista romena Orizont de setembro de 2010). “Mestre em ironia e desesperança” (Catherine Clément), “filósofo preocupado com os temas da alienação e do desespero” (Gabriel Liiceanu), Cioran é um exemplo vivo do “filosofar poeticamente” que ele tanto louvava.

A obra cioraniana, hoje considerada um clássico do pensamento contemporâneo, é estudada no mundo inteiro sob seus diversos aspectos (filosófico, teológico, literário, linguístico). Há inúmeros trabalhos acadêmicos sobre ela na França, Romênia, Alemanha, Espanha etc. Considerado “o maior aforista desde Nietzsche”, Cioran  também traz a marca dos moralistas franceses dos séculos XVII e XVIII (La Rochefoucauld, Chamfort), com sua secura lacônica e desiludida.

O seu centenário de nascimento (1911-2011) será festejado sobretudo nos dois países que viram nascer a sua obra tão singular: a Romênia e a França. Ambos reivindicam Cioran como seu. Mas esse romeno apátrida é um escritor que teve “um segundo nascimento” com a língua que adotou: o francês. E é nesta língua que ele ocupa um lugar à parte ao lado de “seus queridos moralistas”, como bem disse a sua amiga romena Sanda Stolojan.

José Thomaz Brum é Doutor em Filosofia e professor da PUC-RJ

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