O poder benéfico do pensamento negativo

O poder do pensamento negativo é capaz de maiores milagres. Saiba como um pé atrás pode fazê-la avançar mais do que imagina

Publicado em 09/02/2010 – Ronaldo Bressane

M de Mulher > Bem-estar > Texto

O pensamento positivo (senso comum) professa que encararemos as tragédias como sinais de boa aventurança. “Estava tão furiosa com a ideia de que o bem surge de todo desastre que, motivada pela perda do meu pai, resolvi escrever um livro”, conta a jornalista inglesa Virgina Ironside, autora de You’ll Get Over It: The Rage of Bereavement (Você Supera: A Raiva do Luto, sem tradução no Brasil). “O pensamento positivo não somente nos força à celebração quando ficamos doentes como também sugere a ideia louca de que pessoas felizes nunca adoecem”, revolta-se.

Pessimismo defensivo

No manual de autossabotagem The Positive Power of Negative Thinking: Using Defensive Pessimism to Harness Anxiety and Perform at Your Peak (O Poder do Pensamento Negativo – Usando o Pessimismo Defensivo para Aproveitar Sua Ansiedade e Jogar Sua Performance Lá em Cima, 250 mil cópias vendidas desde 2001, inédito no Brasil), Julie qualifica o pessimismo defensivo como uma tática para situações específicas em que se necessita manejar medo ou desespero. “Os pessimistas defensivos se preparam para uma situação derrubando suas expectativas; seguem o princípio de que tudo pode dar errado. A ideia é criar tantos cenários de apocalipse que se bloqueia qualquer entrada possível para um desastre”, explica ela. Ou seja: a melhor maneira de não dar sopa para o azar é… dar sopa para o azar.

Descrença salvadora

Como Cioran, os bons pessimistas costumam ser ranzinzas. É o caso do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que, ao mesmo tempo em que descrê no ser humano, não deixa de criar espaços para sua fruição e seu conforto. Ou de Rubem Braga, que, se nas crônicas usava prosa terna e fluida, ao vivo nem sequer mostrava os dentes.

Mas o pessimismo só tem charme se tiver o humor como espinha dorsal. Reclamar sem tirar onda torna qualquer um um mala sem alça. Por outro lado, o humor não vive sem pessimismo – o mais universal dos piadistas, a lei da gravidade, comprova que cair, não levantar, é o que nos humaniza. Em crônica recente, o poeta Fabrício Carpinejar exalta o ranzinza de resultados: “O otimista é frouxo, repete as mesmas frases genéricas, como ‘precisa crer’ ou ‘tenha esperança’. O pessimista é pessoal, persuasivo, abrirá seus segredos com desembaraço (…). Do veneno alheio, surgirão sabedoria, ensinamento, conselhos. Orgulho-me desse humor brasileiro. Daquele cara que deu tudo errado e ainda acha graça. Não confio em sujeito com felicidade de sobra”.

Um reflexo à teoria do pessimismo defensivo é a Lei de Murphy – “Se algo pode dar errado, dará”. Reflexão sobre o mistério gravitacional que faz com que a face da torrada untada com manteiga atraia irremediavelmente o chão imundo, a lei foi criada pelo engenheiro aeroespacial Edward Murphy e veio à luz, veja só, no mesmo ano de O Poder do Pensamento Negativo.

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