“O primado do artista sobre o filósofo” (José Thomaz Brum)

Este artigo procura apresentar a obra póstuma do filósofo alemão Schelling (1775-1854) intitulada Filosofia da Arte. Lançada no Brasil pela Edusp, com tradução e prefácio de Márcio Suzuki, ela constitui um verdadeiro “compêndio do saber romântico”.

Palavras-chave: Schelling, idealismo alemão, filosofia da arte

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854), filósofo guia da escola romântica, pertence – segundo a história da filosofia – àquela corrente de pensamento denominada “idealismo alemão”. Partindo de Kant, os idealistas Fichte, Schelling e Hegel desrespeitaram os limites que aquele impusera à razão humana. Se a razão kantiana (Vernunft) estava limitada aos fenômenos, ao mundo tal como aparece para a consciência, o espírito idealista (Geist) buscava o Absoluto, a essência que Kant designou como incognoscível, sob o nome de “coisa-em-si”. Fichte, com a idéia de um Eu absoluto e ativo, e Hegel, com sua dialética histórica que busca o Absoluto, são exemplos de um pensamento que transgride os conselhos kantianos de prudência quanto ao Absoluto. O Geist dos idealistas alemães sonha com a totalidade do real, e foi sobretudo Schelling quem ilustrou essa opção por uma metafísica da infinitude, oposta à finitude kantiana… [Pdf]