Da Verdade: aforismos de Emil Cioran

Não queremos mais suportar os pesos das “verdades”, continuar sendo suas vítimas ou seus cúmplices. Sonho com um mundo em que se morreria por uma vírgula. (Silogismos da amargura)

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Suficientemente ingênuo para colocar-me em busca da Verdade, interessei-me no passado — inutilmente — por muitas disciplinas. Começava a firmar-me no ceticismo quando tive a idéia de consultar, como último recurso, a Poesia: quem sabe, disse a mim mesmo, talvez me seja útil, talvez esconda sob sua arbitrariedade alguma revelação definitiva. Recurso ilusório: ela me fez perder até minhas incertezas… (Silogismos da amargura)

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A Verdade? Encontra-se em Shakespeare; um filósofo não poderia apropriar-se dela sem explodir com seu sistema. (Silogismos da amargura)

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O medo de ser enganado é a versão vulgar da busca da Verdade. (De l’ìnconvenient d’être né)

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“Que é a verdade?” é uma pergunta fundamental. Mas ínfima comparada com: “Como suportar a vida?” A qual por sua vez empalidece ao lado desta: “Como suportar-se a si mesmo?” — Eis a pergunta capital à qual ninguém tem uma resposta. (Écartèlement)

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A filosofía hindu busca a liberação; a grega, à exceção de Pirro, Epicuro e alguns inclassificáveis, é decepcionante: não busca mais que a… verdade. (Aveux et anathèmes)

Tradução do francês: Rodrigo Menezes

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