“Cioran e Schopenhauer: duas visões romenas” (José Thomaz Brum)

Ethic@ — Revista internacional de Filosofia da Moral, Universidade Federal de Santa Catarina, v. 11, n. 2 (2012).

RESUMO: Este artigo pretende apresentar dois diferentes pontos de vista sobre os ecos schopenhauerianos nas obras de Emil Cioran (1911-1995).
Palavras-chave: Cioran. Schopenhauer. Marta Petreu. Ciprian Valcan.

ABSTRACT: This article aims to present two different points of view on the Schopenhauerian echoes in Emil Cioran’s works.
Key-words: Cioran. Schopenhauer. Marta Petreu. Ciprian Valcan

Gostaria de apresentar, e comentar, dois pontos de vista sobre a relação entre Cioran e Schopenhauer: o de Marta Petreu e o de Ciprian Valcan.

Marta Petreu publicou, em tradução francesa, um artigo intitulado Schopenhauer et Cioran. Philosophies parallèles. Nele a autora inicialmente menciona o fato de que “a cultura romena moderna se coloca desde o início sob o signo de Schopenhauer”, e também a extraordinária façanha do príncipe Zizin Cantacuzène, que traduziu para o francês os Aforismos para a sabedoria na vida, Da quádrupla raiz do princípio de razão suficiente e sobretudo O mundo como vontade e representação. “Soberbo presente oferecido à cultura francesa”, nota Petreu. Quanto a Cioran, Petreu observa que, entre suas fichas de leitura conservadas nos arquivos da família, há aquelas redigidas entre os dezoito e dezenove anos que falam de leituras das acima citadas traduções de Cantacuzène.

Mas as célebres cartas de juventude (1930-1934) endereçadas por Cioran ao amigo Bucur Tincu são os maiores exemplos, segundo Petreu, de “expressões tingidas de schopenhauerianismo”. Entre elas, uma marcante, a segunda, datada de 23 de setembro de 1932, “testemunha o contato estreito de Cioran com Schopenhauer”. Cioran fala aqui de seu ensaio intitulado As revelações da dor, publicado em 1933 na revista Azi (Hoje), e republicado em francês na antologia de textos de juventude Solitude et destin: “Tentara demonstrar que o destino individual, enquanto realidade interior, irracional e imanente, só se revela a nós através da dor, que esta é a única via positiva de compreensão interior dos problemas pessoais”. Diz Petreu: “aqui os termos ‘o destino enquanto realidade interior’ ou ‘a dor enquanto realidade positiva’ são nitidamente schopenhauerianos”. Não por acaso o jornal espanhol El País, em seu suplemento literário Babelia de 9 de abril de 2011, publicou essa carta em espanhol para homenagear o centenário de Cioran…[PDF]