Estética e horror: o monstro, o estranho e o abjeto

Marcelo Rodrigues de Moraes1

Publicado no Dossiê “Escritas da Violência” do
Grupo de Pesquisa Literatura e Autoritarismo, UFSM/RS

Resumo: O propósito deste trabalho é refletir a respeito do tema Estética e Horror, evidenciando seu caráter teórico e as três principais categorias estudadas: o monstro, o estranho e o abjeto. O trabalho, desenvolvido no projeto Literatura e Autoritarismo, tenta mostrar como a criação artística tem encontrado no horror uma das formas mais expressivas das tendências do espírito contemporâneo, dos problemas que o investem e das significações que sua linguagem pretende transmitir, já que às formas de horror parecem haver convergido as angústias e as perturbações de uma época que se vivencia e se concebe como apocalíptica. O horror, como gênero artístico, chama a atenção à medida que suas estruturas são dispostas de maneira a articular a ansiedade difundida em tempos de tensão. A sensação de paralisia gerada por choques e pela incapacidade de lidar com situações-limite, inconcebíveis e inacreditáveis, encontra nas figuras monstruosas, abjetas e estranhas sua principal causa e configuração. A reflexão sobre o modo como a literatura trata a estética horrorífica mostra que o horror, como categoria artística, carrega em si condições para configurar um universo próprio de existência, gerar ambientes fantasmagóricos e falar daquilo que é indizível por meio de elementos contraditórios. Palavras-chave: Estética, horror, monstro, estranho, abjeto.

Abstract: This paper undertakes an approach to the theme “Aesthetics and Horror” by highlighting its theoretical aspect and its three main categories: the monster, the uncanny and the abject. The study, developed in the project “Literatura e Autoritarismo”, try to show how the artistic creation has found in the horror one of the most expressive forms of displaying contemporary spirit trends, as well as its problems and the meanings its language intends to express. It seems that the anguishes and disturbances of an apocalyptic period have converged into the horror. The horror, as an artistic genre, has structures made to articulate the anxiety diffused in periods of tension. The paralysis created by states of shock and the incapacity to deal with inconceivable and incredible limit-experiences finds in monstrous, uncanny and abject figures its main cause. The reflection on how literature treats horrorific aesthetics reveals that horror brings in itself conditions to create its own universe, to generate ghostly settings and to talk about the unspeakable through contradictory elements. Keywords: Aesthetics, horror, monster, uncanny, abject.

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