“Razne”, o livro oculto de Cioran

Razne (Humanitas, 2012)
Razne (Humanitas, 2012)

“O túmulo é a única farmácia para a melancolia.” (Cioran, Razne)

Foi publicado recentemente na Romênia um manuscrito de Emil Cioran que teria ficado engavetado, desde sua redação em 1945/46 até os dias de hoje, em sua mansarda em Paris, e que foi arquivado na Biblioteca Jacques Doucet de Paris (onde se encontram guardados todos os manuscritos e correspondências do autor). O livro que não veio a ser, supostamente o último escrito por Cioran em Paris antes de aderir ao francês como idioma oficial, chama-se Razne (algo como “divagações” em romeno). Abaixo, algumas palavras do editor romeno, Constantin Zaharia, sobre o livro:

Esta é a primeira aparição de Razne, um dos últimos livros de Cioran escritos em romeno. Até o momento, este livro não foi traduzido e publicado nem em francês nem em nenhuma outra língua [exceto o romeno]. Os textos do autor na revista Luceafǎrul de Paris (no. 2, maio de 1949) sob este título, assinados Z.P., não se encontram aqui. Estes, juntos com outros Fragmentos publicados na mesma revista (no. 1, novembro de 1948, sob o mesmo pseudônimo), foram reeditados por Nicolae Florescu em um suplemento da revista Jornalul Literar do ano de 1995. É possível que Razne de 1949 seja o último texto de Cioran em língua romena.

Os manuscritos de Razne estão guardados na Biblioteca Literária Jacques Doucet de Paris, sob o número CRN Ms 9. Suas 120 páginas numeradas pelo autor de 1 a 117 (algumas delas têm o mesmo número), escritas em geral com tinta preta, lápis ou caneta,  raramente azul (apenas dois deles dessa maneira, ps. 65 e 66). A primeira página contém dois títulos, não numerada pelo autor. O papel é de forma e qualidade diferentes, parecido com o formato A4 (em geral, 267 x 212 mm). O manuscrito não compreende nenhuma anotação que permita datá-lo, mas pode-se assumir que ele foi redigido entre o segundo semestre de 1945 e os primeiros meses de 1946, obviamente com uma margem de imprecisão.

Para estabelecer o texto, utilizamos a norma ortográfica atual. A pontuação foi restituída conforme a regulamentação em vigor. Dado o número importante de correções e hesitações nos manuscritos, escolhemos, como nas edições anteriores (Despre FranÅ£a e ÃŽndreptar PÇŽtimaÈ™ II), transcrever essas variações em notas de rodapé (introduzidas pela abreviação “Var.:”) já que podem despertar um grande interesse de citação, deixando de lado palavras incompletas e elementos de relação. Desenvolvimentos antes ou depois de um item, mas que o autor abandonou, foram marcados como tais em notas respectivas.

Em muitos poucos casos, onde o sentido da frase exige, fizemos mudanças mínimas, marcadas em geral por colchetes []. Itens fora de contexto, mas que não estamos autorizados a suprimir ou substituir, foram colocados em evidência pela notação [sic!]. Encontramos uma única lacuna, assinalada em nota, mas ela não afeta o sentido geral da frase.

As preocupações gerais foram de respeitar as características do manuscrito e o seu conteúdo, oferecendo ao mesmo tempo, aos leitores e pesquisadores, acesso a um livro que pode ser tanto uma fonte de consulta quanto uma leitura apaixonante.

Constantin Zaharia (traduzido do romeno por Rodrigo Menezes)

Página do livro no site oficial da editora Humanitas.

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