‘Há afinidades entre nossos povos, nem que seja no fracasso’ (carta de Cioran a J. T. Brum)

Carta de Cioran a Jos̩ Thomaz Brum РFolha de S. Paulo, Caderno Mais!, 2 de julho de 1995

Paris, 19 de agosto de 1990.

Meu querido amigo

Obrigado, de todo o coração, por este dicionário(1) que só fará consolidar a nossa amizade. Há, indubitavelmente, afinidades entre nossos dois povos, nem que seja por um gênero de fracasso no qual eles se destacam e que lhes confere uma originalidade inteiramente especial.

Espero que nossos “Silogismos” encontrem um certo eco em seus compatriotas e que não tenhamos trabalhado em vão. As horas de nossa colaboração foram, para mim, momentos privilegiados.

Simone e eu enviamos, a você e a Katia, as nossas saudações mais afetuosas
Cioran

NOTA:

1. O dicionário a que Cioran se refere na carta é o “Dicionário de Romeno-Português”, de Victor Buescu, lançado pela editora portuguesa Porto. Fiz questão de presenteá-lo com esta obra para simbolizar a afinidade e o diálogo possível entre nossos dois idiomas
Esta carta foi enviada por Cioran a José Thomaz Brum quando traduzia “Silogismos da Amargura”.

Tradução de JOSÉ THOMAZ BRUM

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