“Schopenhauer e Cioran: variações sobre a temática da existência” (Maria Ivonilda da Silva Martins)

REVISTA LAMPEJO, nº 1 – 04/2012, p. 55-61.

Resumo: Partindo da oposição de A. Schopenhauer à filosofia prática de I. Kant, procuraremos apresentar como Schopenhauer explica a existência humana, que é fundamentalmente marcada por uma negação da razão e, em última instância, negação da liberdade. Além disso, procuraremos apresentar brevemente a visão do filósofo romeno E. Cioran e como esta constitui uma alternativa à visão pessimista schopenhaueriana, pois, para Cioran, assumir o absurdo, os paradoxos e o efêmero como fatores intrínsecos à existência humana não possui necessariamente um caráter negativo. Assim, Schopenhauer ainda estaria compactuando com uma visão romantizada da existência humana na medida em que não se afirma um télos, uma finalidade última para a vida, mas também não se deixa de associar um caráter negativo a essa falta de finalidade. Cioran defende que é justamente a falta de “sentido” último que torna a experiência da existência tão genuína.

Palavras-Chave: Schopenhauer; Cioran; Existência

Abstract: Starting from the A. Schopenhauer’s opposition to the I. Kant’s practical philosophy, we will present how Schopenhauer explains the human existence, which is fundamentally marked by an denial of reason and, ultimately, denial of freedom. Furthermore, we will briefly present the point of view of the romanian philosopher E. Cioran and how this constitutes an alternative to the schopenhauerian’s pessimist view because, to Cioran, to assume the absurd, the paradoxes and the ephemeral as inherent to the human existence does not has necessarily a negative nature. Thus, Schopenhauer would still be compactuating with a romanticized view of the human existence as he does not assert a télos, a final purpose to life, but also can be associated a negative nature to this lack of purpose. Cioran defends that is precisely the lack of a final “sense” that makes the existence’s experience so genuine.

Keywords: Schopenhauer, Cioran, Existence.

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