“O êxtase musical em E. M. Cioran” (Marco Vinicio Guimarães Giusti)

Cioran é um autor contemporâneo — nascido na Romênia, em 1911 e morto em Paris, em 1995 — ainda muito pouco lido academicamente. A sua obra traduz em grande parte o espírito do século XX, cheio de crises e incertezas. Não é por outro motivo que a sua escritura é fragmentária, recorrendo muitas vezes ao aforismo.

Pensador privado, como Schopenhauer e Nietzsche, Cioran escolhe uma via própria, pessoal, extemporânea. Ele faz sua a experiência do “sem sentido”, do que ultrapassa o entendimento, na vivência mais imediata que há: a de seu corpo. Seu pensamento nasce das vísceras e apreende o ser em sua manifestação mais enigmática. De certa forma é um metafísico. Um metafísico ateu, leitor dos grandes místicos ocidentais, dentre os quais Teresa D’Ávila, por quem nutria grande admiração.

É exatamente na antinomia entre a mística e o ceticismo que o pensamento sobre a música ganha fôlego em Cioran. Para ele, apenas a música é capaz de transpor a dureza conceptual, alcançando regiões que o uso da razão representativa não atinge… [+]

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