Lev Shestov (Leandro Marcio)

Existencialista russo, cuja obra permanece inédita no Brasil, criticou a filosofia especulativa e pensou em Deus como absurdo.

“Shestov, de quem fiz reeditar As revelações da morte, quando fui nomeado, durante alguns meses, diretor de uma coleção na editora Plon, desempenhou papel importante na minha vida. Mantenho-me fiel a ele, apesar de não ter alcançado a felicidade de conhecê-lo pessoalmente. Ele pensava, com razão, que os verdadeiros problemas escapam aos filósofos. Que fazem eles a não ser escamotear os verdadeiros tormentos?”

Essas são as palavras de Cioran, em uma entrevista concedida à Sylvie Jaudeau, onde o autor romeno nos apresenta um nome que, desde sempre, foi relegado a um segundo plano no debate filosófico contemporâneo: o judeu russo Lev Isaakovich Schwarzmann, ou simplesmente Lev Shestov (1866-1938).

Em Kiev, sua cidade natal, o jovem Shestov teve o privilégio de crescer em um seio familiar onde a literatura hebraica era amplamente lida e discutida – especialmente por seu pai, o rico comerciante têxtil Isaak Moiseevich Schwarzmann. A paixão pela literatura influenciou decisivamente seu itinerário intelectual e levou o pensamento de Shestov a confrontar os milenares problemas filosóficos de uma forma desconcertante para muitos de seus contemporâneos.

Apesar das afinidades com a literatura, Shestov ingressou na Faculdade de Matemática e logo depois na Faculdade de Direito de Moscou. Finaliza seus estudos em 1889, interessado por questões políticas e sociais. Voltando para o lar paterno, apresenta uma dissertação de mestrado na Universidade de Kiev sobre a legislação trabalhista russa. Apesar de aceita pela academia, o Comitê de Censura de Moscou, órgão que fiscalizava as publicações de toda e qualquer obra divulgada em território russo, alegou que o livro era “revolucionário”. Isso impediu que Shestov se tornasse de fato um advogado, e a falta de prática da profissão terminou por fazê-lo perder completamente as ligações com o Direito… Fonte: Ugapress