“O canto do Cisne” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.” (Machado de Assis)

Morrer, sei que vou. Como? Por qual causa mortis? A “hora exata”? Não faço ideia. Nem me interesso, nem me preocupo. O que importa é morrer, não prosseguir a consciência infinitamente, não a imortalidade.

Mas posso adiantar uma certeza: morrendo seja de velhice, de cansaço de viver, de tédio, de câncer, ou assassinado, não importa, minhas últimas palavras serão cantadas.

Qual canção? Não sei, não tenho como prever. Pode ser uma das canções que eu amo, e que não compus, como pode ser algo de improviso, na hora derradeira — tipo um jazz da morte…