“Sociedade dos poetas mortos” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“A sociedade é uma associação “entre os que estão vivos, os que estão mortos e os que ainda estão por nascer” (Edmund Burke)

Os melhores morrem, estão mortos. Os fortes não duram. Os grandes são pequenos.

Não sou poeta, mas quero frequentá-los, aproveitar tudo o que posso absorver deles: sou um “parasita dos poetas”.

Os políticos vivem. Os poetas morrem (filósofos idem; Clément Rosset mês passado) Os “homens de bem” prosperam, os drogados ficam no meio do caminho.

Que caminho? Em direção ao quê? Melhor que não tenham continuado, perseverado — “fracassaram”, e se não há aqueles dispostos a isso, de que vale qualquer coisa? Eles, os poetas, entenderam: nada leva a nada; para quê dar-se o trabalho? Mais vale poetar — ou “punhetar”…

Viva, sofra, goze, crie, morra. Seja feliz, seja triste, seja feliz, aprenda a morrer e a estar morto (como escreveu o divino Platão). Ou seja (argumento do divino Platão), aprenda a viver e a estar vivo.

Os tiranos, os brutos e os medíocres são duros de morrer (die hard); os Poetas, basta sentir a brisa fresca batendo no rosto, para experimentarem uma comoção exterior ao universo, o que basta para ter a certeza de que o mundo não é o caso.

“Meus heróis morreram de overdose” — alguns, sim… não todos. Outros simplesmente morreram. Assim, por exemplo, onde se encontra Manoel de Barros neste exato momento? Cadê ele? Para qual endereço posso escrever uma carta? Meus heróis simplesmente morreram, morrem — não importa como, nem quando…

Meus heróis não são governantes! Mas será que Eles me aceitarão?