Sobre Emily Dickinson (E.M. Cioran)

Emily Dickinson : «Eu senti um  funeral no meu cérebro», e eu poderia acrescentar, como Mlle de Lespinasse «em todos os instantes da minha vida».
Funerais perpétuos do espírito.

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HĂĄ meses, eu vivo todos os meus momentos de angĂșstia na companhia de Emily Dickinson.

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Eu daria todos os poetas por Emily Dickinson.

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Deus, «our old neighbour» [nosso velho vizinho], como o chama Emily Dickinson.

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SĂł conheço duas definiçÔes da poesia: a dos antigos mexicanos: «O vento que vem dos deuses»…
e a de Emily Dickinson (aĂ­ onde ela reconhece a verdadeira poesia como aquela que a invade com um frio tĂŁo glacial que ela sente que nada jamais tornaria a aquecĂȘ-la). (Reencontrar a passagem.)

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Todos os que vão no sentido da vida possuem uma capacidade infinita de esquecimento; e os que não podem esquecer, os ansiosos, os elegíacos, deslizam à força para o lado da morte.

«Who has not found the heaven below
Will fail of it above.»

O céu é a recompensa daqueles que jå o encontraram aqui embaixo.

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Eu sonho com um sistema filosĂłfico formulado com atalhos Ă  la Emily Dickinson.

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Reli alguns poemas de Emily Dickinson. Comovido até as lågrimas. Tudo o que emana dela tem a propriedade de me perturbar.

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«A natureza é uma casa assombrada, mas a arte é uma casa que tenta ser assombrada.» (Emily Dickinson)

CIORAN, E.M., Cahiers : 1957-1972. Paris : Gallimard, 1997.

Poemas de Emily Dickinson na Revista Prosa Verso e Arte.