“Uma poética sobre NADA? O niilismo em Augusto dos Anjos” (Leonardo Vicente Vivaldo)

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Ciências e Letras – Unesp/Araraquara, como requisito para obtenção do título de Mestre em Letras (Estudos Literários). [PDF]

Lambe a ferida o animal ferido
E se dissolve em língua, carne, pele,
Dentes inúteis, espalhados.
Cada parte reclama a sua parte
De vida – resto, sopro
Miúdo, exalação, suspiro.
Perdura apenas o sintoma: a ferida,
O desejo de lamber, a cura inexistente
Como o desenho da paisagem: folhas, terra,
Água sem peso, ar escuro – órgãos
Soltos de um corpo morto: deus
Não há – apenas uma sombra imensa
Oprime pela falta e ainda segura, cola fraca,
Os pedações que aos poucos
Vão se desprendendo.

Quero fixar-me, furiosamente, no Nada e irmanar-me a
ele e perder todos os resíduos humanos, quando ele me
agarrar! Contigo, velho alquimista, quero caminhar.
Não fiques mendigando sozinho, para ganhares o céu;
nada de esmola, toma-o o de assalto, se és forte (…),
deixa de mendigar; separo à força tuas mãos. Ai de
mim! Que é isso? Tu também não passas de uma
máscara e me enganas? Não vejo mais, ó Pai! Onde
estás? Ao toque de meus dedos, tudo se reduz a cinzas e
no chão sobra apenas um punhado de pó, enquanto
alguns vermes saciados rastejam furtivamente (…).
Espalho pelo ar essa poeira paterna e o que resta? Nada!
À frente, dentro do túmulo, o visionário ainda
permanece, abraçando o Nada! E o eco do ossário brada
uma última vez: “Nada!”.
(Autor Anônimo – Noturnos de Boaventura – 1804)

Resumo: A concepção moderna de niilismo começou a desenvolver-se no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, principalmente depois das teorizações do filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche – para quem o homem contemporâneo estaria vivendo em um período de constante decadência e de crise de valores (morais e metafísicos). O niilismo seria, portanto, um mediador entre conceitos ultrapassados e modernos: um estado intermediário que exporia a fratura entre uma velha e uma nova visão de mundo. O termo niilismo, que está ligado etimologicamente a “nada”, no latim nihil – daí, niilismo, se faz, portanto, duma questão muito mais antiga, e complexa, do que possa aparentar à primeira vista. Desta maneira, pensando o Nada como “matéria” do niilismo, ou para o niilismo, esses termos parecem serem continuamente disseminados na poesia, e na crítica, sobre o poeta Augusto dos Anjos – sendo, muitas vezes, usados como sinônimos e nos mais variados sentidos. Contudo, convém se perguntar: o que seria, realmente, o Nada na poética de Augusto dos Anjos? Seria possível defini-lo? E mais: seria possível defini-lo como niilismo? O declínio do espírito oriundo do niilismo, manifestado não só pela obsessão pelo saber, mas, sobretudo, pela dissolução no Nada (angústia metafísica do homem moderno), parece ser o caminho que faz a poesia de Augusto dos Anjos – e o trajeto que este trabalho propõe.
Palavras-chave: Poesia brasileira; Augusto dos Anjos; Niilismo; Filosofia.

Abstract: The modern concept of nihilism began to develop itself in the late nineteenth century and early decades of the twentieth century, especially after the work of the philosopher Friedrich Wilhelm Nietzsche – to whom the contemporary man would be living in a period of steady decline and crisis of values (especially moral and metaphysical). Nihilism is therefore a mediator between outdated and modern concepts: an intermediate state that would expose a rift between the old and the new world view. The term nihilism, which is etymologically linked to “nothing”, nihil in latin – hence, nihilism, it is therefore a much more ancient and complex question than might appear at first sight. Thus, thinking nothing as substance of nihilism, these terms always seem to have permeated the poetry, and criticism of the poet Augusto dos Anjos – being very often used as having the same meaning. Yet we must ask: what would be nothing in the poetry of Augusto dos Anjos? Would it be possible to define it? And more, could we define it as nihilism? The decline from the spirit arised by nihilism, expressed not only by an obsession for knowledge, but mainly by the metaphysical anguish of the modern man, seems to be the way which is made the poetry of Augusto dos Anjos – and the path that this work proposes.
Keywords: Brazilian Poetry; Augusto dos Anjos; Nihilism; Philosophy.

INTRODUÇÃO

– Escalpelaste todo o cadáver do mundo
E, por fim, nada achaste… e, por fim, nada achaste!…
(Augusto dos ANJOS, 2001, p. 274)

A presente tese de mestrado dá continuidade à iniciação científica e à monografia final de conclusão de curso que o mestrando, Leonardo Vicente Vivaldo, iniciou durante a graduação sobre a supervisão do mesmo orientador – o Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires.

A proposta deste trabalho partiu da considerável recorrência do termo “niilismo”, ou mesmo da sua contraparte semântica, o “Nada”, pelos mais variados estudos críticos acerca do poeta Augusto dos Anjos (1884 – 1914) – especialmente quando esses buscaram definir, ou adjetivar, de alguma forma, a poesia do poeta paraibano. Desta maneira, a ideia básica da pesquisa consistiu sempre na busca de subsídios (teóricos – através da bibliografia consultada; práticos – através das análises) que possibilitassem uma melhor apreciação crítica/temática do que viria a ser, realmente, o “niilismo” por dentro do amplo universo poético de Augusto dos Anjos.

Sendo assim, e de modo geral, tal repetição do termo niilismo nos fez crer numa pista que, aparentemente, poderia denunciar (mais) uma cosmovisão “organizada/sistemática” da poética de Augusto dos Anjos – algo que nada teria a ver, necessariamente, com “intenção consciente”. Mas, sim, com o resultado de manifestações outras (apesar de, obviamente, não descartar a anterior) e que perscrutariam de maneira mais “sintomática” do que “performática” no poeta/homem sensível ao seu tempo – aquele que é a “Antena da Raça”, nos dizeres do poeta-crítico Ezra Pound (1885 – 1972).

Desta forma, nos pareceu necessário tentar (re)definir e/ou interpretar, primeiramente, o niilismo de que essas várias críticas sobre Augusto dos Anjos ponderavam antes de confrontá-lo com a poesia do mesmo. Entretanto, o que num primeiro momento pode ser visto como uma aproximação entre abordagens e críticas diversas, também acabou servindo como afastamento, pois o termo niilismo parecia sofrer, em cada crítico, de certa pluralização (ou banalização?), pois muitas vezes ele [o niilismo] era utilizado de forma pejorativa e, na maioria dos casos, como sinônimo de pessimismo – além de, como já foi dito, (con)fundido com a categoria filosófica do Nada. Destarte, os textos teóricos sobre Augusto não permitiam uma compreensão sólida sobre o “niilismo”.

E destas questões começaram a surgir outras: por conseguinte, o que seria, mais precisamente, o niilismo? Seria uma “doutrina” fechada, única, coesa? O que realmente poderíamos definir como niilismo? Existiria mais de um tipo de niilismo? – se sim, além disso: qual seria, portanto, o niilismo que se aproximaria, de uma forma ou outra, da poesia de Augusto dos Anjos?

Para tentar as respostas de tais indagações começamos a seguir o percurso histórico do termo [niilismo] indicado pelo filósofo Italiano Franco Volpi (1921 – 1997) no livro O niilismo: que dá atenção ao surgimento do conceito desde suas supostas manifestações primitivas (predecessoras apenas), na Grécia antiga, passando pela Idade Média, até sua popularização nos séculos XVIII e XIX – sobretudo na sociedade russa, com os romancistas Ivan Turguêniev (1818 – 1883) e Fiódor Dostoiévski (1821–1881). Foi possível notarmos, portanto, que, assim como na crítica sobre Augusto dos Anjos, as próprias definições de niilismo sofreram, e ainda sofrem, dentro da história e da crítica filosófica, diversas mudanças – pois não era só o surgimento da palavra em si que o definia (e nem mesmo certas particularidades que pareciam precedê-lo nas mais variadas épocas).

Embora o termo, ao menos em suas aspirações filosóficas, fosse surgir apenas nas “controvérsias que marcaram o nascimento do idealismo alemão, entre o fim do século XVIII e o início do século XIX” (VOLPI, 1999, p.7) (e mesmo compartilhando uma história muito mais antiga se levarmos em consideração algumas exposições e semelhanças acerca da questão filosófica-espiritual-metafísica do Nada – embora, como notaremos mais à frente, existam diferenças pertinentes entre tais demandas), acabamos chegando, de maneira quase natural, ao nome do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844–1900) – pois, segundo Volpi, Nietzsche teria sido o “maior profeta do niilismo” (VOLPI, 1999, p. 102). E em Nietzsche nos detivemos. Mas por quê?

Foi em Nietzsche que começou a surgir à primeira concepção moderna de niilismo, por volta do final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX: especulando, principalmente, a ideia de que o homem moderno estaria vivendo em um período de constante decadência e de crise de valores (sobretudo metafísicos e morais) e onde o niilismo seria, portanto, um mediador entre conceitos ultrapassados e modernos. O niilismo seria um estado intermediário que exporia a fratura entre uma velha e uma nova visão de mundo, exemplarmente exposta no íntimo do século XIX – e refletida, posteriormente, num “niilismo passivo” e num “niilismo ativo”, segundo o filósofo alemão.

O primeiro niilismo, o niilismo passivo, seria a inicial luta contra a decadência da realidade. Entretanto, persistiria uma ação para se preencher o vazio decorrente da “morte de Deus” e das categorias que regiam nossa realidade – em seu lugar, o homem passaria a crer no progresso, na razão moral, na democracia, na ciência, etc. –, pois sentiria uma necessidade incontrolável de entrega (ou seja, de se acreditar em algo). Contudo, depois de abolidos os pilares que sustentariam essa realidade, não seria mais possível parar tal processo. Quando o homem tomasse conta de que mesmo esses “novos deuses” não possuiriam a salvação, só existiria uma direção a aceitar e a seguir: o Nada.

Já no niilismo ativo, por outro lado, o homem alcançaria uma nova consciência: sobre si próprio e sobre a “morte de Deus”. O niilismo ativo não almejaria mais mascarar, assim como o niilismo passivo, através de ideais e ficções, a vontade de Nada – ele também aceitaria essa condição. Mas, nem por isso, ele iria se prender em outros ideais, pois buscaria recriá-los, incessantemente. Esse estágio do niilismo estaria ligado intimamente, portanto, à criação (em seu sentido mais amplo).

Mas do quê tudo isso serviria para a compreensão do niilismo em Augusto dos Anjos? Afora toda a citação de biólogos, pensadores, literatos e outros filósofos, é justamente para “Frederico” Nietzsche que Augusto dos Anjos dedica um soneto (ANJOS, 2001, p. 274) – o que denunciaria o conhecimento, e admiração, do filósofo alemão por parte do poeta paraibano. Doravante, não apenas isso. É, sobretudo, para nós, a proximidade cronológica entre Nietzsche e Augusto dos Anjos que talvez reforce a ideia de que ambos sentiram, cada qual ao seu modo, os sintomas desse niilismo que provinha do final do século XIX – e isso, de alguma forma, foi o que norteou nosso trabalho:

SONETO

A Frederico Nietzsche

Para que nesta vida o espírito esfalfaste
Em vãs meditações, homem meditabundo?!
– Escalpelaste todo o cadáver do mundo
E, por fim, nada achaste… e, por fim, nada achaste!…
A loucura destruiu tudo que arquitetaste
E a Alemanha tremeu ao teu gemido fundo!…
De que te serviu, pois, estudares, profundo,
O homem e a lesma e a rocha e a pedra e o carvalho e a haste?!
Pois, para penetrar o mistério das lousas,
Foi-te mister sondar a substância das cousas
– Construíste de ilusões um mundo diferente,
Desconheceste Deus no vidro do astrolábio
E quando a Ciência vã te proclamava sábio,
A tua construção quebrou-se de repente!

(ANJOS, 2001, p. 274)

Misterioso, e problemático, soneto! Augusto ter reconhecido em versos o “profeta maior” do niilismo, “Frederico” Nietzsche, ao mesmo tempo em que colaborou para nos indicar algumas respostas, imputou também (mais) um problema: correr-se o risco de “forçar” coincidências entre seus pensamentos e acabar “arrancando” desse soneto mais do que a figura ou a filosofia de Nietzsche possa ter chegado a Augusto – além de uma “arte poética” que, se o niilismo permearia mesmo a obra de Augusto dos Anjos, este soneto poderia bem ser a sua “pedra filosofal”.

Mas não foi, evidentemente, o caso: é um soneto do começo da produção de Augusto e que nem mesmo fez parte da primeira edição do Eu (organizada pelo próprio poeta). Além do mais, é difícil (embora tentador) esquematizar a poesia de Augusto dos Anjos num niilismo passivo ou ativo – e senão nos dois. Ou, ainda pior, relacionar Augusto como mero propagador/seguidor de uma filosofia/ideologia (como já o tentaram fazer acerca da “Poesia Científica” ou do “Monismo” – via Herbert Spencer). Isso, com certeza, não foi o pretendido aqui.

Contudo, por outro lado, também foi impossível não sentirmos a força de tais problematizações de que falou Nietzsche emanando da poesia de Augusto. Portanto, para nós, o niilismo foi visto, em suas facetas e ambiguidades, como um fio condutor, dentre vários outros possíveis, que nos permitiu percorrer o tabuleiro poético de Augusto dos Anjos e que através dele sentimos pulsar o que fervilhava da alma de seu tempo.

Consequentemente, a importância deste soneto fez-se na medida em que demonstrou o conhecimento, por parte de Augusto dos Anjos, da filosofia de Nietzsche, ainda que não se fosse possível supor até que ponto teria ido tal conhecimento, mas, especialmente, pela suposição que deixou transparecer da figura que Augusto fez de Nietzsche como aquele que “– Escalpelaste todo o cadáver do mundo/ E, por fim, nada achaste… e, por fim, nada achaste!…” (ANJOS 2001, p.274), pois não deixa de reafirmar a postura demolidora, niilista mesmo, do filósofo alemão e de sua filosofia que encontrou e soube lidar com o Nada sem, por conseguinte, ter descoberto “Deus no vidro do astrolábio” (ANJOS, 2001, p.274) – assim como Augusto.

Pareceu-nos, logo, que este “declínio do espírito”, e a “impossibilidades do conhecimento”, inclusive, ou, sobretudo, metafísico, era o que semelhava reverberar da filosofia do niilismo e da crítica sobre Augusto dos Anjos – e que tentaremos endossar neste trabalho.

Desta maneira, e em poder de tais pistas, começamos a seguir o itinerário da primeira crítica sobre a poesia de Augusto dos Anjos: a crítica dita, posteriormente, “impressionista”, onde obra e homem se misturam (para justificar a poesia ou justificar a vida) – e da qual, apesar da visão questionável, foi de suma importância para a manutenção do interesse sobre a poesia de Augusto dos Anjos. E temos ali, inclusive, a indicação de pontos fundamentais da poética anjosiana como, por exemplo, o “pessimismo cósmico” (Órris Soares) e, justamente, o “niilismo moral” (Agripino Grieco).

Em seguida, em críticos consagrados como Alfredo Bosi, podemos ver desfilar de maneira mais organizada todas as características principais do poeta ou, como é o caso do texto “A costela de prata de Augusto dos Anjos”, de Anatol Rosenfeld, a focalização de outros aspectos estilísticos, mas também filosóficos – na ocorrência do Nirvana e do Budismo (o Nada, enfim) –, além de outros críticos como José Escobar Faria e Eudes Barros, que, direta ou indiretamente, tocaram no “niilismo”. Esta crítica mais “madura” aprofundou as questões próprias da poesia e não da vida do poeta, fazendo salientar a importância de Augusto dos Anjos dentro de nossas Letras – pela qualidade e não apenas pela singularidade.

E outra voz que caminhou junto com a da crítica de poesia sobre Augusto dos Anjos, e que pareceu relevante para nós, foi a dos próprios poetas: como o breve comentário de Manuel Bandeira sobre o poeta paraibano; o lúcido prefácio que Alexei Bueno realiza na edição crítica da obra completa de Augusto dos Anjos (edição esta que, inclusive, serviu de referência para esses principais textos teóricos com que trabalhamos); o profundo artigo “Morte e Vida Nordestina” de Ferreira Gullar (que ressalta a ligação com o nordeste e a possível divisão da poesia de Augusto dos Anjos em três fases – e que achamos deveras pertinente e tentaremos contribuir um pouco mais), além dos textos de José Paulo Paes que fez aproximar a estética do poeta paraibano com o Art Nouveau – pouca estudada manifestação artística que teria, segundo Paes, determinado justamente Nietzsche como uma de suas inspirações (e fechando-se, quem sabe, um ciclo: Niilismo – Nietzsche – Art Nouveau – Augusto dos Anjos – Niilismo).

Assim sendo, este trabalho estruturou-se em quatro frentes: a compreensão do que seria o fenômeno do niilismo, partindo de suas ambiguidades com o Nada (Capítulo 1); as diversas visões de niilismo por entre pensadores e épocas até chegar-se, finalmente, a Nietzsche (Capítulo 2); o estudo do poeta Augusto dos Anjos, visando gotejar por dentre os mais variados pontos de vista da crítica o que seria, até agora, caracterizado como niilismo em sua poesia – além de outros aspectos apontados que, inconscientemente, denunciaria também o niilismo (Capítulo 3); Por fim, através das análises de algumas poesias de Augusto dos Anjos (no caso, os sonetos “Agregado infeliz de sangue e cal” e “Lamento das Coisas” – embora também, ao longo da tese, outros acabem sendo ponderados) buscou-se confrontar a visão histórico-filosófica (primeira parte) com a visão crítico-literária do niilismo (segunda parte): abstraindo do choque dessas visões, e das análises da poesia propriamente dita, uma percepção mais geral do que poderia ser, realmente, o niilismo em Augusto dos Anjos (Capítulo 4).

Portanto, segue, enfim, este texto que sabe, honestamente, que

É tudo em vão! Atrás da luz dourada,
Negras, pompeam (triste maldição!)
– Asas de corvo pelo coração…
– Crepúsculo fatal vindo do Nada!

(ANJOS, 2001, p.234)

(mas que também sabe que é da eterna luta que se escapa do Nada – ainda que se torne eternamente para ele).

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