“Mike Patton, educador” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Primeiramente, à merda os purismos; à merda toda ortodoxia, em religião, em política, em música, em tudo.

Música é a minha sustância, o meu tutano, a minha razão de ser.

Música.

Quando era pequeno, aprendi a gostar de Kiss por causa do meu irmão mais velho. Tínhamos uma banda-imitação de Kiss; ele era o vocalista-guitarrista, eu era o baterista. Fingíamos tocar ao vivo, ele com uma guitarra de brinquedo, eu com latas e caixas de papelão.

Adolescente, de uma geração que viu a MTV iniciar sua transmissão brasileira com Marina Lima (“Garota de Ipanema”), descobri Faith No More, com o hit “Epic”. Amor à primeira vista.

Mal sabia eu que o vocalista daquela banda tinha outra banda, Mr. Bungle, que eu descobriria ser infinitamente mais interessante do que a vedete da MTV.

Comprei o CD do Mr. Bungle. A princípio, achei meio estranho, não gostei. Passei alguns anos vidrado no Faith No More e sem dar muita atenção ao Mr. Bungle, que achava esquisito demais.

Aquele vocalista meio louco, afetado, cheio de poses de vozes, foi a minha inspiração maior. E o meu padrão de exigência musical. Foi quem me formou musical e filosoficamente.

Ensinou-me a apreciar Música em todas as suas expressões, clássicas e populares. Se eu sou musicalmente eclético, e cético, devo-o  em grande parte a ele. Enfim, sem entrar no mérito de gêneros musicais (e são infinitos), me ensinou a gostar de tudo e de nada, musicalmente falando.

Mike Patton é para mim um educador musical — ou um educador tout court. Tenho 3 educadores na minha vida: Cioran na filosofia, Larry David na comédia, e Mike Patton na música (os dois últimos, judeus).

Quem não eleva a a música a um status quintessencial é um animal selvagem. E quem não tem ouvido para a musica — este, então, pertence à subzoologia.

Cioran, Mike Patton, Larry David, “assassinos sociais”: antídotos contra a mediocridade, contra a anti-musicalidade, contra o totalitarismo da homogeneização.

Mede-se a mediocridade e o fanatismo potencial de um indivíduo pela música que entra na sua vida. Quem só gosta de um ou dois estilos musicais é um verme anódino; quem não tem senso de humor é um aleijado; quem não é cético é um fanático em potencial. À merda os purismos, à merda quem fala em “alta” e “baixa” cultura…

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