1. O NIILISMO está à porta: de onde nos vem esse mais sinistro de todos os hóspedes? – Ponto de partida: é um erro remeter a “estados de indigência social” ou “degeneração filosófica” ou até mesmo à corrupção, como causa do niilismo. Estamos no mais decente, no mais compassivo dos tempos. Indigência, indigência psíquica, física, intelectual, não é em si capaz, de modo nenhum, de produzir niilismo (isto é, a radical recusa de valor, sentido, desejabilidade). Essas indigências permitem ainda interpretações bem diferentes. Mas: em uma interpretação bem determinada, na interpretação moral-cristã, reside o niilismo.

2. A ruína do cristianismo — por sua moral (que é indissociável) — a qual se volta contra o deus cristão (o sentido da veracidade, altamente desenvolvido pelo cristianismo, fica com nojo da falsidade e mendacidade de toda interpretação cristã do mundo e da história. Repercussão de “Deus é a verdade” na fanática crença “Tudo é falso”. Budismo de fato…).

3. Skepsis diante da moral é o decisivo. A ruína da interpretação moral do mundo, que não tem mais nenhuma sanção, depois que tentou refugiar-se em um além: termina em niilismo. ‘Tudo não tem sentido” (a inexeqüibilidade de uma única interpretação do mundo, a que foi dedicada uma força descomunal — leva a desconfiar se todas as interpretações do mundo não são falsas –). Traço budista, aspiração pelo nada. (O budismo hindu não tem um desenvolvimento fundamentalmente moral atrás de si, por isso nele o niilismo contém somente moral não superada: existência como castigo e existência como erro combinadas, o erro, portanto, como castigo-uma estimativa moral de valor.) Os ensaios filosóficos de superar o “Deus moral” (Hegel, panteísmo). Superação dos ideais plebeus: o sábio; o santo; o poeta. Antagonismo entre “verdadeiro” e ”belo” e ”bom”. —

4. Contra a “ausência do sentido” por um lado, contra os juízos-de-valor morais, por outro lado: em que medida toda ciência e filosofia até agora ficou sob juízos morais? e será que não recebe a hostilidade pela ciência junto na compra? Ou a anticientificidade? Crítica do espinosismo. Os juízos-de-valor cristãos remanescentes por toda parte nos sistemas socialistas e positivistas. Falta uma crítica da moral cristã

NIETZSCHE, Friedrich, A Vontade de Potência (textos de 1884-1888), in Obras Incompletas, col. “Os Pensadores”. trad. de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Nova Cultural, 1999. [PDF]

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