Revista Caminhando, v. 11, n. 1 [17], p.19-30, 2010 [2ª ed. on-line 2010; 1ª ed. 2006]

RESUMO: O artigo introduz nas características básicas de escritas gnósticas e interpreta a intenção dos seus autores não como oposição radical a tradição judaica e cristã, mas como re-leitura das suas escritas fundantes na base do conhecimento a partir de uma conciencia superior.
Palavras-chave: Gnosticismo; cristianismo primitivo; Bíblia; hermenêutica bíblica.

ABSTRACT: The article introduces the basic characteristics of the Gnostic scriptures and interprets the intention of the authors not as radical opposition to Jewish and Christian traditions, but as a re-reading of its basic scriptures based in knowledge of a superior conscience.
Keywords: Gnosticism; primitive; Christianity; Bible; Biblical Hermeneutic.

RESUMEN: El artículo introduce las características básicas de los escritos gnósticas e interpreta la intención de sus autores, no como oposición radical a la tradición judaica y cristiana, sino como relectura de sus escritos que tienen como fundamento el conocimiento a partir de una consciencia superior.
Palabras clave: gnosticismo; cristianismo primitivo; Biblia; hermenéutica bíblica.

A guisa de introdução

A discussão sobre o gnosticismo principia com a descrição do grupo que formou o movimento. Primeiramente, o sentido histórico do termo gnóstico designa o nome auto-atribuído por um grupo de cristãos antigos, os gnõstikoi. Em segundo lugar, entende-se por gnóstica a literatura que apresenta os temas fundantes e a cosmovisão desse grupo. Os gnósticos pautavam sua relação com a divindade a partir do que lhes era fundante: a gnose (substantivo do verbo gignósko que significa conhecer). Gnose (gnôsis) significava o conhecimento, o contrário da ignorância. Seria um estado de consciência superior, como “discernimento”.

Neste ensaio discutiremos o gnosticismo como expressão religiosa de certos grupos cristãos. Utilizaremos o mito gnóstico A Realidade dos Governantes ou Hipóstase dos Arcontes da Biblioteca de Nag-Hammaddi para investigar como os gnósticos concebiam a origem do cosmos e da humanidade. Partimos do pressuposto que seus mitos fundantes expressavam a maneira como se relacionavam religiosa, social e politicamente com o mundo. Tal expressão à medida que refletia a cultura também produzia a cultura gnóstica. As escrituras gnósticas e as origens cristãs ilustram “a diversidade e riqueza espiritual” dos primeiros séculos da EC. Assim como Elaine Pagels ficamos curiosos com a sugestão de que se textos gnósticos fossem incluídos no cânon oficial, talvez a expressão cristã de hoje fosse diferente… [PDF]