Programa de Pós-graduação em Bioética da Universidade de Brasília (UnB), maio de 2018

Conferência: “O Nascimento como Problema Bioético: Primeiros passos para uma Bioética Radical” [Birth as a Bioethical Problem: First Steps Towards a Radical Bioethics]

Julio Cabrera é um filósofo argentino que atualmente vive no Brasil, professor aposentado do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília e ex-chefe deste departamento. Já ensinou anteriormente na Argentina, na Universidade Nacional de Córdoba, na Universidade de Belgrano e no Brasil, na Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente é investigador associado sénior, por convite, no Programa de pós-graduação de Bioética da Universidade de Brasília. Ele é mais conhecido por seus trabalhos sobre ética negativa e cinema e filosofia, e outras áreas da filosofia que ele lida são filosofia da linguagem e da lógica e filosofia latino-americana.

O seu mais recente livro publicado no Brasil, intitulado “Mal-estar e moralidade: situação humana, ética e procriação responsável” (UNB, 2018), foi eleito finalista do Prêmio ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias), obtendo o 2° lugar.

Ética Negativa

Em seu livro Crítica de la moral afirmativa: una reflexión sobre nacimiento, muerte y valor de la vida, Julio Cabrera apresenta uma teoria sobre o valor da vida humana, que é, para Cabrera, “estruturalmente negativa” na medida em que existem componentes negativos da vida que são inevitáveis, constitutivos e adversos: como proeminente entre eles Cabrera cita a perda, a escassez, a dor, os conflitos, a fragilidade, a doença, o envelhecimento, o desânimo e a morte. De acordo com Cabrera, estas formam a estrutura básica da vida humana, que ele analisa através do que ele chama de fenomenologia naturalizada, fazendo livre uso de pensadores como Martin Heidegger, Arthur Schopenhauer, Jean-Paul Sartre e Friedrich Nietzsche. Cabrera chamou sua obra de uma tentativa de colocar Heidegger e Schopenhauer em contato, introduzindo um julgamento determinante do valor do ser dentro da analítica existencial do Dasein, e colocando a moral por cima da vida, contra Nietzsche.

Cabrera desenvolve uma teoria ética, a ética negativa, que é informada por esta análise fenomenológica. Ele argumenta que houve um preconceito injustificado na ética contra o não-ser, uma visão que ele chama de “afirmativismo”. Como as visões afirmativas tomam o ser como sendo bom, elas sempre veem as coisas que ameaçam essa hegemonia como más; em particular, coisas como abstenção de procriação ou o suicídio. Cabrera critica a ética afirmativa por perguntar como se deve viver sem fazer a pergunta radical sobre se simplesmente se deve ou não viver. Ele argumenta que, por causa da negatividade estrutural do ser, há uma desqualificação ética fundamental dos seres humanos devido à impossibilidade de não prejudicar e não manipular os outros. Não prejudicar e não manipular os outros é chamado por Cabrera de “articulação ética fundamental” (“AEF”). A AEF é violada pela nossa “inabilitação moral” estrutural, produto dos mal-estares mundanos, especialmente dor e desânimo – impostos a nós que nos impedem de agir eticamente. Cabrera argumenta que uma moralidade afirmativa é uma autocontradição pois aceita a AEF e concebe uma existência humana que permite a possibilidade de não prejudicar ou não manipular outras pessoas. Assim, ele acredita que as sociedades afirmativas, através de manobras políticas, exigem a suspensão da AEF para simplesmente funcionar.

Como resposta a estrutura negativa do ser, Cabrera desenvolve uma ética negativa que é agudamente consciente da natureza moralmente desqualificante do ser. Cabrera acredita que as crianças são usualmente vistas como objetos estéticos que não são criadas pelo seu próprio bem, mas pelo bem de seus pais, e que são jogadas em uma existência estruturalmente negativa pelo ato procriador. A procriação é, Cabrera argumenta, um ato supremo de manipulação, um prejuízo de outra pessoa e uma violação da autonomia. Ele argumenta que a aplicação consistente dos conceitos éticos normais – tais como dever, virtude ou respeito – na maioria das moralidades afirmativas, implica o antinatalismo. Cabrera também argumenta que um ser humano que adota a ética negativa não só se abstém de procriar, mas também tem uma completa disponibilidade para a possibilidade de uma morte ética, pela suspensão imediata de todos os projetos pessoais em benefício de uma luta política[6] ou para um suicídio altruísta quando este se torna o curso menos imoral de ação.

A Crítica de Cabrera é uma das suas defesa mais sistemática da ética negativa, mas ele também explorou as mesmas ideias em outros trabalhos, como em Projeto de Ética Negativa, Ética Negativa: problemas e discussões, Porque te amo, não nascerás! Nascituri te salutant e Mal-estar e moralidade: situação humana, ética e procriação responsável. (Wikipedia)

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