Naquilo que me diz respeito, eu renuncio à humanidade: não posso, nem quero, permanecer humano. O que me restaria a fazer enquanto tal — servir um sistema social e político, ou ainda, causar a infelicidade de uma pobre garota? Trilhar as inconsequências dos vários sistemas filosóficos ou dedicar-me a realizar um ideal moral e estético? Tudo isto me pareceria ridículo – nada poderia me tentar. Eu renuncio à minha condição de homem, sob o risco de me encontrar sozinho nos degraus que quero subir. Acaso já não estou sozinho neste mundo do qual nada espero? Para além das aspirações e ideais correntes, uma supra-consciência forneceria, provavelmente, um espaço em que se possa respirar. Ébrio de eternidade, eu esqueceria a futilidade deste mundo; nada mais viria atrapalhar um êxtase em que o ser seria tão puro e imaterial quando o não-ser.

CIORAN, “Insatisfação total”, in: Nos cumes do desespero (1934)

Publicado por:Portal E.M.Cioran/Br

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