Onde nascem os mitos? Eles “surgem do lugar mais corrompido que existe entre a terra e o céu, do lugar onde a loucura jaz na ternura, cloaca de utopias e vermineira de sonhos: nossa alma.”

Um mito prospera num corpo social enfermo de insegurança e medo, desorientação e (desejada) ignorância; pode sobreviver durante longos períodos de tempo, sob condições extremamente desfavoráveis de temperatura e pressão, como aqueles assombrosos seres microscópicos, os tardígrados. Mas, como bem intuiu o senhor Nietzsche, todo mito tem “pés de barro”.

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Flávio Bolsonaro, pelas lentes de um paparazzo.

Como se desmantela — desmitifica — um mito? Basta que a maioria dos indivíduos enfermos no corpo social tenham só um pouquinho de atenção e a coragem de pensar, e que se contraponha, ao mito, o princípio de realidade (Freud). Sabemos que este Leviatã malvado-miliciano se elegeu graças ao poder das redes sociais. Ora, “mas o mundo virtual é pobre em alteridade e em seu caráter de resistência“, notadamente, o caráter de resistência da alteridade mesma. “Nos espaços virtuais o ego pode se movimentar sem precisar lidar com o ‘princípio de realidade’, que seria o princípio do outro e da resistência. Nos espaços imaginários da virtualidade o ego narcísico encontra sobretudo a si mesmo”, escreve Byung-Chul Han (de onde a noção de “câmara de eco”, aplicável ao narcisismo ideológico tanto à direita quanto à esquerda).

Nem todo mundo tem o privilégio de assistir ao espetáculo do desmoronamento de um “mito”, e o impacto psicológico que isso tem nas consciências de quem o “comprou”. Quem mandou perder o pé da realidade?  Desmoronarão junto com ele, esses mitômanos filisteus e asquerosos que flutuam numa atmosfera virtual em que a terra é plana e sequer a gravidade existe. Empatia zero com bolsonarista (à exceção dos arrependidos); que se suicidem quando o mito se reduzir a pó. E nós, desiludidos, soltaremos uma risada, uma gargalhada niilista que ressoará pelos quatro cantos da galáxia…

Publicado por:Portal E.M.Cioran/Br

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