Razne, escrito entre 1945 e 1946, é um dos últimos escritos de Cioran ainda em romeno, já vivendo há anos na França. Foi traduzido ao francês como Divagations, em italiano como Divagazioni e em espanhol como Extravíos. Um texto importante pela posição que ocupa no conjunto da obra: livro de transição entre a escrita em romeno e a écriture française que o tornará conhecido mundialmente, ele tanto retoma os temas e o estilo dos livros anteriores quanto antecipa o que virá a seguir, uma vez abandonado o idioma materno e adotado o francês como língua oficial de expressão. O aforismo a seguir, por exemplo, prefigura “O antiprofeta”, do Breviário de decomposição, quanto “Odisseia do rancor”, de História e utopia.

*

În fiecare din noi zace un profet. Obsesia viitoruluhi, care ne face să intervenim în real pentru a-l schimba toarnă un continut fals în senzațiile prezentului. Cum toți oamenii cred că au o misiune, toți vor să îndrepte ceva dacă nu chiar totul. Nevoia de-a propune cu orice preț otrăvește ritmul vieții. Când ar trebui să trăim normal şi obiectiv şi în afară de timp ca plantele, noi înlocuim văzul prin viziune şi clipa prin clipele ce o urmează. Orgoliul ce se alimentează din iluzia unui veșnic altceva, ce se sprijină pe răul ucigător al nostalgiei, face din zilele noastre o fugă spre nu știu ce reformă a ireparabilului etern în care ne-am născut. Profeția emană dintr-o degradare a simțului pentru esențial, din febra înlocuind cunoașterea, din avalanșa de fioruri întunecând duhul. Decât, ea ține de aparențele omului tot atât de profund ca orice instinct. Căci a cere uciderea profetului din nou, ce-i altceva decât profeție? Nici un om nu e scutit de viciile tuturor oamenilor. Până si cei ce propun neantul sunt de aceeași esență cu cei ce vor să modifice o primărie. Doar o absență absolută de voință ne-ar pune în afară de semeni: profetul din noi ar fi omorât – şi noi am fi atât de deasupra firii încât n-am mai fi.

Em cada um de nós jaz um profeta. A obsessão do futuro, que nos leva a intervir na realidade para transfigurá-la, verte um falso conteúdo nas sensações do presente. Como todos os homens creem em uma missão, todos pretende, corrigir algo, quando não tudo. A mania de propor a qualquer preço envenena o ritmo da vida. Quando deveríamos viver de maneira normal e objetiva, à margem do tempo, como as plantas, substituímos a visão por visões e o instante pelos instantes seguintes. O orgulho, alimentando-se da ilusão de uma perpétua alteridade, apoiando-se no mal letal da nostalgia, converte nossos dias numa fuga em direção a sabe-se lá que forma da condição eternamente irreparável em que nascemos. A profecia emana de uma degradação do sentido do essencial, da febre que suplanta a consciência, da avalanche de espasmos que ensombrece o espírito. E ela está tão profundamente às aparências do homem como qualquer instinto. Pois, clamar uma vez mais a morte do profeta não é, também, uma profecia? Nenhum homem está isento dos vícios de todos os homens. Inclusive aqueles que predicam o nada possuem a mesma essência dos que exigem uma reforma legal. Só uma ausência absoluta de vontade nos situaria à margem de nossos semelhantes: morto o profeta que levamos em nós – ficaríamos tão acima da natureza que já não existiríamos.

Publicado por:Portal E.M.Cioran/Br

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