9782070749355-200x303-1— Le pessimisme, comme l’optimisme d’ailleurs, est un signe de déséquilibre mental.

— O pessimismo, como de resto o otimismo, é um signo de desequilíbrio mental.

§

Il y a un « pessimisme roumain », ou plutôt une « peur de vivre » nationale dont j’ai hérité, indiscutablement.

Há um “pessimismo romeno”, ou antes um “medo de viver” nacional que eu herdei, indiscutivelmente.

§

X — râleur, toujours mécontent. Quelqu’un a bien dit de lui : « Il a le pessimisme des petites gens. »

X — resmungão, sempre descontente. Alguém disse justamente dele: “Ele tem o pessimismo das gentalhas.”

§

Les pessimistes n’ont pas raison : vue de loin, la vie n’a rien de tragique, elle n’est tragique que de près, regardée dans le détail. La vue d’ensemble la rend inutile et comique. Et cela est vrai de notre expérience intime.

Os pessimistas não têm razão: vista de longe, a vida não tem nada de trágico, ela só o é de perto, observada no detalhe. A visão de conjunto a torna inútil e cômica. E isto é verdadeiro também de nossa experiência íntima.

§

Je ne suis pas un pessimiste, j’aime ce monde horrible.

Não sou um pessimista, eu amo este mundo horrível.

§

Tous ces théologiens qui veulent être à la page. L’un d’eux, plus ou moins disciple de Chardin, qui ne voyait que l’avenir, quand je lui ai dit qu’il oubliait le péché originel m’a répondu : « Vous êtes trop pessimiste. »
Comment expliquer à ces gens qu’il n’y a pas une théologie de gauche?

Todos esses teólogos que querem estar na moda. Um deles, mais ou menos discípulo de Chardin, que só via o futuro, quando lhe disse que esquecia o pecado original, me respondeu: “Você é demasiado pessimista.”
Como explicar a essa gente que não existe uma teologia de esquerda?

§

« Celui qui cultive une vigne épuisée accuse le temps et fatigue le ciel de ses plaintes. Il ne voit pas que tout dépérit insensiblement, que tout ce qui vit, épuisé par la longue suite des ans, s’achemine au cercueil. » (De natura rerum).
Tous les passages « pessimistes » de Lucrèce me conviennent, là surtout où il a l’air de sentir la fatigue des choses, l’épuisement de la matière.
« Déjà la terre affaiblie, épuisée par l’âge, ne crée plus que de chétifs animaux, elle qui créa tant d’espèces et qui enfanta le corps puissant des grands fauves. »
Cette vision désolante finit par vous donner une sorte de courage : la vraie «grandeur» vient de l’abolition des dieux. Quand plus rien ne reste devant nous, ce qui survit, c’est nous-mêmes, et notre solitude.

“Aquele que cultiva uma vinha esgotada acusa o tempo e fatiga o céu com suas queixas. Não vê que tudo perece insensivelmente, que tudo o que vive, esgotado pela longa sequência dos anos, se encaminha para o túmulo.” (De rerum natura)
Todas as passagens “pessimistas” de Lucrécio me convêm, sobretudo aí onde ele tem ares de sentir a fadiga das coisas, o esgotamento da matéria.
“A terra enfraquecida, esgotada pela idade, já não cria senão animais mirrados, ela que criara tantas espécies e alimentara os corpos das grandes feras.”
Esta visão desoladora termina por vos dar uma espécie de coragem: a verdadeira “grandeza” vem da abolução dos deuses. Quando nada mais resta diante de nós, o que sobrevive somos nós mesmos, e nossa solidão.

§

Schopenhauer remarque que la France, la nation la plus légère, a produit Rancé, le fondateur de l’ordre le plus sévère de tous; il aurait pu ajouter que l’Italie, le pays le plus frivole et le plus vide, a produit Leopardi, le poète le plus pessimiste qui ait jamais existé.

Schopenhauer observa que a França, a nação mais ligeira, produziu Rancé, o fundador da ordem mais rigorosa de todas; ele poderia ter acrescentado que a Itália, o país mais frívolo e mais vazio, produziu Leopardi, o poeta mais pessimista que já existiu.

§

L’Allemand peut être pessimiste mais non sceptique. Le scepticisme exige un raffinement dont il n’est pas capable.

O alemão pode ser pessimista, mas não cético. O ceticismo exige um refinamento de que ele não é capaz.

§

Ce ne sont pas les pessimistes, ce sont les déçus qui écrivent bien.

Não são os pessimistas, são os decepcionados que escrevem bem.

§

Le pessimiste est l’homme le moins équipé pour supporter un malheur. C’est qu’il a trop réfléchi sur le malheur même, et qu’il y a perdu cette force native, ces réserves de vitalité qui permettent d’affronter le terrible enfin incarné.

O pessimista é o homem menos equipado para suportar um infortúnio. É que ele refletiu demasiadamente sobre o infortúnio mesmo, e perdeu essa força nativa, essas reservas de vitalidade que permitem afrontar o terrível enfim encarnado.

§

Le bouddhisme n’est pas « pessimiste ». Le bouddhisme, c’est la sérénité consécutive à une liquidation générale … , la béatitude de la non-possession.

O budismo não é “pessimista”. O budismo é a serenidade consecutiva a uma liquidação geral…, a beatitude da desposessão.

§

Tout pessimiste est un humoriste.

Todo pessimista é um humorista.

§

Rien n’est à la fois plus convaincant et plus exaspérant que le pessimisme. Quand je lis un livre noir, j’y adhère tant que je le lis; dès que j’ai cessé de le lire, je m’en veux de l’avoir approuvé, je m’en détourne et cherche par tous les moyens à en ruiner les thèses. Cela m’arrive à l’égard même (je dirais surtout) de mes propres productions, sombres à souhait. Après chacune d’elles, je ressens une forte envie de la nier, elle et tout ce que j’ai fait; mais je n’y parviens pas, je ne peux répudier mon Lebensgefühl, ni en adopter un autre, puisque celui que j’ai se confond avec la quasi-totalité de mes expériences, avec mon existence même. ll m’est impossible d’en changer ou de lui préférer un autre.

Nada é ao mesmo tempo tão convincente e tão exasperante quanto o pessimismo. Quando leio um livro obscuro, adiro a ele enquanto dura a leitura; a partir do momento que termina a leitura, arrependo-me de tê-lo aprovado, me desvio dele e tento de todas as maneiras arruinar suas teses. Isto me ocorre inclusive (ou sobretudo) a propósito dos meus escritos, sombrios a bel-prazer. Após cada um deles, sinto uma enormoe vontade de negá-lo, ele e tudo mais que faço; mas não chego a fazê-lo, pois não posso repudar meu Lebensgefühl [sentimento da vida], nem adotar um outro, uma vez que este meu sentimento se confunde com a quase totalidade das minhas experiências, com minha existência mesma. Me é impossível mudá-lo ou preferi-lo a um outro.

§

Les faibles, les malades, les grabataires qui osent proposer un nouveau credo à l’humanité: Nietzsche, le plus lamentable et le plus espérant de tous.
Il est passé du pessimisme au délire; et c’est pourquoi il a eu tant de disciples, la plupart grotesques.

Os débeis, os doentes, os frágeis que ousam propor um novo credo à humanidade: Nietzsche, o mais lamentável e o mais esperançoso de todos.
Passou do pessimismo ao delírio; eis porque teve tantos discípulos, a maioria grotescos.

§

Ce qu’on appelle « pessimisme » n’est rien d’autre que l’« art de vivre » , l’art de goûter la saveur amère de tout ce qui est.

O que se chama de “pessimismo” não é senão a “arte de viver”, a arte de saborear o gosto amargo de tudo que é.

§

Schopenhauer est « notre philosophe national ». C’est lui qui a exercé, de tous les philosophes étrangers, la plus grande influence chez nous. Qu’il y ait un « pessimisme » roumain, je n’en ai jamais douté.

Schopenhauer é nosso “filósofo nacional”. É ele quem exerceu, de todos os filósofos estrangeiros, a maior influência sobre nós. Que haja um “pessimismo” romeno, não tenho dúvidas.

§

Le pessimisme — une maladie de famille. Tous les miens en ont souffert. Mon frère en est au même point que moi. Mon père, un anxieux caractérisé, redoutant tout, honnête incroyablement, modeste et sans envergure; — ma mère, ambitieuse, cabotine, gaie et amère suivant le moment, active, obstinée, d’une rare vanité, et extrêmement capable, d’un tour d’esprit bien plus fin que mon père, au fond ravagée intérieurement et déçue. J’ai hérité de presque tous ses défauts, et de quelques-unes de ses qualités, mais je n’ai rien de son énergie ni de son acharnement. A côté d’elle, je ne suis qu’un velléitaire, qu’un aspirant, qu’une promesse (à soixante ans!).

O pessimismo — uma doença de família. Todos os meus sofreram dela. Meu irmão está no mesmo ponto que eu. Meu pai, um ansioso típico, com medo de tudo, incrivelmente honesto, modesto e sem envergadura; — minha mãe, ambiciosa, cabotina, jovial e amarga de acordo com o momento, ativa, obstinada, de uma vaidade rara, e extremamente capaz, de um espírito bem mais findo que meu pai, no fundo devastada interiormente, e decepcionada. Herdei quase todos seus defeitos e algumas de suas qualidades, mas não tenho nada de sua energia, nem do seu ardor. Ao lado dela, não passou de um veleidoso, um aspirante, uma promessa (aos sessenta anos!)

CIORAN, E.M., Cahiers : 1957-1972. Paris : Gallimard, 1997.

Publicado por:Portal E.M.Cioran/Br

Deixe aqui suas impressões, comentários e/ou críticas. Deja aquí sus impresiones, comentarios y/o críticas. Leave your impressions, comments and/or critiques here. Laissez ici vos impressions, commentaires et/ou critiques. Lăsați-vă impresiile, comentariile și sau recenziile aici. Lascia qui le sue impressioni, commenti e/o recensioni.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s