Alemanha

O romantismo alemão ou o tempo em que os alemães conheciam a genialidade do suicídio… (Amurgul Gândurilor)

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Se os franceses sobrecarregaram de excessiva claridade a nostalgia, se  lhe subtraíram certos prestígios íntimos e perigosos, a Sehnsucht, ao contrário, esgota o que há de insolúvel nos conflitos da alma alemã, dilacerada entre a Heimat e o Infinito.
Como poderia encontrar um apaziguamento? De um lado, a vontade de estar mergulhado na indivisão do coração e da terra; do outro, a de absorver sempre o espaço em um desejo insaciável. E como a extensão não oferece limites, e com ela cresce a tendência para novas vadiagens, a meta retrocede à medida que se avança. Daí, o gosto exótico, a paixão pelas viagens, o deleite pela paisagem enquanto paisagem, a falta de forma interior, a profundidade tortuosa, simultaneamente sedutora e repugnante. Não há solução para a tensão entre a Heimat e o Infinito: é estar enraizado e desenraizado ao mesmo tempo, não ter podido encontrar um compromisso entre o lar e o longínquo. O imperialismo, constante funesta em sua última essência, não é a tradução política e vulgarmente concreta da Sensucht? (Breviário de Decomposição)

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O romantismo inglês foi uma mistura feliz de láudano, exílio e tuberculose; o romantismo alemão, de álcool, província e suicídio. (Silogismos da Amargura)

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A capacidade de resistir dos alemães não tem limites; e isto até na loucura: Nietzsche suportou a sua 11 anos, Hölderlin quarenta. (Silogismos da Amargura)

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Lutero, prefiguração do homem moderno, assumiu todos os tipos de desequilíbrio: um Pascal e um Hitler coabitavam nele. (Silogismos da Amargura)

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Encontramos Sutileza:
nos ociosos — nos mundanos, nas raças indolentes, em todos aqueles que se alimentam de palavras. A conversação, mãe da sutileza… Por haver sido insensíveis a ela, os alemães foram engolidos pela metafísica. Pela contrário, os povos faladores, os antigos gregos ou os franceses, peritos nos encantos do espírito, sobressaíram na técnica das ninharias […] (Silogismos da Amargura)

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Escutem os alemães e os espanhóis explicar-se: farão ressoar em seus ouvidos sempre a mesma cantilena: trágico, trágico… É sua maneira de fazer-nos compreender suas calamidades ou suas estagnações, sua forma de triunfar…
Virem-se para os Balcãs; ouvirão constantemente: destino, destino… Os povos demasiado próximos de suas origens dissimulam assim suas tristezas inoperantes. É a discrição dos trogloditas. (Silogismos da Amargura)

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Poderemos meridionalizar os povos profundos? O futuro da Europa depende da resposta a esta questão. Se os alemães se puserem a trabalhar como antes, o Ocidente está perdido; da mesma forma se os russos não reencontrarem o seu velho amor pela preguiça. Seria preciso desenvolver em ambos os povos o gosto da indolência, da apatia e da sesta, fazer-lhes entrever as delícias da inércia e da inconstância.
… A menos que nos resignemos às soluções que a Prússia ou a Sibéria infligiriam a nosso diletantismo. (Silogismos da Amargura)

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A aspiração do Norte a outro céu engendrou a música alemã — geometria de outonos, álcool de conceitos, embriaguez metafísica.
À Itália do século passado — feira de sons — faltou a dimensão da noite, a arte de espremer as sombras para extrair a sua essência.
É preciso escolher entre Brahms e o Sol. (Silogismos da Amargura)

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O drama da Alemanha é não ter tido um Montaigne. Que sorte tem a França de ter começado com um cético! (Le Mauvais Demiurge)

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Só um povo faz uma revolução. Os alemães nunca reeditaram a façanha da Reforma, ou, melhor dizendo, reeditaram-na sem igualá-la. A França permaneceu sempre tributária do ano de 1789. Isto é certo também para a Rússia e para todos os países. Essa tendência a plagiar a si mesmos em matéria de revoluções é ao mesmo tempo reconfortante e abrumadora. (De l’inconvenient d’être né)

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Os alemães não se dão conta de que é ridículo considerar da mesma manera um Pascal e um Heidegger. A diferença é imensa entre um Schicksal e um Beruf, entre um destino e uma profissão. (Aveux et Anathèmes)

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Um jovem alemão me pede um franco na rua. Converso com ele e me conta que percorreu meio mundo e que esteve na Índia, país do qual admira os mendigos, os quais se jacta de imitar. No entanto, não se pertence impunemente a uma nação didática. Observei-o pedir: parecia ter recebido cursos de mendicância. (Aveux et Anathèmes)

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