A Grande Dor: Amor Fati (Nietzsche)

1. Freqüentemente me perguntei se não tenho um débito mais profundo com os anos mais difíceis de minha vida do que com outros quaisquer. Minha natureza íntima me ensina que tudo necessário, visto do alto e no sentido de uma grande economia, é também vantajoso em si — deve-se não apenas suportá-lo, deve-se amá-lo… Amor…

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“Made, not born” (Adrienne Mayor)

WHO FIRST IMAGINED the concepts of robots, automata, human enhancements, and Artificial Intelligence? Historians tend to trace the idea of the automaton back to the medieval craftsmen who developed self-moving machines. But if we cast our nets back even further, more than two thousand years ago in fact, we will find a remarkable set of…

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“Há poetas gnósticos?” (Claudio Willer)

Revista Terceira Margem – Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura da UFRJ, vol. 19, no. 31, 2015 Resumo: O presente ensaio retoma o que já escrevi sobre gnosticismo e poesia, e sobre poetas gnósticos. Examina o trânsito entre doutrinas aparentemente opostas, a gnose pessimista e aquela otimista do Corpus Hermeticum. Reconhece que há mais poetas gnósticos;…

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“As escrituras gnósticas e as origens cristãs” (Elisa Rodrigues)

Revista Caminhando, v. 11, n. 1 [17], p.19-30, 2010 [2ª ed. on-line 2010; 1ª ed. 2006] RESUMO: O artigo introduz nas características básicas de escritas gnósticas e interpreta a intenção dos seus autores não como oposição radical a tradição judaica e cristã, mas como re-leitura das suas escritas fundantes na base do conhecimento a partir…

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Aeon Byte Gnostic Radio: “Defeating the Archons”, with Jay Weidner & Laurence Galian

What exactly are the Archons? Are they rebellious angels? Extraterrestrial invaders or alien mind parasites? We present a special show on the Powers and Principalities with two brilliant thinkers. Just as important as understanding the reality of the Archons, we gain the insights and tools to overthrow their tyrannical yoke on humanity and a dying…

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“A interpretação analógica das relações entre niilismo gnóstico e niilismo existencialista segundo Hans Jonas” (Jelson R. de Oliveira)

SÍNTESE – Revista de Filosofia, vol. 41, no. 129 (2014), pps. 101-127. Resumo: Pretende-se examinar as principais teses da análise hermenêutica realizada por Hans Jonas sobre o movimento gnóstico antigo, bem como estudar as principais formulações analógicas que lhe permitem afirmar que o dualismo está na base da formulação das ideais gnósticas, e que ele…

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Despre lucruri: sobre “coisas” e “lucros”

“Coisas”, em romeno, se diz lucruri (pl.), de lucru (sing.), “coisa”: Tot ceea ce există (în afară de ființe) și care este conceput ca o unitate de sine stătătoare; obiect. Lucru în sine = noțiune a filozofiei lui Kant desemnând realitatea obiectivă, existentă independent de cunoașterea noastră, care, deși percepută sub formă de reprezentare, nu poate…

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“Cioran, antípoda de Aristóteles” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

ARISTÓTELES, Tomás de Aquino, Hegel – três escravizadores do espírito. A pior forma de despotismo é o sistema, em filosofia e em tudo. (Do inconveniente de ter nascido) § Beckett, a propósito do Démiurge, me escreve: “Em vossas ruínas, eu me sinto ao abrigo.” (Cahiers) § Não existe filosofia criadora. A filosofia não cria nada. Quero dizer que ela…

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Elogio do politeísmo (E.M. Cioran)

O politeísmo corresponde melhor à diversidade das nossas tendências e dos nossos impulsos, aos quais oferece a possibilidade de se exercerem, de se manifestarem, cada qual livre para pender, segundo sua natureza, ao deus que mais lhe convém no momento. Mas, que fazer com um só deus? Como encará-lo, como utilizá-lo? Com ele presente, vive-se…

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Café filósofico: “A morte como instante de vida” (Scarlett Marton)

Por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que esse acontecimento banal provoca ao mesmo tempo horror e curiosidade? Os antigos diziam que a filosofia era uma longa meditação sobre a morte; os modernos quiseram afastá-la de suas preocupações; nós, contemporâneos, procuramos bani-la de nosso mundo. Mas a morte se…

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“Compasso e descompasso em Heráclito” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Deste logos sendo sempre os homens se tornam descompassados quer antes de ouvir quer tão logo tenham ouvido; pois, tornando-se todas as coisas segundo esse logos, a inexperientes se assemelham embora experimentando-se em palavras e ações tais quais eu discorro segundo (a) natureza distinguindo cada (coisa) e explicando como se comporta. Aos outros homens escapa…

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“Como a política é uma questão de logos [2]” (Barbara Cassin)

Na República de Platão, em que política e ética se imbricam, submetidas à mesma idéia do Bem, a homonoia determinará uma das quatro virtudes características da alma do indivíduo bem como dessa alma ampliada que é a cidade: ela se definirá como sentido da hierarquia (IV, 432 a) e, com a justiça, virtude da estrutura,…

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“Elogio da mosca” (Luciano de Samósata)

(n.t.), ano viii, vol. 1, junho/2017 O TEXTO: Os estudiosos da obra de Luciano e do movimento retórico- filosófico do qual ele participara, a Segunda Sofística, costumam classificar o Elogio da Mosca como um elogio paradoxal. Trata-se de um desafio retórico (havia concursos voltados a esse tipo de texto) cujo intuito é pegar um objeto…

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“Descartes, Bayle y el escepticismo académico. A propósito de una objeción de Cicerón” (Fernando Bahr)

Ingenium. Revista Electrónica de Pensamiento Moderno y Metodología en Historia de las Ideas, Universidad Complutense de Madrid, España, 2016 Resumen ¿Podría un dios hacer aparecer como verdaderas cosas que son falsas? Esta pregunta que Cicerón formula en las Cuestiones académicas y en el contexto de su objeción al concepto estoico de sabiduría, adquiere una fuerza impensada en…

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“É preciso ser cético” (Marcio Tavares D’Amaral)

O Globo, 26/12/2015 Duvidando de todos os sins, eles têm certeza de todos os nãos Céticos são os que duvidam de tudo. Não acreditam em promessas, juras de amor, boas intenções. Olham de banda a própria realidade, que corre sob seus narizes: é falsa. Política? É lama. Políticos? Bandidos. E, evidentemente, não lhes venham com…

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História do ceticismo (Bertrand Russell)

Tímon passou os últimos anos de sua longa vida em Atenas, onde morreu no ano de 235 a.C. Com sua morte, a escola de Pirro teve fim enquanto escola, mas, por mais estranho que possa parecer, suas doutrinas foram adotadas — com algumas alterações — pela Academia, representante da tradição platônica. O homem que realizou…

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“A habilidade de Sócrates” (E.M. Cioran)

Se tivesse dado precisões acerca da natureza do seu demónio, teria estragado uma boa parte da sua glória. A prudência da sua precaução criou a seu respeito uma curiosidade que inclui antigos e modernos; permitiu, além disso, aos historiadores da filosofia insistirem num caso que se mostra inteiramente estranho às suas preocupações. Trata-se de um…

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“Acerca do budismo, Cioran e filosofia ocidental” (Paulo Borges)

CV – Em que medida um melhor conhecimento da filosofia oriental contribui para a transformação da reflexão filosófica da tradição ocidental? No seu caso, como é que o budismo influenciou o estilo de filosofia que pratica? PB – Conhecer as filosofias orientais – muito diversas entre si – é indispensável para conhecer melhor a própria…

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“Como a política é uma questão de logos” (Barbara Cassin)

O paradoxo começa a se explicar quando aceitamos regredir, para aquém de nossas antíteses modernas (democracia/conservadorismo, revolução/reação), à própria constituição da polis que marca o “milagre grego” do século V. Polis, logos, sofística: o caráter eminentemente político da sofística é, antes de tudo, um questão de logos, termo em que o grego liga, como se…

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Sobre los gnósticos (Arthur Schopenhauer)

La filosofía cabalista y la gnóstica, en cuyos autores, en cuanto judíos y cristianos, es de antemano seguro el monoteísmo, son intentos de suprimir la manifiesta contradicción que se da entre la creación del mundo por un ser omnipotente, sumamente bueno y omnisciente, y la condición lamentable y deficiente de ese mismo mundo. Por eso…

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“Um -ismo ocioso: a crítica de Michael Allen Williams ao conceito de gnosticismo” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em Rethinking Gnosticism: An Argument for Dismantling a Dubious Category [Repensando o Gnosticismo: Um Argumento para Desmantelar uma Categoria Duvidosa] (1999), Michael Allen Williams argumenta que o termo “gnosticismo” se tornou, no discurso moderno, “um rótulo tão proteiforme que perdeu qualquer sentido confiável e identificável pelo grande público leitor”.[i] Mais ou menos como “niilismo”: de…

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“Tudo mais é literatura” (Barbara Cassin)

Atualmente, só se pode ser incompleto e alusivo; no melhor dos casos, programático. Com o triunfo da retórica sofística, entramos, de fato, em literatura. Como escrever fora dos dois grandes gêneros patenteados – quando não se é nem poeta nem filósofo? Uma inventividade exuberante e lábil se desdobra em mais de dois séculos, nessa Antigüidade…

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“Niilismo, existencialismo e gnosticismo: a hermenêutica existencial de Franco Volpi” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A obra de Heidegger, leitor de Nietzsche, apresenta um paradoxo que é o mesmo de boa parte do pensamento contemporâneo: “Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro, o convite a uma visão inspirada, senão mesmo ao misticismo.”[i] Daí, segundo Volpi, em face dos escritos…

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“Platonici o caporali” (Vincenzo Nuzzo)

Succede Oggi, maggio 2017 La realtà precipita, la possibilità di capirla si assottiglia continuamente: non possiamo non dirci pessimisti. Ma l’etic|a fa la differenza tra un atteggiamento gnostico o platonico La filosofia non è affatto uno scherzo, come invece si usava dire ai tempi del liceo («La filosofia è quella cosa con la quale o…

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Gnose e imaginação poética, por Harold Bloom

Desejo acentuar aqui, no início, minha própria convicção de que é infrutífero literalizar ou descartar a experiência espiritual — antiga, medieval ou contemporânea. Essa convicção é pragmática, e sigo William James no reconhecer as experiências religiosas importantes como autênticas diferenças: uma das outras e entre nós. Para muitos dos antigos, os fenômenos dos anjos, sonhos…

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“Insolência e imaginação” (Marília Fiorillo)

O santo ascético e o sábio desapaixonado não são seres humanos completos. Um pequeno número deles poderá enriquecer uma comunidade, mas um mundo composto de tais criaturas morreria de tédio. BERTRAND RUSSELL, Por que não sou cristão Desordenada, tumultuada, mítica, lírica, a dicção gnóstica é mais rica e conturbada que a canônica. Nela, tudo é…

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Aeon Byte Gnostic Radio: “The Egyptian Origins of Gnosticism” (Miguel Conner)

Any true ecstasy is dangerous. It resembles the last stage of initiation in the Egyptian mysteries when, instead of the ultimate knowledge, one is told, “Osiris is a black divinity.” The absolute remains unknowable. I see a form of madness, not of knowledge, in the ecstasy of life’s ultimate origins. You cannot experience it except…

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“O reverso de um jardim” (E.M. Cioran)

Quando o problema da felicidade suplanta o do conhecimento, a filosofia abandona o seu domínio próprio para se consagrar a uma actividade suspeita: interessa-se pelo homem… Atraem-na questões que até então não se dignara abordar, e tenta responder-lhes com o ar mais sério deste mundo. «Como não sofrer?» — é uma das questões que a…

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“O filósofo confrontado com a (i)mortalidade da alma Uma análise do Fédon de Platão à luz de Hans-Georg Gadamer” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A morte tem sido, desde os primórdios da filosofia, um tema de reflexão recorrente. Que significa morrer? Que podemos esperar da morte? Nada? Algo? O quê? Naturalmente, a morte implica incerteza, medo, angústia, muitas vezes tristeza e luto. Neste sentido, percebe-se como o problema da morte se articula com a vida e, entre ambas, com…

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