“Tristeza ativa” (E.M. Cioran)

“Deve ser algo herdado dos meus pais, que tinham temperamentos completamente opostos. Eu nunca pude escrever senão no abatimento [cafard] das noites de insônia, e durante sete anos mal pude dormir. Eu creio que se reconhece em cada escritor se os pensamentos que o ocupam são pensamentos diurnos ou noturnos. Tenho necessidade desse cafard e…

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“O criador paroxismo da ilusão – amor” (Juan Pablo Enos Santana Santos)

RESUMO: O filósofo e ensaísta Emil Cioran é constantemente lembrado pelo seu ceticismo, lucidez, desespero e pessimismo. No entanto, mostro nesta comunicação as diversas formas em que o amor, de carácter individual e criador, aparece em seus dois primeiros escritos de juventude. Neste momento, Cioran vê o amor como fonte vital de transfiguração. Em sua […]…

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Um canal do YouTube, jovens estudantes de física. Interessante em termos de divulgação/vulgarização científica, sobretudo de temas tão complexos como física quântica. Porém, como é regra no YouTube, onde todo mundo é guru, professor, influenciador ou agitador, um dos vídeos do canal me broxou: “Porque acupuntura não é ciência…” Oi? Vê-se que se foi longe […]

via Itinerarivm Mentis in Nihilvm

Com que ternura e com que inveja se voltam meus pensamentos para os monges do deserto e para os cínicos! Abjeção de dispor do menor objeto: esta mesa, esta cama, estas roupas… O traje interpõe-se entre nós e o nada. Olhe seu corpo em um espelho: compreenderá que é mortal; passe seus dedos sobre as […]

via Breviário de Decomposição 7.0

O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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“Metaphysical Unease as a Result of Biological Disturbance” (Daniel Maidman)

Dude, you’re missing Joel-Peter Witkin… HuffPost, 02/24/2016 When I saw “Beautiful Beast,” at the New York Academy of Art, I hadn’t written anything about art for a while. I’ve been a bit out of circulation lately — my schedule has gotten to the point where I must often choose between painting and writing, and painting…

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“Sede escassos!” (E.M. Cioran)

TÍMIDO, desprovido de dinamismo, o bem é inapto a se comunicar; o mal, pelo contrário, apressado, quer se transmitir e o consegue, já que possui o duplo privilégio de ser fascinante e contagioso. Assim, vê-se mais facilmente se estender, descolar de si, um deus malvado que um deus bom. Esta incapacidade de permanecer em si…

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“Insomnia – A Cultural History” (Eluned Summers-Bremner)

CONTENTS Sleeplessness in the Ancient World Love, Labour, Anxiety The Sleep of Reason The Night of Empire Cities That Never Sleep Wired INTRODUCTION What is insomnia? Medical practitioners describe it as the habitual inability to fall asleep or remain asleep when one wishes or needs to do so. As such, it would seem to be…

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A Grande Dor: Amor Fati (Nietzsche)

1. Freqüentemente me perguntei se não tenho um débito mais profundo com os anos mais difíceis de minha vida do que com outros quaisquer. Minha natureza íntima me ensina que tudo necessário, visto do alto e no sentido de uma grande economia, é também vantajoso em si — deve-se não apenas suportá-lo, deve-se amá-lo… Amor…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 4] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A ideia do suicídio e a escritura filosófica como auto-análise Perguntam-me: “Você está trabalhando? – Sim, num artigo sobre o suicídio.” – Minha resposta tira das pessoas a vontade de saber mais.[1] Trata-se, por fim, do último desafio da lucidez: a permanência e a perseverança na vida quando esta é entendida como um “estado de…

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“A saúde da alma” (Friedrich Nietzsche)

A saúde da alma – A apreciada fórmula de medicina moral (cujo autor é Ariston de Quios), “A virtude é a saúde da alma” – deveria ser modificada, para se tornar utilizável, ao menos assim: ‘Sua virtude é a saúde de sua alma’. Pois não existe uma saúde em si, e todas as tentativas de…

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“Para que serve a filosofia?” (Gilles Deleuze)

“Diógenes objectou, quando louvaram um filósofo diante dele: O que ele tem de grandioso para mostrar, ele que se dedicou tanto tempo à filosofia sem nunca entristecer ninguém? Com efeito, seria preciso colocar como epitáfio sobre o túmulo da filosofia universitária: Ela não entristeceu ninguém.” Nietzsche, Schopenhauer como educador Afastei-me da filosofia no momento em…

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Sobre a doença (E.M. Cioran)

Um dia um doente decidiu nunca mais apertar a mão de uma pessoa sadia. Mas logo descobriu que muitos dos que julgava com saúde não estavam no fundo incólumes. Por que então fazer inimigos baseado em suspeitas apressadas? Evidentemente, ele era mais razoável do que os outros, e tinha mais escrúpulos do que os de…

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“O Sr H. G. Wells e os gigantes” (G. K. Chesterton)

O erro de toda essa discussão médica está exatamente no fato de associar a ideia de saúde com a de cuidado. Qual a relação entre saúde e cuidado? Saúde tem relação com a falta de cuidado. Em casos especiais e anormais é necessário ter cuidado. Quando estamos particularmente doentes pode ser necessário tomar cuidados para…

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“As vantagens da debilidade” (E.M. Cioran)

O indivíduo que não ultrapassa sua qualidade de belo exemplar, de modelo acabado, e cuja existência confunde-se com seu destino vital, coloca-se fora do espírito. A masculinidade ideal – obstáculo à percepção das nuanças – comporta uma insensibilidade em relação ao sobrenatural cotidiano, de onde a arte extrai sua substância. Quanto mais natureza se é,…

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“O comércio dos místicos” (E.M. Cioran)

Nada mais irritante do que essas obras que apresentam bem ordenadas as ideias densas de um espírito que se preocupou com tudo excepto com o sistema. De que serve dar uma aparência de coerência às de Nietzsche, a pretexto de que se movem em torno de um motivo central? Nietzsche é uma soma de atitudes,…

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“As virtudes metafísicas do cansaço” (Cioran)

“Pour oublier des chagrins et se détourner des obsessions funèbres il n’y a rien de tel que le travail manuel. Je m’y suis adonné pendant quelques mois, en bricoleur, avec le plus grand profit. Il faut fatiguer le corps afin que l’esprit n’ait plus d’où tirer de l’énergie pour s’exercer, divaguer ou approfondir.” [Para esquecer…

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“Em honra da loucura” (E.M. Cioran)

“Better I were distract: So should my thoughts be sever’d from my griefs.” Exclamação que arranca de Gloster a loucura do rei Lear… Para separar-nos de nossos desgostos, nosso último recurso é o delírio; submetidos a seus desvios, não reencontramos mais nossas aflições: paralelos a nossas dores e à margem de nossas tristezas, divagamos em…

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“O religioso, questão de intensidade” (Emil Cioran)

O RELIGIOSO não é uma questão de conteúdo, mas de intensidade. Deus determina-se como momento de nossos frenesis, e o mundo que habitamos torna-se raramente objeto da sensibilidade religiosa, pelo fato de que pensar só é possível nos instantes neutros. Sem “febre”, não ultrapassamos o campo da percepção — o que equivale a dizer que…

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