“Ictiofídeos e liberais” (John Gray)

Em Da outra margem, coleção de ensaios e diálogos escrita por Alexander Herzen entre 1847 e 1851, o jornalista radical russo imagina um diálogo entre alguém que acredita na liberdade humana e um cético que julga os seres humanos por seu comportamento, e não pelos ideais professados. Para surpresa daquele que acredita, o cético cita…

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Existentialism, Gnosticism, Nihilism: Culianu on Cioran

Existentialism We will not insist on analyzing the relations between existentialism and Gnosticism established by Hans Jonas. I have already done this elsewhere, in detail (Gnosticismo, pp. 119 sq.). Gnosticism and existentialism resemble the phenomenology of the being-in-the-world, which is “pro-iectation” (Geworfenheit), abandonment, forgetfulness, inauthenticity. But while this condition forms, for the Gnostic, only the…

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“Onde nascem os mitos? Cioran responde” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Onde nascem os mitos? Eles “surgem do lugar mais corrompido que existe entre a terra e o céu, do lugar onde a loucura jaz na ternura, cloaca de utopias e vermineira de sonhos: nossa alma.” Um mito prospera num corpo social enfermo de insegurança e medo, desorientação e (desejada) ignorância; pode sobreviver durante longos períodos…

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“O tédio dos conquistadores” (E.M. Cioran)

PARIS PESAVA sobre Napoleão, segundo confissão do próprio, como um “manto de chumbo”: dez milhões de homens pereceram em consequência disso. É o balanço do “mal do século”, quando um René a cavalo torna-se seu agente. Esse mal, nascido na ociosidade dos salões do século XVIII, na languidez de uma aristocracia demasiado lúcida, fez estragos…

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“Jesus veio nos libertar das religiões?” (Juan Arias)

El País, 17 de dezembro 2019 Logo depois surgiu uma Igreja misógina que continua tristemente viva dois mil anos mais tarde e pela qual o revolucionário papa Francisco luta para devolvê-la o sopro de liberdade Pode parecer um paradoxo, mas existe um consenso entre o biblistas mais abertos de hoje em defender que o profeta…

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“Trickster” (Paul Radin)

Few myths have so wide a distribution as the one, known by the name of the Trickster, which we are presenting here. For few can we so confidently assert that they belong to the oldest expressions of mankind. Few other myths have persisted with their fundamental content unchanged. The Trickster myth is found in clearly…

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“O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A atitude gnóstica constitui, com efeito, a chave de uma obra representativa das tendências contraditórias deste século: niilismo, angelismo, revolta e fatalismo. Mais precisamente, ela nos fornece a resposta a esta questão que não falha em colocar-se a propósito de Cioran: como o niilismo é compatível com uma criação literária? O ato literário em si…

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“A mentira imanente” (E.M. Cioran)

VIVER significa: crer e esperar, mentir e mentir-se. Por isso a imagem mais verídica que já se criou do homem continua sendo a do Cavaleiro da Triste Figura, esse cavaleiro que se encontra mesmo no sábio mais realizado. O episódio penoso em torno da Cruz ou esse outro mais majestoso coroado pelo Nirvana participam da…

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O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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“Sede escassos!” (E.M. Cioran)

TÍMIDO, desprovido de dinamismo, o bem é inapto a se comunicar; o mal, pelo contrário, apressado, quer se transmitir e o consegue, já que possui o duplo privilégio de ser fascinante e contagioso. Assim, vê-se mais facilmente se estender, descolar de si, um deus malvado que um deus bom. Esta incapacidade de permanecer em si…

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“Os Anjos Reacionários” (E. M. Cioran)

É DIFÍCIL formular um juízo sobre a rebelião do menos filósofo dos anjos, sem misturar nele simpatia, assombro e reprovação. A injustiça governa o universo. Tudo o que se constrói, tudo o que se desfaz, leva a marca de uma fragilidade imunda, como se a matéria fosse o fruto de um escândalo no seio do…

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“Jacob’s struggle with the angel” (Alec Wilkinson)

THE NEW YORKER, June 15, 2015 The passage that recurs in my life is that of Jacob wrestling the angel. For many artists, it is a metaphor for the struggle to subdue one’s talent so that it collaborates with one’s ambitions to create.  I cannot separate the Bible from my father. In the middle of…

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“A fraqueza faz a força” (Contardo Calligaris)

Folha de S. Paulo, 4 de fevereiro de 2010 O ideal masculino hoje é o homem corroído ou, no mínimo, arranhado por demônios internos  NA SEMANA passada, escrevi sobre a dilacerante tristeza dos crepúsculos. Uma leitora, Júlia Hokama, perguntou-me, brincando: “Psicanalistas também sofrem de melancolia?”. Bom, em “Uma Mente Inquieta” (WMF Martins Fontes), Kay Redfield…

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Aeon Byte Gnostic Radio: “Dealing with Christian superstition” (Robert M. Price)

Superstition is more than just believing in fiction. It’s a dangerous incubator for cognitive dissonance, confirmation bias, and warped perceptual filters. Most of all, superstition cuts us off from experiencing the sublime and engaging in deep introspection. We deal with Christian superstition, from the notions of eternal damnation to the idea of a personal Jesus…

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Diálogos Lapunkt entre Lucian Boia y Cristian Pătrăşconiu: El juego con el pasado: historia y verdad (Universidad Tecnológica de Pereira, 2019)

La Universidad Tecnológica de Pereira (UTP) publicará el libro electrónico Diálogos Lapunkt entre Lucian Boia y Cristian Pătrăşconiu. El juego con el pasado: historia y verdad. Pereira: Editorial Universidad Tecnológica de Pereira. 2019. ISBN: 978-958-722-382-8.  La traducción del rumano al español, la introducción  y las notas son de autoría de Miguel Ángel Gómez Mendoza. de la Universidad…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 2] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Na primeira parte do livro, “Uma juventude entre desespero e fervor político”, Fiore perfaz o itinerário de formação do jovem Cioran na Romênia da década de 30, explorando a dualidade de uma juventude dividida entre o desespero existencial e o fervor político. Não se faz política nos cumes do desespero. Schimbarea la faţă a României…

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“Made, not born” (Adrienne Mayor)

WHO FIRST IMAGINED the concepts of robots, automata, human enhancements, and Artificial Intelligence? Historians tend to trace the idea of the automaton back to the medieval craftsmen who developed self-moving machines. But if we cast our nets back even further, more than two thousand years ago in fact, we will find a remarkable set of…

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“Há poetas gnósticos?” (Claudio Willer)

Revista Terceira Margem – Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura da UFRJ, vol. 19, no. 31, 2015 Resumo: O presente ensaio retoma o que já escrevi sobre gnosticismo e poesia, e sobre poetas gnósticos. Examina o trânsito entre doutrinas aparentemente opostas, a gnose pessimista e aquela otimista do Corpus Hermeticum. Reconhece que há mais poetas gnósticos;…

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A aventura humana, segundo Cioran

NÃO DRAMATIZEMOS. A humanidade conheceu angústias incrivelmente mais intensas do que as que nós sentimos hoje — pensemos nas pestes, na espera do fim do mundo, nas  invasões bárbaras. Sim, sem dúvida. Mas ela não tinha os meios de, ela mesma, precipitar “fim do mundo”. Os deuses podiam sempre intervir, e, de resto, era deles…

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“As escrituras gnósticas e as origens cristãs” (Elisa Rodrigues)

Revista Caminhando, v. 11, n. 1 [17], p.19-30, 2010 [2ª ed. on-line 2010; 1ª ed. 2006] RESUMO: O artigo introduz nas características básicas de escritas gnósticas e interpreta a intenção dos seus autores não como oposição radical a tradição judaica e cristã, mas como re-leitura das suas escritas fundantes na base do conhecimento a partir…

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Aeon Byte Gnostic Radio: “Defeating the Archons”, with Jay Weidner & Laurence Galian

What exactly are the Archons? Are they rebellious angels? Extraterrestrial invaders or alien mind parasites? We present a special show on the Powers and Principalities with two brilliant thinkers. Just as important as understanding the reality of the Archons, we gain the insights and tools to overthrow their tyrannical yoke on humanity and a dying…

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“A interpretação analógica das relações entre niilismo gnóstico e niilismo existencialista segundo Hans Jonas” (Jelson R. de Oliveira)

SÍNTESE – Revista de Filosofia, vol. 41, no. 129 (2014), pps. 101-127. Resumo: Pretende-se examinar as principais teses da análise hermenêutica realizada por Hans Jonas sobre o movimento gnóstico antigo, bem como estudar as principais formulações analógicas que lhe permitem afirmar que o dualismo está na base da formulação das ideais gnósticas, e que ele…

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Profetismo, apocalipticismo, gnosticismo (Harold Bloom)

O gnosticismo, então e agora, em minha opinião, se levanta como um protesto contra a fé apocalíptica, mesmo quando o faz dentro de uma dessas fés, como fez sucessivamente no judaísmo, cristianismo e Islã. A religião profética torna-se apocalíptica quando a profecia falha, e a religião apocalíptica torna-se gnóstica quando o apocalipse falha, como felizmente…

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“Hang the DJ” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Será que a inteligência artificial nos tornará uma espécie de Über-marionetes, como sugere John Gray em seu primoroso ensaio sobre a liberdade humana, A Alma da Marionete? Após a notícia de que uma prestigiada casa de leilões de Londres iria leiloar o primeiro quadro pintado por inteligência artificial, desta vez a notícia é de que…

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Elogio do politeísmo (E.M. Cioran)

O politeísmo corresponde melhor à diversidade das nossas tendências e dos nossos impulsos, aos quais oferece a possibilidade de se exercerem, de se manifestarem, cada qual livre para pender, segundo sua natureza, ao deus que mais lhe convém no momento. Mas, que fazer com um só deus? Como encará-lo, como utilizá-lo? Com ele presente, vive-se…

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“Visões de anjos” (Harold Bloom)

Os anjos são tudo, menos imagens efêmeras. A sequência histórica de religiões ocidentais — zoroastrismo, judaísmo, cristianismo, Islã — não soube contar a história de suas verdades sem intercessões angélicas, nem há grande tradição religiosa, oriental ou ocidental, que não dependa de anjos. A vida espiritual, expressa no culto ou na prece, na contemplação privada…

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“A liberdade da marionete” (John Gray)

Nos primeiros séculos de nossa era, os gnósticos se opunham aos cristãos. Foram aniquilados, mas podemos imaginar sua possível vitória. Jorge Luis Borges, “Uma defesa de Basilides, o Falso” Um fantoche pode parecer a própria encarnação da falta de liberdade. Seja movido por uma mão oculta ou puxado por cordéis, não tem vontade própria. Seus…

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“O visitante de um mundo abandonado pelo seu demiurgo: Sylvie Jaudeau e o gnosticismo ateu de Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

As nossas fontes gnósticas, por mais distantes que pareçam, não deixam de inspirar ainda a nossa literatura. Menos de uma maneira direta (poucos escritores de fato conhecem esse período da nossa história reservado aos eruditos) quanto de maneira inconsciente. Eu não falo de uma referência histórica, mas de uma impregnação da sensibilidade por toda uma…

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Gnose e imaginação poética, por Harold Bloom

Desejo acentuar aqui, no início, minha própria convicção de que é infrutífero literalizar ou descartar a experiência espiritual — antiga, medieval ou contemporânea. Essa convicção é pragmática, e sigo William James no reconhecer as experiências religiosas importantes como autênticas diferenças: uma das outras e entre nós. Para muitos dos antigos, os fenômenos dos anjos, sonhos…

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“Insolência e imaginação” (Marília Fiorillo)

O santo ascético e o sábio desapaixonado não são seres humanos completos. Um pequeno número deles poderá enriquecer uma comunidade, mas um mundo composto de tais criaturas morreria de tédio. BERTRAND RUSSELL, Por que não sou cristão Desordenada, tumultuada, mítica, lírica, a dicção gnóstica é mais rica e conturbada que a canônica. Nela, tudo é…

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