“Shestov, or the purity of despair” (Czeslaw Milosz)

From Emperor of the Earth: modes of eccentric thinking, University of California Press, Berkeley, 1977, pp. 99-119

There was once a young woman by the name of Sorana Gurian. She emigrated to Paris in the 1950s from her native Rumania after adventures about which, she felt, the less said the better. In Paris her life of poverty as a refugee did not particularly disturb her. In fact of the group of students, young writers, and artists among whom she lived she was the first to make her way; a good publisher, Juillard, accepted her first and second novels. Then, all of a sudden (how could it have happened if not all of a sudden?), she discovered that she had breast cancer. An operation followed, then another. Although cases of recovery are rare, they do occur; after the second operation, her doctors were optimistic. Whether Sorana had complete confidence in them I do not know. In any case, one battle was won. Being a writer she had to write about what concerned her most, and she wrote a book about her illness—a battle report on her fight against despair. That book, Le Récit d’un combat, was published by Juillard in 1956. Her respite, however, lasted only a year or two.

I met Sorana shortly before her death; through mutual friends she had expressed a wish to meet me. When I visited her in her small student hotel on the Left Bank, she was spending most of the day in bed with a fever. We talked about many things, including writers. She showed me the books on her night table; they were books by Shestov in French translation. She spoke of them with that reticent ardor we reserve for what is most precious to us. “Read Shestov, Milosz, read Shestov.” The name of Sorana Gurian will not be preserved in the chronicles of humanity. If I tell about her, it is because I cannot imagine a more proper introduction to a few reflections on Shestov.

Lev Shestov (pen name of Lev Isaakovich Schwarzman) was born in Kiev in 1866. Thus by the turn of the century he was already a mature man, the author of a doctoral dissertation in law, which failed to bring him the degree because it was considered too influenced by revolutionary Marxism, and of a book of literary criticism (on Shakespeare and his critic Brandes). His book Dobro v uchenii grafa Tolstogo i Nitsshe— filosofia i proponed’ (The Good in the Teaching of Count Tolstoy and Nietzshe: Philosophy and Preaching) was published in 1900. In the same year he formed a lifelong friendship with Nikolai Berdyaev, one that was warm in spite of basic disagreements that often ended in their shouting angrily at one another. His friendship with Berdyaev and Sergei Bulgakov places Shestov in the ranks of those Russian thinkers who, about 1900, came to discover a metaphysical enigma behind the social problems which had preoccupied them in their early youth. Shestov’s philosophy took shape in several books of essays and notes written before 1917. His collected works (1911) can be found in the larger American libraries. The fate of his writings in Russia after the revolution, and whether their meaning has been lost for new generations, is hard to assess. In any case Shestov expressed himself most fully, it seems to me, in his books published abroad after he left Russia in 1919 and settled in Paris, where he lived till his death in 1938. These are Vlast’ klyuchei: Potestas Clavium (The Power of the Keys), 1923 and Na vesakh Iova (In Job’s Balances), 1929; those volumes which first appeared in translation, Kierkegaard et la philosophie existentielle, 1938 (Russian edition, 1939), and Athènes et Jérusalem: un essai de philosophie religieuse, 1938 (Russian edition, 1951); lastly those posthumously published in book form, Tol’ko veroi: Sola Fide (By Faith Alone), 1966, and Umozreniïe i otkroveniïe: religioznaya filosofia Vladimira Solovyova i drugiïe stat’i (Speculation and Revelation: The Religious Philosophy of Vladimir Solovyov and Other Essays), 1964.

Shestov has been translated into many languages. Yet in his lifetime he never attained the fame surrounding the name of his friend Berdyaev. He remained a writer for the few, and if by disciples we mean those who “sit at the feet of the master,” he had only one, the French poet Benjamine Fondane, a Rumanian Jew later killed by the Nazis. But Shestov was an active force in European letters, and his influence reached deeper than one might surmise from the number of copies of his works sold. Though the quarrel about existentialism that raged in Paris after 1945 seems to us today somewhat stale, it had serious consequences. In The Myth of Sisyphus—a youthful and not very good book, but most typical of that period—Albert Camus considers Kierkegaard, Shestov, Heidegger, Jaspers, and Husserl to be the philosophers most important to the new “man of the absurd.” For the moment it is enough to say that though Shestov has often been compared with Kierkegaard he discovered the Danish author only late in his life, and that his close personal friendship with Husserl consisted of philosophical opposition—which did not prevent him from calling Husserl his second master after Dostoevsky… [+]

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“Aos foliões” (Caio Túlio Costa)

Publicado em Folha de S. Paulo, 19 de fevereiro de 1995

Uma das experiências mais reveladoras é a tentativa de pensar contra si mesmo. No limite, você vai se entender um pouco melhor. Quem sabe sentir-se mais confortável dentro de sua pele —mesmo continuando sem se entender.

Existe um poderoso pensador, nascido em 1911, romeno, radicado em Paris, preocupado em não fazer outra coisa do que pensar contra si próprio, perseguir o bom gosto espiritual, destruir a vulgaridade intelectual, desvendar a substância da existência sob as aparências do cotidiano medíocre —um Nietzsche do século 20. Cheguei a ele via Susan Sontag (ensaísta norte-americana fora de moda) e me deparei então com o verdadeiro aristocrata, o do espírito.

Seu nome é Emil Michel Cioran. Ficou conhecido só por Cioran. Vive dos caraminguás que lhe rendem seus livros e habita um pequeno apartamento em Paris. Deixou a Romênia no final dos anos 30 criando problemas para o pai, padre ortodoxo, porque revelou-se sem fé e reclamou, em livro, que há dois mil anos Jesus de Nazaré desconta em nós “o fato de não ter morrido num sofá”.

Cioran vive, pode-se dizer, miseravelmente. Sempre recusou-se a trabalhar de forma “normal”. Aceitaria, o disse, apenas trabalho físico, como o de varrer ruas. De toda forma, ganhou a vida escrevendo. Seu livro de maior sucesso, “Silogismos da Amargura”, editado em 1952 na França, foi descoberto depois e chegou ao Brasil só em 1991, quando seu êxito entre os fatigados da vida estava garantido. Em 1987 ele havia resolvido parar de escrever e se autodecretou em estado de silêncio. Rompeu a mudez algumas vezes para dar entrevistas e uma delas saiu no Mais! semana passada.

Pois sugiro que se leia e releia esta entrevista. Pode ser lida sem contra-indicação nos momentos de tédio, angústia ou euforia. Ninguém, atento, vai passar reto por uma conversa na qual se sintetiza toda uma vida dedicada à negação da mediocridade, do lugar-comum, das aparências enganadoras. Vida cética, principalmente em relação às formas de governo: “O drama do liberalismo e da democracia é que nos momentos mais graves eles estão perdidos”. Ou então em afirmação feita há muito tempo, em livro: “A aspiração de ‘salvar’ o mundo é um fenômeno mórbido da juventude de um povo”.

Mas, nesta entrevista, Cioran despeja com generosidade detalhes de uma vivência destinada à negação reveladora. O que se segue, sem aspas, enfeixa conceitos seus. O único mundo verdadeiro é o primitivo, onde tudo é possível e nada está atualizado. O segredo da vida está no sono. A insônia mostra que o sono, um breque no cotidiano, é que torna a vida possível. Ela só é suportável por causa da descontinuidade. Se alguém passar a noite toda acordado, quando chega a manhã não começa nada. Dorme-se menos para descansar do que para esquecer e quem levanta de manhã para começar um novo dia tem a ilusão de que alguma coisa começa. A vida só é suportável porque não se vai às últimas consequências. Quem não tem consciência do tempo não se entedia. Suporta-se a vida somente quando inexiste a consciência de cada momento que passa. A experiência do tédio é a consciência de tempo exasperada.

O excesso de lucidez, como se vê, torna a vida insuportável e a experiência da vida é o fracasso. Cioran conclui a entrevista dizendo que, talvez, no fundo, a vida seja isso: fazemos as coisas às quais aderimos sem acreditar.

Num outro recado sutil, dado lá nos anos 50, Cioran atirava: “Ser moderno é remendar no Incurável”.

Encuentro internacional Emil Cioran. Ponencias 2014 – 2015 – 2016

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Autor: Herrera Alzate, M. Liliana

Editor: Universidad Tecnológica de Pereira

Fecha: 2017

Palabras clave: Cioran, Emil 1911-1995 – Crítica e interpretación, Filosofía francesa – Siglo XX, Nihilismo, Metafísica, Filosofía contemporánea

Resumen: Presentamos al público hispanoamericano el tercer volumen de las Memorias del Encuentro Internacional Emil Cioran, ponencias 2014, 2015, 2016. Este evento, que verá su X edición en octubre del 2017, se ha constituido en un proyecto cultural del Grupo de Investigación Filosofía y Escepticismo y de la Escuela de Filosofía de la Universidad Tecnológica de Pereira, para la ciudad y la región. Como tal, no se limita al pensamiento del escritor rumano-francés, sino que se ha abierto a temáticas relacionadas con la filosofía, la literatura, el arte, la historia y la sociología. Esto explica que el presente volumen esté compuesto de dos partes: la primera, Acerca de Cioran, contiene las ponencias que giraron en torno al pensador rumano; la segunda, Otros temas, comprende las reflexiones sobre las temáticas ya señaladas. Por tener un carácter incluyente, el Encuentro cuenta con dos propósitos: presentar a la comunidad académica cioraniana los trabajos que los investigadores están llevando a cabo…

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“E.M Cioran: To Infinity And Beyond” (Stephen Mitchelmore)

Spike Magazine, November 1, 1997

Stephen Mitchelmore explains why the writing of E.M. Cioran refuses explanation

“Nothing is more irritating than those works which ‘co-ordinate’ the luxuriant products of a mind that has focused on just about everything except a system.”

What is there to know about Emile Cioran? He was born in Romania, in 1911, the son of a Greek Orthodox priest. In adolescence, he lost his childhood in the country and was moved to the city. He also lost his religion. For years he didn’t sleep – until he took up cycling. He passed sleepless nights wandering the dodgy streets of an obscure Romanian city. In 1937 he moved to Paris and wrote, producing what are generally classified as ‘aphorisms’, collected together under such titles as The Temptation To Exist, A Short History Of Decay and The Trouble With Being Born. He knew Samuel Beckett, who eventually lost sympathy with his pessimism. Late in life he gave up writing, not wanting to “slander the universe” anymore, and died a few years later after an encounter with an over-excited dog.
I hope none of this helps… [+]

Dissertação: “O pessimismo de Cioran e Céline: o desafio de pensar sem utopia”

Dissertação de mestrado de Fernando Santarosa de Oliveira. Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), agosto de 2016. Orientação: Anderson Bastos Martins.

cioranceline

RESUMO: O filósofo romeno Emil Cioran (1911 – 1995) dedicou grande parte de sua obra à crítica dos ideais utópicos que guiaram o pensamento de seu tempo. Seu pessimismo foi a pedra de toque dessa crítica. Louis Ferdinand Céline (1894 – 1961), escritor francês conhecido por sua relação direta com o nazismo e por sua escrita revolucionária, em seu primeiro livro, Viagem ao fim da noite, escreveu sobre a queda de grande parte desses mesmos ideais, a partir de uma visão tão pessimista quanto a do filósofo romeno. É nesse contexto que surge o interesse desse trabalho. O objetivo é pensar a obra de Céline a partir do pessimismo de Cioran e, ainda, como esse pessimismo encontra eco nas teorias pós-modernas, funcionando ora como um princípio dessa forma de pensamento, ora como consequência do mesmo.
Palavras-chave: Cioran, Céline, pessimismo, utopia, pós-modernidade.

ABSTRACT: The Romanian philosopher Emil Cioran (1911-1995) devoted much of his work to criticize the utopic ideals, which were guide to the thought at his time. His pessimism was the touchstone of such criticism. Louis Ferdinand Céline (1894 – 1961), a French writer known for his straight relation to Nazism, and for his revolutionary writing, in his first book, Journey to the End of the Night, he wrote about the fall of great part of those ideals, from a view as pessimist as the Romanian philosopher’s. This is the context that raises the interest of this paper. The aims is to analyse Céline’s work from Cioran’s pessimism, and, in addition, how this pessimism finds echo in the post-modern theories, working either as the principle of that way of thinking, or as a consequence of it.
Key-words: Cioran, Céline, pessimism, utopia, post-modernity.

INTRODUÇÃO

Nos primeiros momentos que deram origem a este trabalho, a ideia de uma dissertação sobre distopia parecia ser a melhor opção para responder ao desafio de pensar sem utopia. Para tal intento, escritores como George Orwell e Aldous Huxley seriam opções mais óbvias. Mas a ideia principal aparece com as leituras de Emil Cioran e de autores de filosofia mais aclamados, como Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer, também eles opções óbvias. Mas foi com Louis Ferdinand Céline e seu livro Viagem ao fim da noite (2009) que surgiu verdadeiramente a possibilidade de responder ao desafio. Louis Ferdinand Céline (1894-1961) e Emil Cioran (1911-1995) parecem complementares, até mesmo indissociáveis em alguns momentos, como se falassem, tanto à literatura quanto à filosofia, da necessidade de pensar a condição humana a partir de um pensamento não utópico, sem, no entanto, delimitar um horizonte necessariamente distópico… [+]

“Regreso a Cioran”, por Fernando Savater

El País, Madrid, 11 mayo 2014

A menudo, cuando deambulo por el Barrio Latino buscando libros que probablemente no tendré tiempo de leer y sobre todo recuerdos, me encuentro casi sin querer recorriendo de nuevo la Rue de l’Odeon donde vivía Cioran. Era mi camino habitual hace más de dos décadas, el primero que tomaba en cuanto llegaba a París. Siempre con un punto de emoción, tímida y alegre, consciente de disfrutar de un privilegio inmerecido, por tanto vulnerable. Y que sabía cada vez más cercano a su fecha de caducidad…

Releo sólo de vez en cuando a Cioran, pero me acuerdo mucho de él: sus gestos cálidos y admonitorios, su forma de pasarse la mano por el pelo sublevado y teatral, las vacilaciones irónicas de su voz (cerraba los ojos al buscar la palabra exacta que luego eyaculaba feliz), su risa sin estruendo con la boca abierta, un poco asmática… Todo lo he revivido ahora con mayor intensidad al leer el libro de Gabriel Liiceanu, E. M. Cioran. Itinerarios de una vida (Ediciones del Subsuelo), ilustrado con una colección de fotografías verdaderamente espléndida que van desde la arrogancia de la juventud hasta sus últimos paseos en silla de ruedas en el hospital Broca donde murió. El relato biográfico de Liiceanu es generoso y perspicaz, como corresponde a tan buen conocedor no sólo de la obra sino también de la persona del autor, pero además tiene el inapreciable complemento de la última y extensa entrevista de Cioran (poco antes de su hundimiento mental definitivo) en la que repasa la trayectoria de sus obsesiones, así como otra a su perpetua compañera Simone Boué, cuya discreta elegancia algunos recordamos no menos que al propio Cioran.

Por lo que yo conocí, ahí está el contradictorio y entrañable pensador al menos para quien desee saber algo más de lo que sus obras dicen, que es lo que más cuenta. Un Cioran que se quiso descarnadamente lúcido pero que fue también (¿ante todo?) “ingenuo y sentimental”, como reza el título del libro de Vartic (Mira ediciones). Quizá este esencial Cioran, que George Steiner desdeña, es el que más inspiró a los jóvenes que nos acercamos a él, como yo mismo en el remoto Ensayo que le dediqué y ahora de nuevo a Alberto Domínguez, en su Cioran. Manual de antiayuda (Alrevés). Este manual es una lectura más refrescante que demoledora, un precipitado de reflexiones inteligentemente truculentas que afortunadamente no carece del oportuno humor que para mí siempre caracterizó al rumano, demasiado rumano, pero que además acude sin cesar a otras fuentes literarias que no solo lo complementan sino que también lo prolongan y diseminan en lo abierto. Es grato comprobar que aunque mi viejo y admirado amigo se quisiera un maestro de decepciones sigue siendo semillero de búsquedas, de vocaciones nuevas.

Cuenta Liiceanu que ya en su último internamiento, cuando apenas podía andar, Cioran desapareció un día de su habitación del hospital. Las enfermeras le buscaron por todas partes y finalmente le encontraron dentro del armario de su cuarto. Reveló que “estaba extenuado por haber estado paseándose horas enteras, en plena noche y en una ciudad desconocida”. Tal fue su última glosa autobiográfica, su reveladora despedida.

“Cioran e la dottrina Madhyamaka” (Giovanni Prove)

Euro-Synergies, 14 février 2013
Chi era Emil Cioran?
Spesso quando menziono questo scrittore sono molti quelli che subito storcono il naso, considerando il rumeno un semplice filosofo depresso e nichilista.
Errato, classica osservazione di chi ha capito poco della “filosofia” frammentaria di Emil Cioran.
Ciò che ha rappresentato questo grandissimo scrittore non può certamente ridursi alla figura dell’uomo sfortunato che disprezzava la vita in tutte le sue forme.
Ritengo Cioran un personaggio che fu follemente innamorato della vita, e mi vengono in mente delle parole che se lette attentamente dovrebbero già essere una risposta verso coloro i quali non riescono a guardare oltre le apparenze di una copertina triste o di un’ imprecazione in stati di malessere interiore.
“Il Buddha disse: “Che cos’è che si chiama senso primo della Coproduzione condizionata? Perché esiste quello, esiste questo … Condizionate dall’ignoranza compaiono i coefficienti karmici; condizionata dai coefficienti compare la coscienza; condizionati dalla coscienza compaiono nome e forma; condizionati da nome e forma compaiono i sei sensi; condizionati dai sei sensi compare il contatto; condizionata dal contatto compare la sensazione; condizionata dalla sensazione compare la “brama”; condizionata dalla brama compare l’attaccamento; condizionata dall’attaccamento compare l’esistenza; condizionata dall’esistenza compare la nascita; condizionate dalla nascita compaiono vecchiaia e morte, tristezza e sofferenza. È ciò che si chiama il grande aggregato intero dei dolori. È tale ciò che si chiama il senso primo della Coproduzione condizionata”
Spesso Cioran affermava di vivere contro l’evidenza e sottolineava come “la lucidità completa è il nulla…”
Ma cosa intendeva esattamente con questo nulla?
Concretamente la stessa identica assenza di cui parlano i mistici, con la differenza che lui raggiunto questo tipo di consapevolezza si fece venire emicranie lancinanti che si trascinò dietro per tutta la vita.
Non si può non notare (e non solamente in Cioran, ma in molteplici scrittori occidentali) come il concetto di “vuoto” sia percepito spesso in maniera totalmente differente tra occidente ed oriente.
Leggendo attentamente i Quaderni personali del rumeno, ho notato come lo stesso Cioran si rese conto di ciò nel momento in cui si accostò alla dottrina dello Śūnyatā.
Egli notò che anzichè una sensazione di mancanza come lui aveva sempre percepito, essi trovavano un senso di pienezza attraverso l’assenza.
Consideravano la vacuità uno strumento di salvezza, una via, una guarigione che toglieva qualsiasi proprietà all’essere.
Ciò che sin da giovanissimo (nella scrittura di Al Culmine Della Disperazione era poco più che vent’enne) fu per lui causa di vertigine e negatività lancinante, fu invece dall’altra parte del pianeta una sorta di avvio alla liberazione.
Citava frequentemente la scuola tardo buddista del Madhyamaka per la liberazione della mente e del cuore e stendeva elogi per Nagarjuna che a suo dire annientava ad uno ad uno tutti i filosofi esistenti creando una sorta di luce, di illuminazione.
Egli dedicò l’intera esistenza alla frantumazione dell’Io e lo fece attraverso l’atto dello scrivere, provò a liberarsi di ogni vincolo, a distaccarsi definitivamente da tutto per trionfare sul mondo e la tematica della trascendenza attraversò per intero tutte le sue opere.
Tra estenuanti privazioni, tra miseria e Dio alla ricerca dell’insondabile dissolutezza umana, egli raggiunse a modo suo un’ estasi al margine degli atti, senza riuscire però mai a liberarsi completamente dell’ego, rendendosi conto allo stesso tempo che egli da occidentale, tale forma di pensiero estremista, tale estasi vuota e senza contenuto, l’aveva chiamata erroneamente nichilismo.
Snobbato da tutti gli ambienti accademici (per fortuna), Cioran fu uno dei più grandi svisceratori occidentali dell’io umano.
“Non siamo realmente noi stessi, se non quando, mettendoci di fronte a noi stessi, non coincidiamo con niente, neppure con la nostra singolarità”.