“La prophétie du pire” (Sylvain David)

Fonte: Chapitre VI. La prophétie du pire – Presses de l’Université de Montréal DAVID, Sylvain, Cioran. Un héroïsme à rebours. Montréal: Presses Universitaires Montréal, 2006. L’homme, bien qu’il soit lui-même mortel, ne peut se représenter ni la fin de l’espace, ni la fin du temps, ni la fin de l’Histoire, ni la fin d’un peuple,…

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“O mundo tem de recomeçar” (Emil Cioran)

ALGUÉM terá de sair um dia sob o sol e gritar para seu esplendor e para as trevas dos homens: “O mundo tem de recomeçar, o mundo tem de recomeçar!” Será necessário encontrar um emissário de um mundo novo que assuma todos os riscos da grande nova, que se esgote gritando em todas as direções…

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“Não resistência à noite” (E.M. Cioran)

No começo, acreditamos avançar para a luz; depois, fatigados por uma marcha sem fim, deixamo-nos deslizar: a terra, cada vez menos firme, não nos suporta mais: abre-se. Em vão buscaríamos perseguir um trajeto para um fim ensolarado, as trevas se dilatam ao redor e dentro de nós. Nenhuma luz para iluminar-nos em nosso deslizamento: o…

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Existentialism, Gnosticism, Nihilism: Culianu on Cioran

Existentialism We will not insist on analyzing the relations between existentialism and Gnosticism established by Hans Jonas. I have already done this elsewhere, in detail (Gnosticismo, pp. 119 sq.). Gnosticism and existentialism resemble the phenomenology of the being-in-the-world, which is “pro-iectation” (Geworfenheit), abandonment, forgetfulness, inauthenticity. But while this condition forms, for the Gnostic, only the…

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Desespero, a maior vantagem humana: Kierkegaard & Cioran

“A superioridade do homem sobre o animal está pois em ser suscetível de desesperar. […] Assim há uma infinita vantagem em poder desesperar, e, contudo, o desespero não só é a pior das misérias, como a nossa perdição.” (Kierkegaard, O Desespero humano) * “Não existem argumentos para viver. Quem chegou ao limite ainda pode recorrer…

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O Diabo, filantropo funesto (E.M. Cioran)

PLANEJAR uma sociedade na qual, segundo uma etiqueta aterradora, nossos atos são catalogados e regulamentados, na qual, por uma caridade levada até a indecência, se preocupam com nossos pensamentos mais íntimos, é transportar os tormentos do inferno para a idade de ouro, ou criar, com a ajuda do diabo, uma instituição filantrópica. Solares, utópicos, harmônicos…

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“O tédio dos conquistadores” (E.M. Cioran)

PARIS PESAVA sobre Napoleão, segundo confissão do próprio, como um “manto de chumbo”: dez milhões de homens pereceram em consequência disso. É o balanço do “mal do século”, quando um René a cavalo torna-se seu agente. Esse mal, nascido na ociosidade dos salões do século XVIII, na languidez de uma aristocracia demasiado lúcida, fez estragos…

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L’avant-garde ? Ça depend (Cioran)

J’aime l’avant-garde, à condition qu’elle ne soit pas ennuyeuse. Elle l’est, le plus souvent. Est-ce que Nietzsche, est-ce que Pascal se réclamaient d’une avant-garde quelconque? Le pire est de vouloir être d’avant-garde. [Eu gosto do avant-garde, desde que não seja entediante. Ele o é, amiúde. Será que Nietzsche ou Pascal se reclamam de uma vanguarda…

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“Retrato do civilizado” (E.M. Cioran)

“Portrait du civilisé” é o segundo ensaio de La chute dans le temps (1964),o primeiro sendo “L’arbre de vie” [A árvore da vida], no qual Cioran apresenta a sua exegese pouco ortodoxa do mito do pecado original. O ensaio aqui traduzido dialoga tanto com o livro anterior, História e Utopia (1960), quanto com o seguinte…

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“Sobre a gênese da burrice” (Adorno & Horkheimer)

O SÍMBOLO DA INTELIGÊNCIA é a antena do caracol “com a visão tacteante”, graças à qual, a acreditar em Méfistófeles, ele é também capaz de cheirar. Diante de um obstáculo, a antena é imediatamente retirada para o abrigo protector do corpo, ela se identifica de novo com o todo e só muito hesitantemente ousará sair…

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Absurdo, Horror da História e a “Nulidade do Futuro” (E.M. Cioran)

Já que uma voz tão autorizada nos instruiu sobre a fragilidade da antiga idade de ouro e sobre a nulidade do futuro, somos obrigados a tirar as consequências disso e não nos deixar mais iludir pelas divagações de Hesíodo nem pelas de Prometeu, e menos ainda pelas sínteses delas que tentaram as utopias. A harmonia,…

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COMO IMAGINAR a vida dos outros, quando a sua própria mal parece concebível? Encontramos alguém, vemo-lo mergulhado em um mundo impenetrável e injustificável, em uma porção de convicções e desejos que se superpõem à realidade como um edifício mórbido. Tendo forjado para si um sistema de erros, sofre por motivos cuja nulidade aterroriza o espírito […]

via “Coalizão contra a morte” — Breviário de Decomposição 7.0 🇧🇷

A santidade: fruto supremo da enfermidade; quando se está saudável, parece monstruosa, ininteligível e malsã ao mais alto grau. Mas basta que esse hamletismo automático chamado Neurose reclame seus direitos para que os céus tomem forma e constituam a moldura da inquietude. Defende-se da santidade se tratando: ela provém de uma sujeira particular do corpo […]

via Breviário de Decomposição 7.0 🇧🇷

“Trickster” (Paul Radin)

Few myths have so wide a distribution as the one, known by the name of the Trickster, which we are presenting here. For few can we so confidently assert that they belong to the oldest expressions of mankind. Few other myths have persisted with their fundamental content unchanged. The Trickster myth is found in clearly…

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Sofrimento e transfiguração (Emil Cioran)

SÓ O SOFRIMENTO muda o homem. Todas as outras experiências e fenômenos não conseguem modificar essencialmente o temperamento de ninguém nem aprofundar certas disposições suas a ponto de transformá-las completamente. De quantas mulheres equilibradas não fez o sofrimento umas santas? Absolutamente todas as santas sofreram muito mais do que se pode imaginar. Sua transfiguração não…

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Com que ternura e com que inveja se voltam meus pensamentos para os monges do deserto e para os cínicos! Abjeção de dispor do menor objeto: esta mesa, esta cama, estas roupas… O traje interpõe-se entre nós e o nada. Olhe seu corpo em um espelho: compreenderá que é mortal; passe seus dedos sobre as […]

via Breviário de Decomposição 7.0

Ele abarca tudo, e tem êxito em tudo; não há nada de que não seja contemporâneo. Tanto vigor nos artifícios do intelecto, tanto desembaraço em abordar todos os setores do espírito e da moda – desde a metafísica até o cinema – deslumbra, deve deslumbrar. Nenhum problema lhe resiste, não há fenômeno que lhe seja […]

via Breviário de Decomposição 7.0

Tal como foi publicado pela editora Gallimard em 1949, o primeiro livro escrito em francês pelo romeno Emil Cioran, Breviário de Decomposição, tem por autor E.M. Cioran, como, de resto, os livros escritos em francês que se seguirão; hoje em dia, porém, após o sucesso de Exercícios de admiração, de 1986, lê-se em muitas das […]

via “Quem escreveu o Breviário de Decomposição?” (Nicolas Cavaillès) — Breviário de Decomposição 7.0

“O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A atitude gnóstica constitui, com efeito, a chave de uma obra representativa das tendências contraditórias deste século: niilismo, angelismo, revolta e fatalismo. Mais precisamente, ela nos fornece a resposta a esta questão que não falha em colocar-se a propósito de Cioran: como o niilismo é compatível com uma criação literária? O ato literário em si…

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Pensar-ser-o-que-se-é-pensa #2 (Emil Cioran)

N’a de conviction que celui qui n’a rien approfondi. (De l’inconvenient d’être né) Só possui convicções quem nada aprofundou. (Do inconveniente de ter nascido) Cine a gîndit mult veşnicia, moartea, viaţa, timpul şi suferinţa este imposibil să aibă un sentiment definit, o viziune precisă” şi o convingere determinată despre ele. Nu există un sentiment definit…

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Pensar-ser-o-que-se-é-pensa (Emil Cioran)

Nevoia de a dovedi o afirmaţie, de-a vîna argumente în dreapta şi-n stînga presupune o anemie a spiritului, o nesiguranţă a inteligenţei şi a persoanei în genere. Cînd un gînd te năpădeşte cu putere şi violenţă, el izvorăşte din substanţa existenţei tale; a-l dovedi, a-l împresura în argumente înseamnă a-l slăbi şi a te îndoi…

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“A mentira imanente” (E.M. Cioran)

VIVER significa: crer e esperar, mentir e mentir-se. Por isso a imagem mais verídica que já se criou do homem continua sendo a do Cavaleiro da Triste Figura, esse cavaleiro que se encontra mesmo no sábio mais realizado. O episódio penoso em torno da Cruz ou esse outro mais majestoso coroado pelo Nirvana participam da…

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O Não, Última Palavra? Elementos para a Possibilidade de Vencer o Pessimismo (Cioran)

REGRAS PARA VENCER O PESSIMISMO, MAS NÃO O SOFRIMENTO: acompanhar o mais delicado estremecimento da alma com uma tensão premeditada; estar lúcido na dissolução interior; vigiar a fascinação musical; estar triste com método; ler a Bíblia com interesse político e os poetas para testar a própria resistência. servir-se das nostalgias para os pensamentos ou fatos;…

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“Tired of waiting to make a profit online?” – The Mad Men & Us

When the solitude is intensified to the point of constituting not so much our datum as our sole faith, we cease to be integral with the whole: heretics of existence, we are banished from the community of the living, whose sole virtue is to wait, gasping, for something which is not death. CIORAN, A Short…

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Seleção de aforismos retirados de “Dictionnaire du parfait cynique“, obra compilada por Roland Jaccard e nunca publicada em português, numa tradução original. * AMIZADE – A amizade é um contrato mediante o qual nos comprometemos a prestar pequenos serviços afim de que nos prestem grandes. (Montesquieu) AMOR – O amor é a troca de duas […]

via Dicionário do perfeito cínico — Desaforisticamente

O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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E. M. Cioran. El origen de una fascinación (Mario Andrea Rigoni)

Culto/La Tercera, 10 Sep 2019 El autor, destacado escritor y profesor italiano, fue también traductor de la obra de Cioran al italiano, cultivando una larga amistad con el rumano devenido apátrida y documentada en el epistolario Mon cher ami, lettere a Mario Andrea Rigoni 1977-1990. Rigoni también ha escrito sobre él en las recopilaciones Cioran dans…

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“O veneno abstrato” (E.M. Cioran)

Um importante aforismo do Breviário de decomposição, no tocante ao que muda, na economia do pensamento de Cioran, conforme ele muda de idioma: do nativo, o romeno, ao francês, idioma estrangeiro para um estrangeiro. No fundo (ele mesmo o afirma), seu pensamento, suas “ideias” ou intuições originais (vide Nos cumes do desespero) nunca mudaram, permaneceram sempre os…

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“Desejo e Horror da Glória” avant la lettre (E.M. Cioran)

“Désir et horreur de la gloire” é um dos ensaios que compõem La chute dans le temps (1964), livro que sucede diretamente a História e utopia (1960) no qual este tema (tão “adâmico”) já se encontra enunciado e problematizado, antecipando o que virá a seguir. Trata-se da dualidade-contradição — inconciliável — entre o desejo e…

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“Sede escassos!” (E.M. Cioran)

TÍMIDO, desprovido de dinamismo, o bem é inapto a se comunicar; o mal, pelo contrário, apressado, quer se transmitir e o consegue, já que possui o duplo privilégio de ser fascinante e contagioso. Assim, vê-se mais facilmente se estender, descolar de si, um deus malvado que um deus bom. Esta incapacidade de permanecer em si…

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