Barsacq, S.

Éjaculations mystiques, de Stéphane Barsacq

Éditions du Seuil, Paris, 2011
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Cioran (1911-1995) deixa uma obra única pela riqueza de seu pensamento, por sua tentativa desesperada de reforçar a golpe de aforismos e de profecias o club sempre suspeito dos pessimistas. Doutor em falência, despossuído de seu país e de sua língua, Cioran – sujeito romeno que se tornou grande escritor francês – não escreveu, entretanto, páginas resultantes de uma experiência abstrata, mas de uma vida ardentemente dilacerada entre potência de sombra e pressentimento do divino.

Dessa luta contra si nasceu uma obra obscura, mas que irradia e consola; uma obra fecunda que, longe de ser um código da agonia ou um culto à infelicidade, emparelha a alegria e a dor. Uma obra que corresponde à definição de “ejaculações místicas” segundo Littré: “Preces curtas e ferventes a se pronunciar em qualquer ocasião passageira, como se elas se lançassem em direção ao céu.”

Tradução do francês: Rodrigo Menezes