Cavaillès, Nicolas

Le Corrupteur corrompu. Barbarie et méthode dans l’écriture de Cioran
de Nicolas Cavaillès

Paris: Éditions Le Manuscrit, 2005

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É pela perspectiva da crítica genética que se inscreve essa análise dos diferentes manuscritos do breve texto “O Corruptor”, contido no Breviário de Decomposição, de Cioran. Avançamos com o autor ao longo de quatro versões do capítulo em questão, seguindo a ordem cronológica de sua redação. A hipótese inicial é que trata-se, em Cioran, de uma escritura dilacerada a barbárie e o método, entre acaso e necessidade, entre jorro intuitivo e auto-crítica. A escritura de Cioran avança numa perpétua palinódia. Ela passa de um primeiro estágio de barbárie, em que ela procede por auto-engendramento num jorro textual intuitivo, a um segundo estágio metódico durante o qual Cioran faz uma bricolagem no seu texto, trabalhando nele as nuanças e sutilezas de vocabulário. A escritura cioraniana é também fragmentária, escritura da renúncia e do inacabamento aparente. ela procede por expolição (figura de estilo que consiste em repetir diversas vezes a mesma coisa ou o mesmo argumento, em termos equivalentes), segundo uma ars combinatoria, por variações e por seleção. Na hora da avaliação existencial, Cioran ultrapassa a autobiografia para elevar o personagem do Corruptor a um nível mítico, consagrando assim o ceticismo. Ao fim da análise, vemos que o dialogismo permite a Cioran conciliar suas tendências contraditórias, e manter o fragmentário sem hesitar, numa coincidentia oppositorum que dita a sua lei tanto à poética quanto à poiética cioraniana.

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