Schimbarea (1936)

Schimbarea la faţă a României (“Transfiguração da Romênia”, 1936)

“Transfiguração” é o livro maldito de Cioran, aquele que, se fosse possível voltar atrás, ele preferiria não ter escrito. “Transfiguração” revela, ao longo das suas páginas, os excessos de um jovem romeno indignado, humilhado pela condição marginal e subalterna e de seu país, e ao mesmo tempo inspirado a chacoalhá-lo de seu sono milenar, despertando-o para a história da qual nunca fizera parte ativamente.

Na sua ânsia por uma nova Romênia, “transfigurada”, Cioran defendeu o totalitarismo de direita, o irracionalismo coletivo e a conquista do poder à força – todo o contrário daquilo que viria a “defender” em sua obra francesa, pós-guerra. Marta Petreu, autora de um detalhado estudo sobre Transfiguração da Romênia e o envolvimento de Cioran com o movimento de extrema-direita romeno dos anos 30, a Guarda de Ferro, afirma que o autor do Précis de Décomposition é outro bem diferente daquele que escreveu Schimbarea la față a României:

“[Em sua fase francesa] Ele rejeitava as suas convicções de outrora, muito embora admitisse que já as tivera, alegando que elas não mais refletem as suas crenças. Ademais, o mais perturbador do Breviário de Decomposição é o fato de que Cioran condena e rejeita suas antigas crenças não em nome de novos ideais e convicções – já que de agora em diante ele não tinha mais nenhum -, mas em nome da ausência de todo e qualquer ideal. O Breviário de Decomposição é o livro de um autor que passou do completo engajamento ao niilismo dos grandes sofistas.” (An infamous past: E.M. Cioran and the rise of fascism in Romania)

Schimbarea la față a României é um texto de juventude (o terceiro livro publicado em romeno) que testemunha as convicções políticas extremistas de um jovem Cioran ávido de revolução. O livro só veio a tornar-se público para outros idiomas que não aquele em que foi originalmente redigido, o romeno (1936), na década de 90. Em 1991, Schimbarea foi traduzido e publicado na França, por Alain Paruit (“Transfiguration de la Roumanie”, Éditions de l’Herne).  Até então, o pouco que se conhecia a respeito eram passagens duvidosas de segunda-mão, além de análises igualmente duvidosas sobre o livro em questão e a sua relação com o contexto político em que apareceu, na Romênia dos anos 30.

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