“Carta a propósito de certos impasses” (E.M. Cioran)

VOCÊ CENSUROU muitas vezes em mim aquilo a que chama o meu “apetite de destruição”. Saiba, porém, que eu nada destruo: registo, registo o iminente, a sede de um mundo que se anula, e que, através da ruína das suas evidências, corre em direcção ao insólito e ao incomensurável, em direcção a um estilo espasmódico.…

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“Cioran: pensador-cantor com uma alma perdidamente musical” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Não se pode eludir a existência com explicações, só se pode suportá-la, amá-la ou odiá-la, adorá-la ou temê-la, nessa alternância de felicidade e de horror que exprime o ritmo mesmo do ser, suas oscilações, suas dissonâncias, suas veemências amargas ou alegres.” (Breviário de decomposição) “Sem o imperialismo do conceito, a música teria substituído a filosofia:…

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“Cioran, entre filosofia e poesia: ambivalência, hibridismo, temeridade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Já que tudo o que se concebeu e empreendeu dede Adão é ou suspeito ou perigoso ou inútil, que fazer? Dessolidarizar-se da espécie? Seria esquecer que nunca se é homem tanto como quando se lamenta sê-lo.” (La chute dans le temps) O “pecado original” de Cioran é ser demasiado filósofo, pensador. Corrijo-me: é não ser…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 4] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A ideia do suicídio e a escritura filosófica como auto-análise Perguntam-me: “Você está trabalhando? – Sim, num artigo sobre o suicídio.” – Minha resposta tira das pessoas a vontade de saber mais.[1] Trata-se, por fim, do último desafio da lucidez: a permanência e a perseverança na vida quando esta é entendida como um “estado de…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 1] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

FIORE, Vincenzo. Emil Cioran. La filosofia come de-fascinazione e la scrittura come terapia. Piazza Armerina/Enna: Nulla Die, 2018, 187 pp. A Itália é um dos países mais produtivos, atualmente, no que se refere à fortuna crítica cioraniana. Todo ano são publicados novos estudos, produções acadêmicas e editoriais, além de correspondências epistolares inéditas do próprio Cioran.[1]…

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O Irremediável, a Filosofia como “ingênua crença na hierarquia das perplexidades” e a Música como modelo do definitivo (Cioran)

O Irremediável Para me “documentar” sobre a morte, não ganho mais em consultar um tratado de biologia do que o catecismo: na medida em que ela me diz respeito, é-me indiferente que eu lhe esteja destinado em virtude do pecado original ou devido à desidratação das minhas células. Sem qualquer relação com o nosso nível…

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“A linguagem da ironia” (E.M. Cioran)

Por muito perto que estejamos do Paraíso, a ironia vem afastar-nos dele. “Inépcias”, diz-nos ela, “as vossas ideias de felicidade imemorial ou futura. Curai-vos das vossas nostalgias, da obsessão pueril do começo e do fim dos tempos. A eternidade, duração morta, só aos débeis interessa. Deixai vir o instante, deixai-o absorver os vossos sonhos.” Voltamos…

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“A habilidade de Sócrates” (E.M. Cioran)

Se tivesse dado precisões acerca da natureza do seu demónio, teria estragado uma boa parte da sua glória. A prudência da sua precaução criou a seu respeito uma curiosidade que inclui antigos e modernos; permitiu, além disso, aos historiadores da filosofia insistirem num caso que se mostra inteiramente estranho às suas preocupações. Trata-se de um…

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“Primeiro passo para a libertação” (E.M. Cioran)

Para fazermos uma experiência essencial, para nos emanciparmos das aparências, não é necessário, de maneira alguma, colocarmos a nós próprios grandes problemas; qualquer pessoa pode dissertar acerca de Deus ou exibir um verniz metafísico. As leituras, as conversas, a ociosidade asseguram-no. Nada mais banal do que um falso espírito inquieto; porque tudo se aprende, mesmo…

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“O reverso de um jardim” (E.M. Cioran)

Quando o problema da felicidade suplanta o do conhecimento, a filosofia abandona o seu domínio próprio para se consagrar a uma actividade suspeita: interessa-se pelo homem… Atraem-na questões que até então não se dignara abordar, e tenta responder-lhes com o ar mais sério deste mundo. «Como não sofrer?» — é uma das questões que a…

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“São Paulo” (E.M. Cioran)

Nunca o acusaremos o bastante por ter feito do cristianismo uma religião deselegante, por nele ter introduzido as tradições mais detestáveis do Antigo Testamento: a intolerância, a brutalidade, o provincianismo. Com que indiscrição interfere em coisas que não lhe dizem respeito, de que nada entende! As suas considerações sobre a virgindade, a abstinência e o…

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“O comércio dos místicos” (E.M. Cioran)

Nada mais irritante do que essas obras que apresentam bem ordenadas as ideias densas de um espírito que se preocupou com tudo excepto com o sistema. De que serve dar uma aparência de coerência às de Nietzsche, a pretexto de que se movem em torno de um motivo central? Nietzsche é uma soma de atitudes,…

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