“Albert Caraco, o filósofo do caos” (Ricardo Ernesto Rose)

Publicado em Debates Culturais РLiberdade de Ideias e Opini̵es, 07/03/2017

Eu nasci para mim mesmo entre 1946 e 1948, foi então que abri meus olhos para o mundo, até este momento era cego.” (Albert Caraco, pensador e escritor)

Albert-Caraco-o-filosofo-do-caos

As primeiras três décadas do século XX foram um período de grandes movimentos sociais, econômicos e culturais. Depois da guerra entre a Rússia e o Japão (1905), ocorreu uma série de eventos catastróficos que moldaram a história do século XX (e também do século XXI): a Primeira Grande Guerra (1914-1918), a Revolução Russa (1917), a quebra da bolsa de Nova York (1929); dando início a uma grave crise econômica que afetou o mundo por vários anos e contribuiu para a ascensão do nazismo (1933).

No campo da ciência, os avanços construíram a base da tecnologia eletrônica dos nossos tempos: a teoria Quântica, criada por Planck em 1900 e desenvolvida ao longo das primeiras décadas do século XX por outros cientistas; a teoria da Relatividade (1915) por Einstein e o Princípio da Indeterminação (1927) por Heisenberg.

Nas artes a criatividade também foi muito grande: Expressionismo, Fauvismo, Cubismo, Futurismo, Abstracionismo, Dadaísmo e Surrealismo, entre os principais movimentos. Compositores como Schoenberg e Stravinsky revolucionavam a música, enquanto que intelectuais como Husserl, Durkheim, Russel, Heidegger, Tönnies, Scheler, Wittgenstein, Weber, Simmel, Dewey, Pareto, Ortega y Gasset, Whitehead e Sartre, foram alguns dos pensadores que ditavam novos rumos na filosofia e sociologia.

Um mundo em ebulição. No meio de toda esta agitação cultural e social, ocorria a movimentação de milhões de pessoas das regiões rurais para as cidades. O velho ditado medieval alemão “Stadtluft macht frei nach Jahr und Tag” (O ar da cidade torna livre depois de ano e dia) concretizava-se para aqueles que ainda viviam no campo (as primeiras grande migrações para as cidades ocorreram na segunda metade do século XIX) e queriam participar da vida agitada das cidades. Ao mesmo tempo, grandes contingentes humanos, sem oportunidades nas cidades afetadas pela crise econômica, emigravam do continente europeu para as Américas, principalmente os Estados Unidos.

Foi nesse ambiente que nasceu Albert Caraco. Filho de José Caraco e Elisa Schwarz, judeus sefarditas, Albert veio ao mundo em Istambul, em 8 de julho de 1919. A família Caraco viajou muito pelo Europa, passando por Viena, Praga e Berlim, para se estabelecer em Paris. Foi lá que Albert se graduou na École des Hautes Études Commerciales (Escola de Altos Estudos Comerciais) em 1939. Pressentindo o perigo do nazismo se alastrando na Europa, José Caraco toma a família e deixa Paris em direção à América do Sul, passando por Honduras, Brasil (Rio de Janeiro) e Argentina, estabelecendo-se no Uruguai. Lá a família se converte ao catolicismo e passa a morar em Montevidéu… [+]

Anúncios

“Cioran e Caraco: la differenza fondamentale” (Fabrizio Li Vigni) [It]

Sitosophia – Intossicati di cultura

Nato a Costantinopoli nel 1919, Albert Caraco fu uno scrittore e filosofo francese di origini ebraiche. Durante l’infanzia cambiò più volte dimora, vivendo con la famiglia tra Vienna, Praga, Berlino e Parigi. In quest’ultima città studiò economia, prima di fuggire, all’approssimarsi della Seconda Guerra mondiale, in favore del Sud America. Lì si convertì al cattolicesimo, scelta di cui si pentì più tardi, e incoraggiato dai genitori, iniziò a pubblicare alcune poesie e dei racconti simbolisti. All’indomani dei trattati di pace, la famiglia Caraco si ristabilì nella capitale francese, dove con un regime di stampo monastico Albert si avviò a produrre una vasta opera, per lo più non tradotta in italiano, che con toni apocalittici e nichilisti si spendeva nel vituperio del mondo, dell’umanità e, in particolare, delle donne. Viene spesso accostato, per questa vena pessimista e per la prosa tagliente, a Cioran, del quale fu un estimatore non contraccambiato… [+]