O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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A grande tentação (Emil Cioran)

A perda da consciência de ser criatura: odiamos tudo o que é ser; deixamos de ser solidários com todas as criaturas junto às quais uma vez ornamentamos o paraíso. Quando odiamos os animais, odiamos a base de nossa vida. Queremos escapar totalmente da ordem das criaturas. Por que então, quando nos abandona a sensação de…

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A ética do sacríficio (Emil Cioran)

Rebentar com todo o ardor apaixonado de nossa alma, vencer toda a resistência e destruir todos os obstáculos que existem no caminho de nossa grande loucura. Estar orgulhosos de nossa absurda e infinita coragem e partir em meio a essa embriaguez de orgulho e de êxtase para os últimos cumes do ser, impulsionados pela sede…

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“Racionalismo e mística” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Mede-se a carência de sentido místico de um indivíduo pela necessidade que tem de argumentos para convencer a si mesmo e os demais da existência de Deus. Não apenas essa carência como também o grau de racionalismo. Não apenas os filósofos sofrem desse mal; inclusive os indivíduos religiosos, qualquer que seja a sua crença, o…

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“Nossa última perda, a Música” (Emil Cioran)

Só amam a música aqueles que sofrem por causa da vida. A paixão musical substitui todas as formas de vida que não foram vividas e compensa no plano da experiência íntima as satisfações encerradas no círculo dos valores vitais. Quando se sofre vivendo, a necessidade de um mundo novo, distinto do que vivemos habitualmente, nasce…

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Ceticismo e mística (Cioran)

Nada mais fácil do que desembaraçar-se da herança filosófica, pois as raízes da filosofia se detém em nossas incertezas, enquanto que as da santidade superam em profundidade o próprio sofrimento. A coragem suprema da filosofia é o ceticismo. Para além dele, não reconhece senão o caos. Um filósofo só pode evitar a mediocridade mediante o…

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As virtudes purgativas do sofrimento (Emil Cioran)

Só o sofrimento muda o homem. Todas as outras experiências e fenômenos não conseguem modificar essencialmente o temperamento de ninguém nem aprofundar certas disposições suas a ponto de transformá-las completamente. De quantas mulheres equilibradas não fez o sofrimento umas santas? Absolutamente todas as santas sofreram muito mais do que se pode imaginar. Sua transfiguração não…

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Escrita como terapêutica (Slavoj Žižek)

Hoje à noite (20h30 no horário de Brasília) acontecerá o tão esperado “debate do século” (sic), com transmissão ao vivo, entre o filósofo de esquerda esloveno Slavoj Žižek e o psicólogo canadense de direita Jordan Peterson. Numa entrevista ao jornal O Globo, Žižek fala de como a leitura e a escrita salvaram a sua vida…

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“Êxtase, não-saber e experiências interiores: um diálogo inaudito entre Cioran e Bataille” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Dedicado a Rose Cunha. Conhece-se um autor ou uma autora não apenas pela leitura da sua obra, também — indiretamente, por uma espécie de détour — pela maneira como ele ou ela se insere no seu contexto histórico e sócio-cultural, o qual pode ser delimitado de forma mais ou menos ampla (uma tribo, um país,…

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“Chestov e a exceção monoteísta, ou peixes morrem afogados” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Satã, anjo decaído transformado em demiurgo, encarregado da Criação, insurge-se contra Deus e revela-se, neste mundo, mais à vontade e até mais poderoso do que Ele; longe de ser um usurpador, é nosso mestre, soberano legítimo que sobrepujaria o Altíssimo se o universo estivesse reduzido ao homem. Tenhamos, pois, a coragem de reconhecer de quem…

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“Do desespero no qual queremos ser nós próprios, ou desespero-desafio”(Kierkegaard)

Começamos pela mais inferior das formas do desespero, no qual não queremos ser nós próprios. Mas aquele em que o queremos, de todos o mais condensado, é o desespero demoníaco. E não é sequer por estóico apego ou por self-idolatria que este eu quer ser ele próprio; não é, como no último caso, por uma…

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“As revelações da morte” (Chestov)

A Inmate Blogger DOSTOIEVSKY CUMPRIU A PENA; terminou, também, o serviço militar. Está em Tver, e depois em Petersburgo. Tudo quanto espera se realiza. Sobre ele estende-se a imensa cúpula celeste. É um homem livre, como aqueles cuja sorte invejara, quando acorrentado. Resta-lhe pôr em prática as promessas que a si próprio fez. Devemos acreditar…

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“Entusiasmo como forma de amor” (Emil Cioran)

O desespero: forma negativa do entusiasmo. CIORAN, O livro das ilusões Entusiasmo (do grego in + theos, literalmente ‘em Deus’), originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus. Atualmente, pode ser entendido como um estado de grande arrebatamento e alegria. Uma pessoa entusiasmada está disposta a enfrentar dificuldades e desafios, não se deixando abater e transmitindo confiança aos demais ao…

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“O desespero como necessidade e aprofundamento do drama de viver: Cioran e Kierkegaard em diálogo” (Elton Silva Salgado e Jorge Miranda de Almeida)

Revista Húmus, no. 9, set/out/nov/dez de 2013 Resumo: Este artigo aborda o desespero como uma das principais categorias da Filosofia da Existência e chave de leitura para a compreensão da ambiguidade da existência humana. Nesse contexto, ele é ativo, organizado, prático e em seu bojo pretendemos enveredar por uma concepção lúcida e radical da condição do…

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“Um grito de desespero: diálogo para uma filosofia da morte em Ivan Junqueira e Emil Cioran” (Rodrigo Michell dos Santos Araújo)

Estação Literária, Londrina, Volume 9, p. 81-94, jun. 2012ISSN 1983-1048 Resumo: Este artigo pretende estabelecer uma aproximação entre o pessimismo filosófico de Emil Cioran e a obra A sagração dos ossos (1994), de Ivan Junqueira. Busca-se investigar na obra do poeta um espaço propício para uma filosofia da morte e do morrer a partir da experiência…

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“O desespero em Kierkegaard e Cioran” (Elton Silva Salgado)

Anais da XIII Jornada Internacional de Estudos de Kierkegaard da SOBRESKI – Sociedade Brasileira de Estudos de Kierkegaard (05 a 08 de novembro de 2013) O desespero é bom quando é fonte de energia Fernando Pessoa INTRODUÇÃO O desespero aparece na maioria das formulações filosóficas, principalmente durante o século XIX, como sinônimo ou resultado da…

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“Emil Cioran: a deconstructive philosophy” (Angela Botez)

COGITO – Multidisciplinary Research Journal (Bucharest), vol. III, no. 4/december, 2011 Abstract: For Cioran, expressing (something, someone) is the same with a postponed ripost or an aggression left for lateron and his writing is a solution, not to act, to avoid a crisis. His indignation is not as much a moral outset, as it is a literary…

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