“Os Anjos Reacionários” (E. M. Cioran)

É DIFÍCIL formular um juízo sobre a rebelião do menos filósofo dos anjos, sem misturar nele simpatia, assombro e reprovação. A injustiça governa o universo. Tudo o que se constrói, tudo o que se desfaz, leva a marca de uma fragilidade imunda, como se a matéria fosse o fruto de um escândalo no seio do…

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A grande tentação (Emil Cioran)

A perda da consciência de ser criatura: odiamos tudo o que é ser; deixamos de ser solidários com todas as criaturas junto às quais uma vez ornamentamos o paraíso. Quando odiamos os animais, odiamos a base de nossa vida. Queremos escapar totalmente da ordem das criaturas. Por que então, quando nos abandona a sensação de…

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“Virando as costas ao tempo” (E.M. Cioran)

Ontem, hoje, amanhã: categorias para uso de criados. Para o ocioso suntuosamente instalado no Desconsolo, e ao qual todo instante aflige, passado, presente e futuro são somente aparências variáveis do mesmo mal, idêntico em sua substância, inexorável em sua insinuação e monótono em sua persistência. E esse mal possui a mesma extensão do ser, é…

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“Inconsistência humana” (Emil Cioran)

Experimentei, em grande silêncio e em grande solidão, no meio da natureza, longe da humanidade e perto de mim, uma sensação de interminável tumulto, em que o mundo, como uma torrente irresistível, me atropelou, me atravessou como um fluido transparente e imperceptível. Ao fechar os olhos, o mundo inteiro parece ter-se fundido no meu cérebro,…

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“Sobre un poema de Eminescu” (Emil Cioran)

In: Ejercicios de admiración (1989) En los accesos de desesperación, el único recurso saludable es una desesperación aún mayor. Dado que ningún consuelo es eficaz, uno debe aferrarse a un vértigo que rivalice con el que se tiene, que lo supere incluso. La superioridad que posee la negación sobre cualquier forma de fe se manifiesta…

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“Indivíduo e cultura” (Emil Cioran)

“Quase ninguém mais fala de sua própria experiência, de suas penas e de suas angústias pessoais, todo mundo fala das complicações de uma cultura que não lhes fornece um sentido preciso nem uma fórmula de equilíbrio.” Cioran, “Indivíduo e cultura” (1932) Este texto, escrito por um jovem Cioran aos 21 anos de idade, e publicado…

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“Do exílio metafísico: existência, escritura e destino em Cioran” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

 Resumo: Formado em Filosofia pela Universidade de Bucareste, em 1932, Emil  Cioran (1911-1995) é um pensador e escritor romeno  radicado na França, onde, vivendo em Paris, abandonaria seu idioma materno, adotando o francês como língua de expressão. Como outros autores do século XX, ele é um exemplar notável de dois fenômenos tipicamente modernos, amiúde concomitantes: a…

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Entrevista com Renzo Rubinelli: andanças, encontros, escrituras e a recepção de Cioran na Itália

Busco fazer uma exegese do pensamento de Cioran que evidencia como o tempo está na raiz de toda a sua reflexão. Para Cioran, Tempo é Destino. A maldição de nossa existência é a de sermos “encarcerados” na linearidade do tempo, que procede de um paradisíaco passado pré-temporal em direção a um destino de morte e decomposição. Trata-se de…

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“The concept of tragic in Romanian philosophy: D.D. Rosca, G. Liiceanu, E. Cioran” (Gabriel Furmuzachi)

Far from being a deep study of the concept of tragic as approached by the Romanian philosophers, the present essay tries only to reveal three main perspectives of tragic within the Romanian culture. D.D.Rosca, G.Liiceanu and E.Cioran talk and write about the tragic, yet each in his own way, following a specific situation. European philosophy…

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