“Eugène Ionesco: o útil é um peso inútil” (Nuccio Ordine)

E, ao contrário, para uma humanidade que perdeu o sentido da vida, Eugène Ionesco dedica reflexões extraordinárias, hoje mais atuais do que nunca. Numa conferência proferida em fevereiro de 1961, diante de outros escritores, o grande dramaturgo reafirma em que grau a insubstituível inutilidade é necessária: Observem o ritmo alucinado das pessoas pelas ruas. Não…

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Fanatismo e animosidade, ceticismo e urbanidade (Emil Cioran)

Só existe humanidade no clima benévolo e compreensivo das dúvidas. Envolvendo a alma e o mundo numa doce inanição interminável, elas nos defendem da brutalidade dos credos e da intolerância inerente a qualquer delírio. É verdade que o fanatismo é o motor da história, mas o ritmo que impõe aos acontecimentos e aos homens se…

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Em defesa da arte “degenerada” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran teve uma breve experiência como professor de filosofia, na segunda metade da década de 1930, na cidade de Brasov. Ele conta a anedota da ocasião em que, chegando à sala de aula, perguntou à classe: “Por que razão não devemos dizer fenômenos psicológicos, mas fenômenos psíquicos?” Um aluno respondeu: “Um fenômeno psíquico é instintivo,…

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“Onde nascem os mitos? Cioran responde” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Onde nascem os mitos? Eles “surgem do lugar mais corrompido que existe entre a terra e o céu, do lugar onde a loucura jaz na ternura, cloaca de utopias e vermineira de sonhos: nossa alma.” Um mito prospera num corpo social enfermo de insegurança e medo, desorientação e (desejada) ignorância; pode sobreviver durante longos períodos…

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“O Real Resiste” (Arnaldo Antunes)

Quando Mircea Eliade publicou o romance Senhorita Cristina, na Romênia, foi duramente criticado pela velha geração conservadora. O que mereceu uma resposta de Cioran, que saiu em defesa do amigo, escrevendo um artigo de título: “O crime dos velhacos”. Arnaldo Antunes acaba de lançar uma música, “O Real resiste”, censurada pela TV Brasil. Uma música…

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“Abominável Clio: a filosofia da história de Emil Cioran” (Gregory Augusto Carvalho Costa)

Trabalho de conclusão de curso para o Bacharelado em Filosofia, UFABC, São Bernardo do Campo, 2019. Orientador: Paulo Jonas Lima Piva Resumo: Este trabalho tem como objetivo principal tratar da reflexão sobre a história desenvolvida pelo pensador romeno Emil Cioran (1911-1995). Radicado na França desde os anos 40, Cioran viveu e pensou intensamente os extremismos…

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“Breviário de Decomposição: livro perigoso e essencial” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Por que reunir-se em torno do Précis de décomposition – e celebrá-lo? Alguns diriam que não há nada aí a ser celebrado, muito pelo contrário. Cioran: pró e contra… Qual a importância do Breviário de decomposição, conforme o temos, desde 1989, primorosamente traduzido ao português pelo professor José Thomaz Brum? Qual sua importância hoje, para […]…

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De Maistre, Baudelaire, and Original Sin: between Tyranny and Heresy as Radical Liberty (Joseph Acquisto)

“Freedom is the supreme good only for those animated by the will to heresy.“ Cioran, Syllogismes de l’amertume * The high stakes of any modern or contemporary discussion of original sin immediately become apparent: quickly divorced from questions of belief, original sin becomes the base of a political theology that veers toward tyranny. The authoritarian conclusions fall back, however,…

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“Exegese da decadência” (E.M. Cioran)

O aforismo “Exegese da decadência” retoma — sob uma outra luz, pelo filtro de um novo idioma e da forma mentis peculiar que ele modela — a temática e a problemática de um importante texto periodístico de juventude do autor romeno do Breviário de decomposição: trata-se de Nihilism şi natura [Niilismo e natureza], publicado originalmente na revista…

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“Defesa da corrupção” como resposta ao purismo do Livro das Ilusões (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Não apenas o Breviário, concebido como um todo, é um livro profundamente autorreferencial, uma longa retratação e uma palinódia, os exercícios negativos de um ex-legionário, de um ex-fanático, como também, dentro dele, há inúmeros aforismos em que essa intencionalidade autocrítica é mais sensível: a começar por “Genealogia do fanatismo” e “O Antiprofeta”, entre outros. Por…

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Intervista con Vincenzo Fiore: su filosofia auto-sperimentale, anti-fanatismo e «l’infernale sincerità» di Cioran

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 9, settembre 2019, anno I «In un’epoca dove il fanatismo sembra essere tornato alla ribalta a livello mondiale, il pensatore romeno è un antidoto che ci rende immuni». (Vincenzo Fiore) A partire da questa premessa, pubblichiamo un’intervista con Vincenzo Fiore che affronta la filosofia auto-sperimentale, l’anti-fanatismo e «l’infernale sincerità» di Cioran. Vincenzo…

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Diálogos Lapunkt entre Lucian Boia y Cristian Pătrăşconiu: El juego con el pasado: historia y verdad (Universidad Tecnológica de Pereira, 2019)

La Universidad Tecnológica de Pereira (UTP) publicará el libro electrónico Diálogos Lapunkt entre Lucian Boia y Cristian Pătrăşconiu. El juego con el pasado: historia y verdad. Pereira: Editorial Universidad Tecnológica de Pereira. 2019. ISBN: 978-958-722-382-8.  La traducción del rumano al español, la introducción  y las notas son de autoría de Miguel Ángel Gómez Mendoza. de la Universidad…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 2] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Na primeira parte do livro, “Uma juventude entre desespero e fervor político”, Fiore perfaz o itinerário de formação do jovem Cioran na Romênia da década de 30, explorando a dualidade de uma juventude dividida entre o desespero existencial e o fervor político. Não se faz política nos cumes do desespero. Schimbarea la faţă a României…

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Ceticismo, fragmento e lucidez: “Emil Cioran. A Filosofia como Desfascinação e a Escritura como Terapia”, de Vincenzo Fiore [pt. 1] (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

FIORE, Vincenzo. Emil Cioran. La filosofia come de-fascinazione e la scrittura come terapia. Piazza Armerina/Enna: Nulla Die, 2018, 187 pp. A Itália é um dos países mais produtivos, atualmente, no que se refere à fortuna crítica cioraniana. Todo ano são publicados novos estudos, produções acadêmicas e editoriais, além de correspondências epistolares inéditas do próprio Cioran.[1]…

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“Aquele que diz sim, aquele que diz não: religiosidade e heresia” (Marília Fiorillo)

Revista Estudos de Sociologia, v. 18, n. 34 (2013 RESUMO: Imaginação e religião entronizada são antitéticas. O dogma, cerne das grandes religiões monoteístas, nada mais é que uma diligente e metódica rejeição à curiosidade, autonomia e inventividade. É nesta relação assimétrica entre aquele que ignora, teme e suplica, e o Outro que tudo sabe e…

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Profetismo, apocalipticismo, gnosticismo (Harold Bloom)

O gnosticismo, então e agora, em minha opinião, se levanta como um protesto contra a fé apocalíptica, mesmo quando o faz dentro de uma dessas fés, como fez sucessivamente no judaísmo, cristianismo e Islã. A religião profética torna-se apocalíptica quando a profecia falha, e a religião apocalíptica torna-se gnóstica quando o apocalipse falha, como felizmente…

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Sobre Revelação e Revolução, religiões utópicas e utopias políticas (E.M. Cioran)

Muitas vezes o reacionário é apenas um sábio habilidoso, um sábio interesseiro que, explorando politicamente as grandes verdades metafísicas, vasculha sem fraqueza nem piedade os segredos do fenômeno humano, para revelar seu horror. Um aproveitador do terrível, cujo pensamento — coagulado pelo cálculo ou pelo excesso de lucidez — minimiza ou calunia o tempo. Mais…

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Elogio do politeísmo (E.M. Cioran)

O politeísmo corresponde melhor à diversidade das nossas tendências e dos nossos impulsos, aos quais oferece a possibilidade de se exercerem, de se manifestarem, cada qual livre para pender, segundo sua natureza, ao deus que mais lhe convém no momento. Mas, que fazer com um só deus? Como encará-lo, como utilizá-lo? Com ele presente, vive-se…

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“Ecumenismo da desilusão” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Todos são bem-vindos, independente de ideologia política, orientação sexual, consciência de classe, tipo sanguíneo, religião, time de futebol (sou corinthianista). De fato, Cioran é um autor que agrada “gregos” e “troianos”, mas que também é do tipo ame ou odeie. Não é necessário ser algoritmo para saber a religião de uma pessoa baseado em suas…

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História do ceticismo (Bertrand Russell)

Tímon passou os últimos anos de sua longa vida em Atenas, onde morreu no ano de 235 a.C. Com sua morte, a escola de Pirro teve fim enquanto escola, mas, por mais estranho que possa parecer, suas doutrinas foram adotadas — com algumas alterações — pela Academia, representante da tradição platônica. O homem que realizou…

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“Cioran não ficou imune aos equívocos políticos, o pecado original dos filósofos” (José Thomaz Brum)

O Globo, 20 de janeiro de 1996 A filosofia de Cioran não constitui uma arquitetura abstrata de conceitos ideais. Meditação fundamentalmente impura, deriva de um estado de espírito, de uma obsessão mais do que se uma ideia a priori. Filósofo que parte dos afetos, das “misérias do eu”, Cioran conheceu, em sua reflexão errática, momentos…

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Sobre a doença (E.M. Cioran)

Um dia um doente decidiu nunca mais apertar a mão de uma pessoa sadia. Mas logo descobriu que muitos dos que julgava com saúde não estavam no fundo incólumes. Por que então fazer inimigos baseado em suspeitas apressadas? Evidentemente, ele era mais razoável do que os outros, e tinha mais escrúpulos do que os de…

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“Os malefícios da coragem e do medo” (E.M. Cioran)

Ter medo é pensar continuamente em si mesmo e não poder imaginar um curso objetivo das coisas. A sensação do terrível, a sensação de que tudo acontece contra nós, supõe um mundo concebido sem perigos indiferentes. O medroso – vítima de uma subjetividade exagerada – julga-se, muito mais do que o resto dos humanos, o…

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“No tempo dos grandes mamíferos fósseis” (Welington Andrade)

Revista Cult, 7 de maio de 2016 “Quando sinto que vou vomitar um coelhinho, enfio dois dedos na boca como um alicate aberto e espero até sentir na garganta a penugem morna que sobe como uma efervescência de sal de frutas. Tudo é veloz e higiênico, transcorre num instante brevíssimo”. Julio Cortázar, Carta a uma…

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“Escola dos tiranos [2]” (E.M. Cioran)

Os chefes de uma seita não recuam diante de nada, pois mesmo seus escrúpulos fazem parte de sua tática. Mas mesmo sem mencionar as seitas – caso-limite –, querer simplesmente instituir uma ordem religiosa vale mais, no nível da ambição, do que governar uma cidade ou assegurar conquistas por meio das armas. Insinuar-se nos espíritos,…

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“Ante el fanatismo religioso, más democracia” (Iván Petrella)

LA NACIÓN, 10 de enero 2015 En Breviario de podredumbre, el gran ensayista rumano Emil Cioran escribió -más bien drásticamente- que la “capacidad de adorar” es la responsable de todos los crímenes del ser humano: “El que ama indebidamente a un dios obliga a los otros a amarlo, en espera de exterminarlos si rehúsan”. Para…

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“Os pobres de espírito” (E.M. Cioran)

OBSERVE COM QUE ENTONAÇÃO um homem pronuncia a palavra “verdade”, a inflexão de segurança ou de reserva que põe nela, o aspecto de credulidade ou dúvida, e ficará instruído sobre a natureza de suas opiniões e a qualidade de seu espírito. Não há vocábulo mais vazio; todavia, os homens fazem dele um ídolo e convertem…

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“Política apocalíptica” (John Gray)

“Um novo céu e uma nova terra: pois o primeiro céu e a primeira terra se foram”, lemos no Apocalipse. Eliminem o “céu”, mantendo apenas a “nova terra”, e terão o segredo e a receita de todos os sistemas utópicos. E.M. Cioran AS RAÍZES RELIGIOSAS dos modernos movimentos revolucionários foram primeiro analisadas sistematicamente no seminal…

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“Genealogia do fanatismo” (E.M. Cioran)

EM SI MESMA, toda ideia é neutra ou deveria sê-lo; mas o homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está consumada… Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas. Idólatras por instinto,…

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“O místico sem fé: Cioran for dummies” (Rafael Guedes)

Cansado de ler tantas besteiras sobre o filósofo, apresento um pequeno manual introdutório ao seu pensamento. Revista Amálgama, 11/03/2018 Quando se trata de abordar a obra do filósofo franco-romeno Emil Cioran (1911-1995), muitos críticos renunciam a todo o cuidado de que normalmente se valem para julgar o trabalho de autores com quem dividem simpatias políticas,…

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