“Os Anjos Reacionários” (E. M. Cioran)

É DIFÍCIL formular um juízo sobre a rebelião do menos filósofo dos anjos, sem misturar nele simpatia, assombro e reprovação. A injustiça governa o universo. Tudo o que se constrói, tudo o que se desfaz, leva a marca de uma fragilidade imunda, como se a matéria fosse o fruto de um escândalo no seio do…

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“Exegese da decadência” (E.M. Cioran)

O aforismo “Exegese da decadência” retoma — sob uma outra luz, pelo filtro de um novo idioma e da forma mentis peculiar que ele modela — a temática e a problemática de um importante texto periodístico de juventude do autor romeno do Breviário de decomposição: trata-se de Nihilism şi natura [Niilismo e natureza], publicado originalmente na revista…

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Kierkegaard, precursor do “Antifilósofo” cioraniano (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O prefácio de O Desespero Humano (1849) é bastante elucidativo da problemática existencial — e religiosa — colocada pelo pensamento kierkegaardiano, e também da sua divisa intelectual existencial-religiosa em oposição ao “totalitarismo” racionalista do Espírito absoluto hegeliano. “O professor, o mestre de estudos, o estudante e enfim o filósofo, amador ou formado não ficam na…

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Zeflemea, derrisão balcânica

O dicionário romeno Dex define assim o substantivo feminino zeflemea: ironia sutil, troça, piada jocosa. Mofar-se de, zombar de alguém, rir-se de. Zeflemea é uma forma de derrisão, ironia ou sarcasmo, tipicamente balcânica. Em francês, costuma-se traduzir por uma palavra que também existe em português: boutade, tirada espirituosa ou engraçada, pensamento ou dito sutil, original e…

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“É preciso ser cético” (Marcio Tavares D’Amaral)

O Globo, 26/12/2015 Duvidando de todos os sins, eles têm certeza de todos os nãos Céticos são os que duvidam de tudo. Não acreditam em promessas, juras de amor, boas intenções. Olham de banda a própria realidade, que corre sob seus narizes: é falsa. Política? É lama. Políticos? Bandidos. E, evidentemente, não lhes venham com…

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“A linguagem da ironia” (E.M. Cioran)

Por muito perto que estejamos do Paraíso, a ironia vem afastar-nos dele. “Inépcias”, diz-nos ela, “as vossas ideias de felicidade imemorial ou futura. Curai-vos das vossas nostalgias, da obsessão pueril do começo e do fim dos tempos. A eternidade, duração morta, só aos débeis interessa. Deixai vir o instante, deixai-o absorver os vossos sonhos.” Voltamos…

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“A criação sem amanhã” (Albert Camus)

AGORA PERCEBO, então, que a esperança não pode ser eludida para sempre e que pode assaltar os mesmo que se achavam livres dela. Este é o interesse das obras examinadas até aqui. E poderia, ao menos na ordem da criação, enumerar algumas obras verdadeiramente absurdas (Moby Dick de Melville, por exemplo). Mas tudo requer um…

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“Cioran, entusiasmo como estilo de vida” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

É difícil imaginarmos um mundo em que todos amassem tudo. Um mundo de entusiastas oferece uma imagem mais sedutora do que a imagem do paraíso, pois a tensão sublime e a generosidade radical ultrapassam qualquer visão paradisíaca. A capacidade de renascimento contínuo, de transfiguração e intensificação da vida faz do entusiasta uma pessoa permanentemente além…

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“The Progress of Irony” and “The Sense That Everything Is Going Wrong” (E. M. Cioran)

THE HUDSON REVIEW, Mars 2013. English translation by Tess Lewis. The Progress of Irony An idea’s initial burst sometimes possesses a value that is masked by subsequent corrections. This is, no doubt, one of the reasons Cioran did not publish this text. The first version (ms. 242), published here, is, as a matter of fact,…

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“Emil Cioran: un escéptico, apasionado por la lucidez” (Mihail Malishev)

Daimon: Revista Internacional de Filosofía no. 23, 2001. Departamento de Filosofía de la Universidad de Murcia. Resumen: Este ensayo está dedicado al destacado pensador rumano-francés Emil Cioran tratado como el esteta y como el escéptico. En ambas vertientes Cioran asume una actitud de desencanto ante la vida, desenmascarando las ilusiones en us sentido absoluto. Pero esa misma…

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“Emil Cioran, maestro de la ironía” (Héctor Subirats)

Revista Claves de Razón Práctica nº 240, Mayo-Junio 2015 [+] En esta selección he dejado de lado mis aforismos favoritos y he engarzado algunos escritos con ciertas opiniones que Cioran brinda en las entrevistas y en las cartas a su hermano y a Gabriel Liceanu. Selección de Héctor Subirats A Fer Savater, mi hermano del alma,…

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“Tentaciones para ir a E. M. Cioran” (Rafael Pérez Gay)

NEXOS, 1 Julio, 1995 El fracaso. Buena parte de la obra del gran escritor rumano-francés Emile M. Cioran (1911-1995) está construida alrededor de un tema que se volvió con el tiempo una pasión: el fracaso, personal, de los pueblos, del comunismo, de la filosofía, de la historia. Los dos libros donde esa pasión se expande…

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“La risa, la ironía y la melancolía en Cioran” (Doina Constantinescu)

La risa contiene todas las melancolías humanas. Todo humorista es un pesimista. Resumen: Mi estudio intenta mostrar el humor y su espacio lúdico, la ironía y su grado de cinismo y sarcasmo, vistos como una estrategia particular de autodefensa, de evasión y de ruptura con el sufrimiento melancólico. El repertorio de humor y de ironía es un carnaval interior vivido por Cioran…

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“Cioran y la sorna de la ironía” (Enrique Héctor González)

La Jornada Semanal, México, n. 872, 20 de noviembre de 2011 Como Borges, como Kafka, Emil Michel Cioran fue un criptohumorista en el que alentaba una flema que inflama insoslayablemente su estilo, incluso cuando se pone serio y sentencioso. Lugar común de un cómodo fatalismo postexistencialista que, asumido sin el necesario sesgo que lo vuelva…

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