“Conhecimento de si e sofrimento em Schopenhauer” (Joel Torres)

Revista Lampejo nº 4, 11/2013

Resumo: Considerando a filosofia de Schopenhauer, podemos afirmar que a origem do sofrimento humano se localiza na relação conflituosa que é o próprio indivíduo, caracterizado por aquilo que é sentido imediatamente e que de modo algum pode ser negado e o conhecimento, o qual, por sua condição mesmo, é sempre mediato e responsável, na reflexão, pelo saber de seu status de limitação e impotência frente àquilo que é dado ao sentimento. Assim, a individualidade, enquanto conhecimento e sentimento de si ao mesmo tempo, fundamenta a origem do que é, ao mesmo tempo, necessário, inexorável e irreconciliável no homem: o sofrimento.
Palavras-chave: Vontade. Sofrimento. Conhecimento. Sentimento. Consciência

Há pessoas que se veem condenadas a saborear apenas o veneno das coisas, pessoas para quem toda surpresa é uma surpresa dolorosa e toda experiência, uma oportunidade de tortura. Caso se diga que esse sofrimento tem razões subjetivas, que depende de uma constituição particular, pergunto: existe um critério objetivo do sofrimento?

Emil Cioran – Nos cumes do desespero

Que “TODA VIDA É SOFRIMENTO” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 400), é uma máxima explícita em toda obra de Schopenhauer, e esta verdade se fundamenta sobre sua concepção de que o mundo é essencialmente Vontade1 , a qual se apresenta “como ímpeto cego e esforço destituído de conhecimento” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 214), sendo ela, em si mesma, uma unidade que se expressa, ou melhor, que se objetiva, não no sentido de se tornar objeto, mas sim como aquilo que aparece como imagem, na multiplicidade dos fenômenos do mundo… [+]