“Um estranho nos bastidores” (John Gray)

O santo padroeiro do humanismo é uma figura enigmática. Não temos como saber como era de fato Sócrates, já que a imagem que dele temos foi moldada por Platão. O fundador da filosofia ocidental pode ter sido um sofista que, em vez de aceitar que nada sabia, acreditava nada haver que valesse a pena saber;…

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«Cioran, il mistico dell’era Post-Dio». Dialogo con Mirko Integlia su «Tormented by God» (parte III)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 2, febbraio 2020, anno X In questa ultima parte dell’intervista con Mirko Integlia, autore del libro Tormented by God: The Mystical Nihilism of Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticano, 2019), la conversazione gira intorno a temi quali il carattere catartico (e terapeutico) della lettura di questo King of Pessimists, come lo definì la rivista «Times»,…

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“Misticismo ateu” (John Gray)

“Tentarei de novo dizer o indizível, expressar com palavras pobres o que tenho de dar aos devotos infiéis do misticismo nominalista, do misticismo cético […] O mundo não existe duas vezes. Nao existe um Deus separado do mundo, nem um mundo separado de Deus. Esta convicção tem sido chamada de panteísmo. […I Por que não?…

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“Ictiofídeos e liberais” (John Gray)

Em Da outra margem, coleção de ensaios e diálogos escrita por Alexander Herzen entre 1847 e 1851, o jornalista radical russo imagina um diálogo entre alguém que acredita na liberdade humana e um cético que julga os seres humanos por seu comportamento, e não pelos ideais professados. Para surpresa daquele que acredita, o cético cita…

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Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (última parte)

[PDF] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese filosófica sobre Cioran – e um importantíssimo, tanto pela temática quanto pela abordagem: Atormentado por Deus: o niilismo místico de Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticana, 2019), do filósofo e teólogo Mirko Integlia. O livro é uma minuciosa análise textual e contextual, histórico-hermenêutica, disso…

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De Maistre, Baudelaire, and Original Sin: between Tyranny and Heresy as Radical Liberty (Joseph Acquisto)

“Freedom is the supreme good only for those animated by the will to heresy.“ Cioran, Syllogismes de l’amertume * The high stakes of any modern or contemporary discussion of original sin immediately become apparent: quickly divorced from questions of belief, original sin becomes the base of a political theology that veers toward tyranny. The authoritarian conclusions fall back, however,…

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“Em que acreditam os ateus?” (Juan Arnau Navarro)

EL PAÍS, 27/04/2019 As pesquisas revelam que a religião perde influência, mas isso não significa o fim do monoteísmo A frase “Sou ateu, graças a Deus” é atribuída a Buñuel e tem as duas qualidades que Sócrates reivindicava para a filosofia: ironia e maiêutica. A primeira é evidente, faz rir; a segunda joga luz sobre uma…

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“Hang the DJ” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Será que a inteligência artificial nos tornará uma espécie de Über-marionetes, como sugere John Gray em seu primoroso ensaio sobre a liberdade humana, A Alma da Marionete? Após a notícia de que uma prestigiada casa de leilões de Londres iria leiloar o primeiro quadro pintado por inteligência artificial, desta vez a notícia é de que…

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“Signos gnósticos nos cumes do desespero” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O título, inspirado em manchetes sensacionalistas sobre casos de óbito por suicídio, não deixa de aludir também ao Desespero humano (1849) de Kierkegaard, avidamente estudado pelo jovem Cioran. Seria uma questão ociosa debater se Cioran é um kierkegaardiano que leu Nietzsche ou um nietzschiano que leu Kierkegaard. Muito embora tenha frequentado a escola de ambos,…

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“A liberdade da marionete” (John Gray)

Nos primeiros séculos de nossa era, os gnósticos se opunham aos cristãos. Foram aniquilados, mas podemos imaginar sua possível vitória. Jorge Luis Borges, “Uma defesa de Basilides, o Falso” Um fantoche pode parecer a própria encarnação da falta de liberdade. Seja movido por uma mão oculta ou puxado por cordéis, não tem vontade própria. Seus…

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“Do conhecimento religioso: sobre um texto de juventude e sua repercussão na obra de Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Além de um sentimento fundamental da existência, a categoria do religioso designa também um tipo especial de conhecimento, aquele que mais importa para Cioran. Num artigo publicado na Revista Teologică (1932), “A estrutura do conhecimento religioso“, o jovem estudante de filosofia na Universidade de Bucareste faz a crítica do racionalismo e afirma a “preeminência do…

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“Niilismo, existencialismo e gnosticismo: a hermenêutica existencial de Franco Volpi” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A obra de Heidegger, leitor de Nietzsche, apresenta um paradoxo que é o mesmo de boa parte do pensamento contemporâneo: “Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro, o convite a uma visão inspirada, senão mesmo ao misticismo.”[i] Daí, segundo Volpi, em face dos escritos…

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“Platão era de esquerda ou de direita?” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Um dia, num café, estava eu lendo Schopenhauer (na verdade, o livro de Clément Rosset, Schopenhauer, philosophe de l’absurde), quando passa por mim uma moça, por volta dos seus vinte anos, fitando a capa do livro com ar de interesse, e mesmo de familiaridade. Na fila do caixa, na minha frente, ela comenta que viu…

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Reflexões sobre o milênio: E.M. Cioran e John Gray em diálogo

“Minha visão do futuro é tão exata que, se eu tivesse filhos, os estrangularia no ato.” “Posso compreender e justificar todas as anomalias, tanto em amor como em tudo; mas que haja impotentes entre os imbecis, isso é algo que me ultrapassa.” “Antigamente, quando o espaço se encontrava menos abarrotado, menos infestado de homens, umas…

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“How different really are atheists and believers?” (Costica Bradatan)

The Washington Post, November 16, 2018 Costica Bradatan is a professor of humanities at Texas Tech University. He is the author, most recently, of “Dying for Ideas: The Dangerous Lives of the Philosophers.” ‘If you want to understand atheism and religion,” writes John Gray in his new book, “Seven Types of Atheism,” “you must forget…

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Entrevista com John Gray: “O conhecimento não liberta o homem, apenas aumenta seu poder”

FRONTEIRAS DO PENSAMENTO por Thereza Venturoli, 14/12/2016 “A mensagem central de Cachorros de Palha não é de desesperança, mas de libertação. O que eu pretendo é sugerir ao leitor: leve sua vida da maneira mais bela e inteligente possível, pois o destino da Terra não está sobre seus ombros. Na verdade, foi assim que viveu a maioria dos milhões…

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“Cachorros de palha: 10 anos” – Uma entrevista com John Gray

Por Cássio Leite Vieira, Ciência Hoje, vol. 50, no. 298, novembro de 2012 [PDF] Cachorros de palha, livro que comemora 10 anos de lançamento, foi – e continuará sendo – polêmico. Seu autor, o filósofo político britânico John Gray, ex-catedrático de pensamento europeu na London School of Economics, foi – e continuará sendo – tachado…

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“Sobre humanos, marionetes e liberdade: Cioran em diálogo com John Gray” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A marionete – objeto artificial, aqui humanizado, dotado de “alma” – como metáfora do homem. O homem – animal autoconsciente, doravante maquinizado, desumanizado – como metáfora da marionete. A alma da marionete: o título deste breve ensaio sobre a liberdade humana dá margem para uma interpretação em mão dupla. GRAY, John, A alma da marionete:…

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“Liberdade para as Über-marionetes” (John Gray)

Existe um tipo de brinquedo que vem se multiplicando há algum tempo,e sobre o qual nada tenho de bom ou ruim a dizer. Refiro-me ao brinquedo científico. Charles Baudelaire, “A filosofia dos brinquedos” O QUE A CIÊNCIA NÃO NOS DIZ Em seu romance antiutópico sobre um país fictício, Erewhon (anagrama do inglês “nowhere“, lugar nenhum),…

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“Política apocalíptica” (John Gray)

“Um novo céu e uma nova terra: pois o primeiro céu e a primeira terra se foram”, lemos no Apocalipse. Eliminem o “céu”, mantendo apenas a “nova terra”, e terão o segredo e a receita de todos os sistemas utópicos. E.M. Cioran AS RAÍZES RELIGIOSAS dos modernos movimentos revolucionários foram primeiro analisadas sistematicamente no seminal…

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“Human Progress Is a Lie: an interview with John Gray” (Johannes Niederhauser)

VICE Magazine, Mar 28 2013 Yes, we have drones and vaccines, but that doesn’t mean civilisation is progressing. Haven’t we humans come such a long way? In the past 200 years alone we’ve managed to abolish slavery (by moving it to the sweatshops of the Third World), rid our lives of industrial pollution (by moving…

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“Cioran ou a vertigem da liberdade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio impõe-se. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “O despertar independe das capacidades intelectuais:…

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“Fernando Pessoa e a filosofia. Um diálogo com Emil Cioran e John Gray” (João Maurício Barreiros Brás)

Resumo: A revista Orpheu é uma publicação ímpar na história cultural Portuguesa, a sua brevidade é sintomática do nosso modo de estar. É contudo sobre Fernando Pessoa que este texto incide. Defendemos que não é possível uma compreensão ampla de Pessoa sem analisar a importância da Filosofia na sua obra. Para sustentar esta afirmação: «Numa…

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“Em busca da mortalidade” (John Gray)

Buda buscou salvação na extinção do self; mas, se não há self, o que existe para ser salvo? Nirvana é o fim do sofrimento; mas isso promete não mais do que nós todos alcançamos, usualmente sem muito esforço, no próprio curso da natureza. A morte traz a todos a paz que Buda prometeu após vidas…

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