“A vida como in-eternidade, ou as revelações da dilaceração” (Emil Cioran)

Retumbam em ti as épocas geológicas? Se não, por que então falas do tempo? Foste o mar onde se derramaram os rios do tempo? Se não, por que se orgulhar da História? Reuniste todas as lágrimas que não secaram e as derramaste de novo para devolvê-las à terra e consolar os olhos e o coração?…

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“O mundo tem de recomeçar” (Emil Cioran)

ALGUÉM terá de sair um dia sob o sol e gritar para seu esplendor e para as trevas dos homens: “O mundo tem de recomeçar, o mundo tem de recomeçar!” Será necessário encontrar um emissário de um mundo novo que assuma todos os riscos da grande nova, que se esgote gritando em todas as direções…

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Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (última parte)

[PDF] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese filosófica sobre Cioran – e um importantíssimo, tanto pela temática quanto pela abordagem: Atormentado por Deus: o niilismo místico de Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticana, 2019), do filósofo e teólogo Mirko Integlia. O livro é uma minuciosa análise textual e contextual, histórico-hermenêutica, disso…

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“O criador paroxismo da ilusão – amor” (Juan Pablo Enos Santana Santos)

RESUMO: O filósofo e ensaísta Emil Cioran é constantemente lembrado pelo seu ceticismo, lucidez, desespero e pessimismo. No entanto, mostro nesta comunicação as diversas formas em que o amor, de carácter individual e criador, aparece em seus dois primeiros escritos de juventude. Neste momento, Cioran vê o amor como fonte vital de transfiguração. Em sua […]…

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Sofrimento e transfiguração (Emil Cioran)

SÓ O SOFRIMENTO muda o homem. Todas as outras experiências e fenômenos não conseguem modificar essencialmente o temperamento de ninguém nem aprofundar certas disposições suas a ponto de transformá-las completamente. De quantas mulheres equilibradas não fez o sofrimento umas santas? Absolutamente todas as santas sofreram muito mais do que se pode imaginar. Sua transfiguração não…

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Pensar-ser-o-que-se-é-pensa #2 (Emil Cioran)

N’a de conviction que celui qui n’a rien approfondi. (De l’inconvenient d’être né) Só possui convicções quem nada aprofundou. (Do inconveniente de ter nascido) Cine a gîndit mult veşnicia, moartea, viaţa, timpul şi suferinţa este imposibil să aibă un sentiment definit, o viziune precisă” şi o convingere determinată despre ele. Nu există un sentiment definit…

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O Não, Última Palavra? Elementos para a Possibilidade de Vencer o Pessimismo (Cioran)

REGRAS PARA VENCER O PESSIMISMO, MAS NÃO O SOFRIMENTO: acompanhar o mais delicado estremecimento da alma com uma tensão premeditada; estar lúcido na dissolução interior; vigiar a fascinação musical; estar triste com método; ler a Bíblia com interesse político e os poetas para testar a própria resistência. servir-se das nostalgias para os pensamentos ou fatos;…

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“Defesa da corrupção” como resposta ao purismo do Livro das Ilusões (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Não apenas o Breviário, concebido como um todo, é um livro profundamente autorreferencial, uma longa retratação e uma palinódia, os exercícios negativos de um ex-legionário, de um ex-fanático, como também, dentro dele, há inúmeros aforismos em que essa intencionalidade autocrítica é mais sensível: a começar por “Genealogia do fanatismo” e “O Antiprofeta”, entre outros. Por…

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“A Música é essencialmente triste ou alegre? Uma questão ociosa” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Quando esgotamos os pretextos que incitam à alegria ou à tristeza, conseguimos vivê-las, ambas, em estado puro: nos igualamos assim aos loucos… (Silogismos da amargura) Uma discussão interessante, mas não fecunda, senão ociosa, é entabulada por Clément Rosset em seu livro sobre o tema da beatitude em Nietzsche: Alegria — A Força Maior (1983) —…

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“O conflito entre-mundos e o desconsolo a serviço das aparências” (Emil Cioran)

Vou passar a vida fugindo para o mundo no qual os homens tenham a ilusão de que são, para que o outro mundo me abrace mais forte, mais e mais. Os conflitos entre os dois mundos ou entre os inumeráveis que se interpõem têm um sabor celeste e o sentido trágico da terra. O sorriso…

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Do inconveniente de ter nascido, o tédio da decomposição e a necessidade última de ilusão (Emil Cioran)

“Três horas da manhã. Apercebo-me deste segundo, e do que se lhe segue, faço o balanço de cada minuto. Por quê tudo isto? — Porque eu nasci. Questionarmos o nascimento resulta de um tipo especial de vigília. (Do inconveniente de ter nascido) § Não está em nosso poder fazer voltar os arrebatamentos que nos faziam…

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“Filosofia, cristianismo e outras formas de queda” (Emil Cioran)

COMO A VIDA SE CONVERTE NO VALOR SUPREMO: a veneração pelas mulheres; a reabilitação do Eros como divindade; saúde natural, transfigurada pela delicadeza; o fervor da dança em todos os atos da vida; graça em vez de pesar; sorriso em vez de pensamento; entusiasmo em vez de paixão; a distância como finitude; a vida como único…

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A grande tentação (Emil Cioran)

A perda da consciência de ser criatura: odiamos tudo o que é ser; deixamos de ser solidários com todas as criaturas junto às quais uma vez ornamentamos o paraíso. Quando odiamos os animais, odiamos a base de nossa vida. Queremos escapar totalmente da ordem das criaturas. Por que então, quando nos abandona a sensação de…

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Estar com a verdade… contra ela (Emil Cioran)

Quem refletiu muito sobre a eternidade, a morte, a vida, o tempo e o sofrimento, é impossível que tenha um sentimento definido, uma visão precisa e uma convicção determinada sobre todas essas coisas. Só têm um sentimento definido da morte os que a pensaram e sentiram pela metade; não se pode ter uma visão precisa…

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Elogio do Imperfeito e as insuficiências da Perfeição (Emil Cioran)

Só se pode amar a imperfeição. Tudo o que participa da perfeição ou nos a inspira, paralisa nosso afeto. Os homens aspiram sem dúvida a uma força infinita, mas de modo nenhum à perfeição. Só na imperfeição existem o ódio, o sofrimento ou o amor, e só graças à imperfeição existe o indivíduo. Os homens…

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Renúncia: covardia ou heroísmo moderno? (Emil Cioran)

Quando Buda fala de renúncia, é como se nós falássemos do amor. Renunciar com a naturalidade de uma flor que se fecha ao entardecer: esse é o segredo de uma renúncia que não poderemos realizar nunca, porque colocamos demasiada paixão nas negações. Não se tornam positivas todas as negações durante nossos momentos de tensão? Ao…

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Êxtase musical (Emil Cioran)

ÊXTASE MUSICAL. Sinto que perco matéria, que caem minhas resistências físicas e que me dissolvo em harmonias e ascensões de melodias interiores. Uma sensação difusa e um sentimento inefável me reduzem a uma indeterminada soma de vibrações, de ressonâncias íntimas e de envolventes sonoridades. Tudo o que acreditei ter em mim de singular, isolado em…

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A ética do sacríficio (Emil Cioran)

Rebentar com todo o ardor apaixonado de nossa alma, vencer toda a resistência e destruir todos os obstáculos que existem no caminho de nossa grande loucura. Estar orgulhosos de nossa absurda e infinita coragem e partir em meio a essa embriaguez de orgulho e de êxtase para os últimos cumes do ser, impulsionados pela sede…

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Individuação, dualidade & êxtase musical (Emil Cioran)

Quanto mais e melhor se conhece uma pessoa, mais próximo se está de uma fatal separação dela. O conhecimento separa um ser do outro e anula os grãos de mistério que se encontram em toda existência, por mais medíocre que ela seja. Os homens resistem tão pouco ao conhecimento que, ao cabo de breve tempo,…

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“À sombra das santas” (Emil Cioran)

À SOMBRA DAS SANTAS. Todos vivemos em verdades locais. Tudo o que pensamos é circunstancial. O pretexto define não só a qualidade do pensamento, mas também a do mundo; talvez sobretudo a do mundo. Pois não esquecemos que vivemos em um mundo de circunstância. Quantas vezes não somos tomados por um desejo violento de escapar…

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O gosto das ilusões e o mais essencial (Emil Cioran)

O GOSTO DAS ILUSÕES. As essências são uma superstição do espírito filosófico. Não podes privar-te delas sem comprometer-te, embora todos queiram escapar de sua tirania. Ninguém sabe o que é o essencial, mas isso não é obstáculo para que um pressentimento se transforme em tirania. Mas supondo que soubéssemos o que seja o essencial, não…

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“Cioran, a filosofia como desfascinação e a escrita como terapia”: entrevista com Vincenzo Fiore

“Numa época em que o fanatismo parece voltar à ribalta a nível mundial, o pensador romeno é um antídoto que imuniza.” Vincenzo Fiore Sobre o autor: Nascido em 1993 em Solofra, Italia, Vincenzo Fiore se formou em filosofia pela Università degli studi di Salerno, é membro do Projeto de Pesquisa Internacional dedicado a Emil Cioran.…

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Juramento à Vida (Emil Cioran)

JURAMENTO À VIDA: Nunca te trairei de todo; embora tenha te traído e te trairei a cada passo; Quando te odiei, não pude te esquecer; Te amaldiçoei para suportar-te; Te repudiei para que mudes; Te chamei e não vieste; gritei e não me sorriste; fiquei triste e não me consolaste. Chorei e não aliviaste minhas…

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“O olhar antes da percepção” (Emil Cioran)

Não haveis surpreendido uma imagem de pureza no olhar sem percepção, no olhar que reflete e refracta, uma imagem purificada de objetos? Não vos haveis fixado nunca no olhar dos patinhos e haveis visto uns olhos onde o céu é céu, a água, água e a folha, folha? E não haveis amado esses olhos que…

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“Nossa última perda, a Música” (Emil Cioran)

Só amam a música aqueles que sofrem por causa da vida. A paixão musical substitui todas as formas de vida que não foram vividas e compensa no plano da experiência íntima as satisfações encerradas no círculo dos valores vitais. Quando se sofre vivendo, a necessidade de um mundo novo, distinto do que vivemos habitualmente, nasce…

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Cioran: solidão, êxtase, solidariedade (Rodrigo Menezes)

Um comentário que sempre me chamou a atenção na entrevista de Cioran a Sylvie Jaudeau, e que me parece uma chave de leitura ao essencial do pensamento insone e errático de Cioran, é o seguinte: “A única experiência profunda é a que se realiza na solidão. Aquela que resulta de um contágio permanece superficial —…

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A alegria da confusão total (Emil Cioran)

Alegremo-nos de que na confusão possamos alcançar a totalidade, de que possamos atualizar, em um instante, todos os planos espirituais e todas as divergências. Os estados de admirável confusão interna, que não implicam em absoluto a confusão das ideias, estão mais próximos de nosso centro subjetivo do que todas as mudanças de planos nas quais…

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“Angústia absoluta, sujeito absoluto” (Emil Cioran)

Medo de tudo; medo de tudo o que existe e de tudo o que não existe! Conheceis a angústia sem motivo, a angústia que se engendra no ser sem motivo, sem justificação, a angústia de viver como tal, quando as coisas se tornam ocasião de estarrecimento e calafrio? E esse calafrio desfigura as coisas, assim…

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As virtudes purgativas do sofrimento (Emil Cioran)

Só o sofrimento muda o homem. Todas as outras experiências e fenômenos não conseguem modificar essencialmente o temperamento de ninguém nem aprofundar certas disposições suas a ponto de transformá-las completamente. De quantas mulheres equilibradas não fez o sofrimento umas santas? Absolutamente todas as santas sofreram muito mais do que se pode imaginar. Sua transfiguração não…

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A Liga da Decepção (Emil Cioran)

Quando sofrerdes demasiado de entusiasmo, quando vos pesar o entusiasmo de viver e ante a explosão desordenada de vossa vida temerdes o suicídio, transformai vosso excesso de dor em vaticínio, canalizai em êxtases de vida as ondas transbordantes de vossa energia. Buscai nos dramas ocasiões para a sublimação, usai as tragédias como vias para a…

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