“Una idea de mujer en Cioran” (M. Liliana Herrera A.)

Revista Asparkía — Investigación feminista, no. 26 / 2015

Resumen

Este artículo, de carácter interpretativo, lleva a cabo una reflexión acerca  de la idea y el puesto de la mujer en la obra de Cioran desde una perspectiva  no sólo femenina sino desde la situación cultural particular de su autora. Partiendo de varios de los textos del escritor rumano-francés, se analiza el tema mujer en dos ámbitos bien determinados por Cioran: primero, el de la prostitución y su parentesco con la filosofía y, segundo, el del ámbito de los santos.

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Encuentro internacional Emil Cioran. Ponencias 2014 – 2015 – 2016

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Autor: Herrera Alzate, M. Liliana

Editor: Universidad Tecnológica de Pereira

Fecha: 2017

Palabras clave: Cioran, Emil 1911-1995 – Crítica e interpretación, Filosofía francesa – Siglo XX, Nihilismo, Metafísica, Filosofía contemporánea

Resumen: Presentamos al público hispanoamericano el tercer volumen de las Memorias del Encuentro Internacional Emil Cioran, ponencias 2014, 2015, 2016. Este evento, que verá su X edición en octubre del 2017, se ha constituido en un proyecto cultural del Grupo de Investigación Filosofía y Escepticismo y de la Escuela de Filosofía de la Universidad Tecnológica de Pereira, para la ciudad y la región. Como tal, no se limita al pensamiento del escritor rumano-francés, sino que se ha abierto a temáticas relacionadas con la filosofía, la literatura, el arte, la historia y la sociología. Esto explica que el presente volumen esté compuesto de dos partes: la primera, Acerca de Cioran, contiene las ponencias que giraron en torno al pensador rumano; la segunda, Otros temas, comprende las reflexiones sobre las temáticas ya señaladas. Por tener un carácter incluyente, el Encuentro cuenta con dos propósitos: presentar a la comunidad académica cioraniana los trabajos que los investigadores están llevando a cabo…

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Entrevista: M. Liliana Herrera e a recepção colombiana de Cioran, entre outros temas

M. Liliana Herrera A. ensina Filosofia na Universidad Tecnológica de Pereira (UTP), na cidade colombiana homônima situada na região do Eje cafetero (“Eixo cafeeiro”), no norte do país. Tem mestrado (1989) e doutorado (2001) em Filosofia pela Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá. É a gestora e diretora do Encuentro Internacional Emil Cioran, realizado na UTP. É autora, entre outros, de Cioran: aproximaciones (1994); Cioran: lo voluptuoso, lo insoluble (2003); Cioran, lo voluptuoso lo insoluble(2003); Cioran, ensayos críticos (tradutora e organizadora junto a A. Abad T., 2008); Cioran en perspectivas (em coautoria con A. Abad T., 2009); Compilación: Encuentro Internacional Emil Cioran 2008-2011 (em coautoria com Alfredo Abad T., 2012); En torno a Cioran, nuevos ensayos y perspectivas (2014; segundo volume das conferências apresentadas nas edições 2012 e 2013 do Encuentro). Publicou também diferentes ensaios sobre temas filosóficos e literários em revistas nacionais e internacionais. 

EMCioran/Br: Estimada profesora Liliana Herrera, antes de tudo o Portal E.M. Cioran gostaria de agradecer, em nome de seus visitantes, leitores de Cioran, a generosidade em conceder-nos esta entrevista. É uma honra e um privilégio ter acesso à perspectiva pessoal e crítica de uma especialista neste autor que é um interesse comum de todos nós.
Primeiramente, não se poderia deixar de mencionar o Encuentro Internacional Emil Cioran realizado anualmente em Pereira, na Colômbia, sob coordenação sua, e que chegou este ano à sua sétima edição. Trata-se de um feliz, e exitoso, encontro e um dos poucos eventos acadêmicos regulares no mundo dedicado a discutir e divulgar a obra do pensador romeno. Qual é a exata natureza do Encuentro Internacional Emil Cioran? Como foi possível realizar e manter um evento acadêmico sobre um pensador tão marginal e também tão antiacadêmico como Cioran? Em sua opinião, o que mudou desde a primeira edição? Que espera do futuro do Encuentro?

M.L.H.A.: O Encuentro Internacional se originou de um projeto que o Grupo de Investigação em Filosofia Contemporânea por mim dirigido apresentou à Universidad Tecnológica de Pereira (UTP). Com o professor Alfredo Abad, desenvolvemos o tema, e um dos resultados foi este evento. A primeira edição do Encuentro se realizou em outubro de 2007. O convidado internacional foi o professor Ger Groot, da Universidade de Rotterdam. As primeiras edições do evento giraram em torno do pensamento de Cioran e das relações entre filosofia e literatura, linha em que se localiza muito bem a obra de Cioran. Os objetivos, pois, eram três: dar a conhecer à comunidade filosófica e literária de nosso país os trabalhos sobre o autor romeno-francês que estavam sendo realizados pelos especialistas cioranianos, principalmente romenos, franceses e espanhóis. Segundo, divulgar a cultura romena que em nosso meio é quase desconhecida. Finalmente, levantar algumas questões mais amplas pertinentes à discussão entre filosofia e literatura, tema que vem ganhando terreno acadêmico dentro da comunidade filosófica e literária internacional nos últimos anos.
Porém, dadas certas características de nossa universidade e de nossa região, o Encuentro começou a se perfilar como um projeto de maior envergadura: de acadêmico foi se convertendo em um projeto cultural da universidade para a cidade e a região, e que tem conseguido posicionar-se a nível nacional e internacional por ser um dos poucos que têm Cioran como tema principal (à parte, claro, do Colóquio Internacional Emil Cioran que se realiza anualmente em Sibiu, na Romênia).
Mas o nosso evento teve desde o início características específicas que o diferenciam daquele realizado em Sibiu e que é voltado para os especialistas. Não é uma réplica dele e nem poderia ser. Resumundo: devido ao crescente interesse que o publico regional tem demonstrado pelo nosso evento, ampliamos os três objetivos mencionados antes: com relação ao primeiro, estamos promovendo o pensamento de Cioran e os estudos que são desenvolvidos sobre ele em meio a um público não apenas universitário que se desenvolve no campo da filosofia e da literatura, mas também em meio a um público muito mais amplo que inclui estudantes do ensino médio, além de outro público que exercita sua atividade intelectual privadamente, à margem da universidade ou nos reduzidos círculos intelectuais mais ou menos conhecidos de nossa cidade. Isso explica que o nosso colóqui seja itinerante: nas sete edições do evento, as conferências de nossos convidados internacionais foram realizadas não apenas na UTP como também em outras universidades da região, em Salas Culturais, em um colégio público de ensino médio e em pequenas cidades próximas a Pereira. O público é muito heterogêneo. O objetivo de dar a conhecer a cultura romena (mitos, história, escritores, música) tem se mantido. Por fim, ampliamos as temáticas concernentes às relações entre filosofia, literatura, arte e sociedade, para incluir problemáticas da atualidade. Desta maneira, nosso público, filosófico, estudantil ou simplesmente leitor, pode escutar ou ler, nas Memórias [volumes de textos apresentados nos encontros] que temos publicado, temas relativos a esses âmbitos.

EMCioran/Br: Que pode nos dizer sobre a recepção de Cioran e o alcance de sua obra na Colômbia? Quando começou a ser lido, e por quem? Como se poderia contextualizar a presença de Cioran na Colômbia? Pode-se dizer que existe aí uma tradição de leitura e investigação crítica sobre o pensador romeno? No Brasil, ele é muitas vezes desprezado, quando não rechaçado, pelos intelectuais nos meios acadêmicos e mesmo fora dele, que não conseguem ou não querer admitir a seriedade e a consistência filosófica de sua obra. Ademais, é muito pouco lido pelo grande público (está longe de ser um best-seller!), na maioria das vezes de maneira superficial e abusivamente vinculado a Nietzsche, como se Cioran pudesse ser reduzido a um mero epígono de Nietzsche (tese que sustenta Susan Sontag, por exemplo). Também costuma ser utilizado por certa militância ideológica em defesa de um ateísmo de boa consciência como argumento de autoridade para dar peso à respectiva causa, o que parece ignorar a profunda dimensão mística e metafísica implicada no seu pensamento. O que pensa desse tipo de leitura? O mesmo é o caso na Colômbia?

M.L.H.A.: Sim, a história da recepção da obra de Cioran na Colômbia foi mais ou menos a mesma que no Brasil. Cioran começou a ser conhecido ao final dos anos 70. Eram poucos os livros em espanhol que chegavam aqui naquela época. Foi lido inicialmente por um pequeno círculo de intelectuais críticos da academia, ainda que alguns vinculados a ela. As leituras feitdas sobre este pensador estavam influenciadas pela leitura dos poetas malditos, ou certa literatura pessimista. Pouco mais tarde, os comentários que se encontravam sobre Cioran o vinculavam abertamente a Nietzsche e a uma posição ateísta que nega ou ignora, como você bem diz, a dimensão mística, religiosa mas combativa (para além e acima de qualquer instituição) do pensamento cioraniano. Esta imagem foi promovida inclusive por professores universitários de tendência nietzscheana ao final dos anos 1980.
Mas, no que concerne à academia em geral, Cioran era um autor quase desconhecido; e aqueles que tinham informações superficiais sobre ele o rechaçavam. De alguma maneira, esse rechaço subsiste, mas com menor intensidade. A partir dos anos 2000, Cioran passou a ser mais conhecido dentro do ambiente intelectual universitário e extra-acadêmico. Desde 2007, temos aportando às universidades e bibliotecas do país uma bibliografia cioraniana à qual não se tinha acesso, e que consiste na publicação das traduções de alguns trabalhos realizados por especialistas estrangeiros e outros consignados nas Memórias do Encuentro. Nós introduzimos no programa de Filosofia da UTP, em diversas ocasiões, um seminário sobre o pensador romeno-francês. Nossos grupos de investigação, por sua vez, publicam seus trabalhos referentes a algumas problemáticas que a obra de Cioran apresenta. Não obstante, Cioran segue sendo marginal; não é para a grande massa, e isso, de alguma maneira, é um alívio.

EMCioran/Br: Cioran gostava de se definir como um “pensador privado”. Sua obra não é para as massas, para uso público das coletividades, mas uma obra intimista e profundamente pessoal, dirigida às consciências individuais na solidão de sua interioridade. No documentário Apocalipsa dupa Cioran (“O Apocalipse segundo Cioran”) se referem a ele como ein Geheimtipp für Kenner, ou seja, “uma dica secreta para conhecedores”. Dito isso, uma questão de muito interesse seria, particularmente, sua relação intelectual com o Cioran. Quando e como conheceu sua obra? Que lhe atraiu nele, em seu pensamento? Seus estudos acadêmicos têm se centrado na obra cioraniana, e ademais seu doutorado também foi dedicado à investigação do pensamento de Cioran. Que significa Cioran para você?

M.L.H.A.: O fato de que seja um pensador privado do qual não se poderia fazer um uso coletivo, e que não poderia ser vinculado ou utilizado por nenhum tipo de ideologia, já que a própria natureza de sua obra impede isso, é o que a protege da trivialização das modas literárias, ou de seitas de adeptos. Obviamente, há leitores que utilizam dois ou três aforismos ou alguns títulos para apoiar posturas intelectuais ou eticamente irresponsáveis. Mas são casos irrelevantes. Você afirma acertadamente: Cioran consegue ter um lugar privilegiado nas consciências individuais, na intimidade e sensibilidade de uma existência. Li Cioran pela primeira vez quando cursava meus estudos de graduação em Filosofia. Você conhece bem essa experiência: o impacto, a surpresa, a aprovação imediata de suas afirmações, e talvez o consolo essencial que sua obra representa para a alma. Cioran diz (o que corroborou numa entrevista) as coisas que todo homem mais ou menos lúcido ou realista (em um sentido existencial) sente, mas que não se atreve a expressar porque não tem as palavras, o talento ou a valentia para fazê-lo. E isso explica – sem precisar ir mais longe em busca de argumentos ou de explicações – a importância que adquire na vida pessoal uma obra como a de Cioran. Fiz meu trabalho de graduação principalmente sobre dois temas: o suicídio e a crítica à filosofia. Meu trabalho de mestrado tomou outro rumo, mas então no doutorado retomei sua obra. Devo esclarecer que na Colômbia, naquela época, não se tinha acesso aos estudos que vinham sendo realizados sobre ele na Europa Central ou no Leste Europeu. Por isso meus trabalhos foram em grande medida intuitivos. Não me considero especialista em Cioran e, mesmo que me considerasse, na verdade não sou. Sou antes uma divulgadora de sua obra. Creio que ele tem razão em sua crítica da história e condição humanas. Seu humor negro, herético, é um bálsamo. Jaspers disse que alguns seres são “exceções”; nós não o somos e nem poderíamos tentar imitar a “exceção”. Mas é possível, sim, estabelecer uma espécie de (para utilizar outro termo de Jaspers) “comunicação amorosa” com aqueles que o são, e junto a ele buscar o próprio caminho em direção a si mesmo.

EMCioran/Br: Como se sabe por meio de uma entrevista a um jornal colombiano, você é uma das pessoas que tiveram a oportunidade de corresponder-se com Cioran. Como começou esse intercâmbio epistolar? Que paralelos se poderia estabelecer entre o autor dos livros e o interlocutor epistolar? O Cioran das cartas é distinto do Cioran escritor?

M.L.H.A.: Pelo que entendo ele manteve correspondência com uma boa quantidade de pessoas. Com efeito, para mim foi um privilégio. Quando iniciei meu trabalho de graduação tive a ideia de escrever uma carta à editora Gallimard. E com grande surpresa recebi uma resposta. O intercambio epistolar foi esporádico, mas transcorreu por um período de dez anos. Sabe-se que Cioran é um dos autores que uniram vida e obra. Ele conserva nas cartas o mesmo “tom” que mostra nos livros. É claro, são cartas breves, pessoais, em que não se desenvolve nenhum tema. Mas é possível ter a certeza de que se está diante do mesmo temperamento, do mesmo sentimento da existência, do mesmo talento que exibe em seus livros. Porém, nas cartas evidencia-se claramente um ser de grande amabilidade e calidez.

EMCioran/Br: A continuidade e a descontinuidade entre a obra romena e a obra francesa de Cioran costumam ser muito discutidas. Que relação você vê entre os escritos de juventude, em romeno, e os escritos de maturidade, em francês? É justo falar de uma ruptura entre os dois períodos, ou seria razoável relativizar essa ruptura?

M.L.H.A.: A relativização é a opção correta. Há continuidades e descontinuidades, de natureza temática e estilística. Não obstante, há um “fundo idêntico”. Refiro-me ao espírito que anima os dois momentos da obra: o ceticismo apesar de certas veleidades juvenis, a luta com Deus que só o cansaço dos anos pôde atenuar, um estilo escritural intenso e apaixonado, depurado pela disciplina imposta por outra língua… enfim. Um dos estudos que aprofunda este tema é o do romeno Ciprian Vǎlcan[1] e que, para mim, é leitura obrigatória para os estudiosos de Cioran.

EMCioran/Br: É razoável dizer que o século XX não conheceu figura intelectual mais enigmática, mais indefinível, mais inclassificável do que Cioran. Ademais, é um pensador relativamente recente cuja jovem tradição crítica ainda está muito pouco estabelecida, consolidada. A cada ano se descobrem novas informações ou se revela alguma obra que ficou engavetada durante décadas sem conhecer a luz da publicação (como Razne, que Cioran escreveu ainda em romeno quando já habitava em Paris, e que foi publicado recentemente na Romênia). A quantidade de interpretações distintas de Cioran é proporcional à quantidade de seus intérpretes. Como Nietzsche no século XIX, Cioran parece ser um autor extemporâneo em seu próprio século. Que pensa você sobre o destino da recepção de Cioran, na Colômbia e no mundo?

M.L.H.A.: Cioran foi um visionário, uma espécie de H. G. Wells (sei bem que a comparação pode parecer absurda…). Os cioranianos seguirão escrevendo; por ser autêntica, sincera, a obra de Cioran poderá perdurar; e o mundo seguirá seu destino implacável.

EMCioran/Br: Para concluir: há um libro de Cioran que lhe seja especialmente significativo, ou mais de um? O mesmo sobre os aforismos cioranianos?

M.L.H.A.: Um dos livros que permite aproximar-se de maneira contextualizada ao seu pensamento é o volume das Entretiens, uma boa iniciação para todo aquele que queira começar a estudá-lo com seriedade. Como um dos temas que mais têm me inquietado é o de sua atormentada religiosidade, me interessam muito os livros da época romena. Ademais, o alento poético que oferecem os livros mais apaixonados, mais dramáticos (por exemplo, os textos que se poderia chamar de “orações blasfemas”). Mas é difícil falar de um ou dois livros ou aforismos preferidos. Neste caso, não se pode escolher, a não ser pelas problemáticas que sejam de interesse do estudioso.

EMCioran/Br: Profª M. Liliana, agradeço uma vez mais, em nome dos leitores de Cioran (e seus também), pela generosidade em conceder-nos esta entrevista.

© Portal EMCioran/Br; M. Liliana Herrera A.
São Paulo – Pereira, 24/11/2014

[1] Ciprian VĂLCAN. La concurrence des influences françaises et allemandes dans l’oeuvre de Cioran. Bucareste : Institut Cultural Roman, 2008.