Jeff Koons, Anti-Cioran

Um ser sem duplicidade não possui profundidade e mistério; não esconde nada. Só a impureza é sinal de realidade. E se os santos não são inteiramente desprovidos de interesse, é que sua sublimidade mistura-se ao romance e sua eternidade presta-se à biografia; suas vidas indicam que abandonaram o mundo por um gênero suscetível de cativar-nos…

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“Cioran, entre filosofia e poesia: ambivalência, hibridismo, temeridade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Já que tudo o que se concebeu e empreendeu dede Adão é ou suspeito ou perigoso ou inútil, que fazer? Dessolidarizar-se da espécie? Seria esquecer que nunca se é homem tanto como quando se lamenta sê-lo.” (La chute dans le temps) O “pecado original” de Cioran é ser demasiado filósofo, pensador. Corrijo-me: é não ser…

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O risco totalitário entre a língua e a linguagem (Roland Barthes)

A linguagem é legislação, a língua é seu código. Não vemos o poder que reside na língua, porque esquecemos que toda língua é uma classificação, e que toda classificação é opressiva: ordo quer dizer, ao mesmo tempo, repartição e cominação. Jákobson mostrou que um idioma se define menos pelo que ele permite dizer, do que…

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“Tudo mais é literatura” (Barbara Cassin)

Atualmente, só se pode ser incompleto e alusivo; no melhor dos casos, programático. Com o triunfo da retórica sofística, entramos, de fato, em literatura. Como escrever fora dos dois grandes gêneros patenteados – quando não se é nem poeta nem filósofo? Uma inventividade exuberante e lábil se desdobra em mais de dois séculos, nessa Antigüidade…

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“O prazer e o desprazer do texto” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Eu dificilmente poderia discorrer, por desconhecê-lo quase absolutamente, sobre esse plaisir du texte de que fala Roland Barthes. Escrever é, para mim, algo complicado, para não dizer um suplício, um “trabalho de Sísifo”. Quantos rascunhos, quantas versões, quantas e quantas páginas preenchidas apenas para serem descartadas, até chegar no que me parece o ideal, o…

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“No tempo dos grandes mamíferos fósseis” (Welington Andrade)

Revista Cult, 7 de maio de 2016 “Quando sinto que vou vomitar um coelhinho, enfio dois dedos na boca como um alicate aberto e espero até sentir na garganta a penugem morna que sobe como uma efervescência de sal de frutas. Tudo é veloz e higiênico, transcorre num instante brevíssimo”. Julio Cortázar, Carta a uma…

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Escritas do desastre e outras volúpias: entrevista com Ricardo Gil Soeiro, autor de “Notas Soltas para Cioran” (Labirinto, Portugal, 2019)

“A EXISTÊNCIA, para Cioran, oscila sempre nessa delicada tensão entre, por um lado, se assumir como uma tragédia incomensurável e, por outro lado, ser perspectivada como um leve aborrecimento, como um tédio que se tem de suportar… Mas trata-se sempre (como também em Pessoa) de um enquadramento muito específico: de uma teologia sem teologia, uma…

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“El Cuaderno de Talamanca, de E.M. Cioran” (Luis Antonio de Villena)

El Cultural, 14/11/2002 Lo extraño será saber por qué este Cuaderno de Talamanca se quedó fuera de los Cuadernos que Cioran iba escribiendo a lo largo de su vida, y cuyo conjunto de anotaciones no difiere demasiado (salvo quizá por ser más espontáneo) del total de la obra cioranesca, que propende al fragmento o al texto breve aunque apretado,…

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“Le fragment comme résurgence de l’acédie chez Cioran” (Lauralie Chatelet)

Cahiers ERTA, 2017, Numéro 11 (« Acédie / Honte, malaise, inquiétude, ressentiment »). Lauralie Chatelet prépare une thèse depuis 2014 en littérature à l’université Jean Moulin (Lyon III). Elle a présenté un mémoire sur « La Négation comme moteur de l’écriture chez Cioran » en 2012 à l’université Stendhal (Grenoble III). Elle travaille actuellement sous la…

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“Cioran: style et écriture” (Irina Mavrodin)

Cahiers Emil Cioran – Approches Critiques (“Cioran vu par ses contemporains”); Textes reunis par Eugene Van Itterbeek; Editura Universitatii “Lucian Blaga” Sibiu; Editions Les Sept Dormants, Leuven 1998, p. 15-19. L’idée de cet essai m’est venue tout naturellement a partir de l’un des clichés les plus usés (et à la fois les plus fondateurs d’une…

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“O deus maldito e outros deuses” (Fernando Savater)

Um deus ameaça sempre no horizonte. (BD) Após as contundentes e entusiásticas declarações sobre a morte de Deus que nos propiciaram o século passado e este, as exaustivas descrições de sua agonia, os recenseamentos minuciosos do seu estertor, pouco ainda parece possível dizer sobre um tema tão decrépito. Deus é um recurso literário já em…

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“D’une langue à l’autre : vers une poétique de la traduction dans l’œuvre de Cioran” (Dumita Baron)

Atelier de traduction, 1, Editura Universităţii din Suceava, 2004, p. 67. « On n’habite pas un pays, on habite une langue. » (Cioran) Introduction Une analyse de l’œuvre d’Emil Cioran (1911-1995), écrivain français d’origine roumaine, suppose une confrontation avec le problème de l’impossibilité de comprendre le texte, impossibilité qui résulte non seulement de l’ambiguïté extrême de…

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