“Tristeza ativa” (E.M. Cioran)

“Deve ser algo herdado dos meus pais, que tinham temperamentos completamente opostos. Eu nunca pude escrever senão no abatimento [cafard] das noites de insônia, e durante sete anos mal pude dormir. Eu creio que se reconhece em cada escritor se os pensamentos que o ocupam são pensamentos diurnos ou noturnos. Tenho necessidade desse cafard e…

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Seleção de aforismos retirados de “Dictionnaire du parfait cynique“, obra compilada por Roland Jaccard e nunca publicada em português, numa tradução original. * AMIZADE – A amizade é um contrato mediante o qual nos comprometemos a prestar pequenos serviços afim de que nos prestem grandes. (Montesquieu) AMOR – O amor é a troca de duas […]

via Dicionário do perfeito cínico — Desaforisticamente

“A Música é essencialmente triste ou alegre? Uma questão ociosa” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Quando esgotamos os pretextos que incitam à alegria ou à tristeza, conseguimos vivê-las, ambas, em estado puro: nos igualamos assim aos loucos… (Silogismos da amargura) Uma discussão interessante, mas não fecunda, senão ociosa, é entabulada por Clément Rosset em seu livro sobre o tema da beatitude em Nietzsche: Alegria — A Força Maior (1983) —…

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“Um pessimismo (mui) pouco trágico: Cioran lido por Clément Rosset” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Trata-se de contrapor e fazer dialogar duas filosofias, dois modo de pensar (o homem, a existência, a vida e a morte, o tempo) que têm muito em comum, mas cujas conclusões podem ser radicalmente divergentes: a filosofia trágica, afirmativa e aprobatória de Clément Rosset (tendo como corolário a alegria como force majeure), na linha de…

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“Annihilation, or the anti-nature” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Revista Saeculum, Universitatea “Lucian Blaga”, Sibiu, anul XVII (XIX), no. 1/45 (2018), p. 51-70. [PDF] Abstract: This paper undertakes a philosophical analysis of the original motion picture “Annihilation” (2018) in light of Clément Rosset’s tragic philosophy, namely his 1973 book, L’anti-nature. It is all at once an homage to the philosopher who passed away just…

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“Metafísica do ping-pong” (Roland Jaccard)

SÓ EXISTEM DOIS críticos de cinema na França que sabem falar de filmes: Louis Skorecki e Patrick Besson. O primeiro, extra-terrestre por ser anti-diluviano, o segundo, profundo por ser jocoso. Os dois compreenderam que o grande segredo da arte é não se dar o trabalho (Homero, Montaigne, Hawks). É também a lição que retive de…

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“A loucura e a sociedade” (Roland Jaccard)

Da Idade Teológica à Idade da Razão É um lugar-comum — mas é preciso não desprezá-los, os cemitérios são lugares-comuns — da sociologia e da etnopsiquiatria afirmar que a doença só tem sua realidade e seu valor de doença numa cultura que a reconhece como tal. Assim, por exemplo, o histérico do século XIX que…

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Carta de Cioran a Roland Jaccard

Paris, 25 de novembro de 1978 Caro Senhor, O pensamento freudiano é fundamentalmente “anti-utópico”, você diz. É em virtude da sua visão lúcida do futuro que Freud sempre me interessou. De resto, eu amiúde me pergunto como alguém tão clarividente assim pode ter elaborado uma terapêutica, como sobretudo ele pôde crer em qualquer forma de cura…

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Duas cervejas, um sanduíche e mil tiradas filósoficas: Clément Rosset por Roland Jaccard

Se a esperança é o pior dos males, se é derrisório pretender mudar a vida, o que resta então? Resposta de Clément Rosset: “Resta, contudo, uma última hipótese: a de uma satisfação total no seio do infinito mesmo, semelhante ao júbilo amoroso descrito por La Fontaine numa célebre fábula (“Seja tudo você mesmo, conte o…

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Émission : “Une Vie, une œuvre : Emil Cioran, ou les nuits suspendues (1911-1995)”

FRANCE CULTURE, le 01.05.2005 Par Sylvia Ben Ytzhak et Christine Berlamont. Émission consacrée à Cioran. Entretien avec Roland JACCARD, auteur du livre “Cioran et compagnie”, Simona MODREANU, auteur d’une biographie et de l’ouvrage “Le Dieu paradoxal de Cioran”, Sylvie JAUDEAU, auteur de “Cioran ou le dernier homme”, Besarab NICOLESCU, ami de Cioran, Nicole PARFAIT, docteur en…

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“Tranquilícese, todo está mal” (Luis Diego Fernandez)

CLARÍN, 25/01/2011 Tengo derecho considerarme como el primer filósofo trágico, es decir, el enemigo mortal y el antípoda de un filósofo pesimista”, lo dice Nietzsche en Ecce Homo , y Clément Rosset lo cita al comienzo de La filosofía trágica , su primer libro, de 1960, recientemente editado en español. Esa relación expulsante entre tragedia…

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Emil Cioran (1911-1995) Le plaisir d’en finir (émission de radio)

FRANCE CULTURE, 22/05/2011 “Je m’en veux d’être moi” Né en 1911, dans un petit village reculé de Transylvanie, Emil Cioran, fils de pope, quitte la Roumanie en 1938, après des études de philosophie à Bucarest et la publication de deux brûlots, l’un politique,Transfiguration de la Roumanie et l’autre hérétique, Des larmes et des saints. Insomniaque et mélancolique,…

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Cioran, esthète de l’Apocalypse

Cioran rappelle dans ses journaux cette promenade avec une amie qui affirmait doctement que le « divin » était présent en chaque créature. L’écrivain désigne une mégère insupportablement vulgaire : «Dans celle-là aussi?» Elle ne sait que répondre, tant il est vrai que la théologie et la métaphysique abdiquent devant l’autorité du détail mesquin. «Je…

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“Portrait de Cioran. Comment Cioran m’a sauvé la vie” (Roland Jaccard)

ALKEMIE – Revue Semestrielle de Littérature et Philosophie, no. 6 («Cioran») L’enfant que j’étais comprenait mal que ses parents l’aient jeté dans cette fournaise qu’était le monde. Il les jugeait inconscients. En temps de paix et de prospérité, passe encore. Mais en 1941… L’adolescent que j’étais avait lu Bouddha et partageait son pessimisme. Il ne…

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“Um brinquedo triste” (Roland Jaccard)

In: Cioran et compagnie, Paris, PUF, 2005. Se as moças me vissem chorar elas diriam É um cão que uiva para a lua.[1] Takuboku Cioran não conheceu Ishikawa Takuboku, mas não tenho dúvidas de que ele o incluiria em seu panteão, ao lado de Kleist ou de Heine. Como ele, Takuboku tinha um diário íntimo…

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George Steiner, l’anti-Cioran (Roland Jaccard)

Par ROLAND JACCARD Libération.fr, 25 mars 2010 Je me souviens de ce déjeuner au Montalembert avec George Steiner. J’avais glissé dans la conversation les noms de deux amis, Jerzy Kosinski et Cioran. Il avait aussitôt répliqué qu’ils représentaient tout ce qu’il exécrait. J’avais été consterné. Il ne cachait pas, en revanche, son admiration pour Lucien…

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