“The Philosophy of Insomnia” (Willis G. Regier)

The Chronicle of Higher Education. The Chronicle Review. April 10, 2011.

Hegel wrote in his Elements of the Philosophy of Right that the owl of Minerva flies only at night. It hoots at insomniacs. I know. I’m one.

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Bruises, red eyes, and research remind me that insomnia breaks down body and soul. Noisy neighbors, crying kids, overwork, bad food, sickness, pain, allergies, and rude visitors drive sleep away. So do naked thoughts and the words they wear: insomnias of insult, dread, worry, remorse, faux pas, frustration, revenge, and raw anxiety. Philosophy, in its immense universals, omits nothing (not even nothing). Thus there have always been tired philosophers of insomnia.

Insomnia has intrigued thinkers since the ancients, an interest that continues today, especially in Europe. What light does philosophy’s exploration of the dark of night shine on insomnia, particularly for that quintessential insomniac, the scholar?

Philosophy is no friend of sleep. In his Laws (circa 350 BC), Plato platonized, “When a man is asleep, he is no better than if he were dead; and he who loves life and wisdom will take no more sleep than is necessary for health.” Clement of Alexandria echoed, “There is no use of a sleeping man, as there is not of a dead man. … But whoever of us is most solicitous for living the true life, and for entertaining noble sentiments, will keep awake for as long time as possible.”

“The need of sleep is not in the soul,” he wrote, “for it is ceaselessly active.” In Beyond Good and Evil (1886), Nietzsche preached that the high goal of good Europeans “is wakefulness itself.”

Aristotle said all animals sleep. In the 20th century, the Romanian philosopher Emil Cioran added in On the Heights of Despair (first published in 1934): “Only humanity has insomnia.” Emmanuel Levinas, author of the erotic and metaphysical Totality and Infinity (1961), imagined philosophy, all of it, to be a call to “infinite responsibility, to an untiring wakefulness, to a total insomnia.” What scholar has not heard that call, sacrificing sleep, straining eyes, and risking health in pursuit of some bit of truth or transcendence?

The first thing you learn about insomnia is that it sees in the dark. The second is that it sees nothing. Nada, nichts, nĂ©ant. TheFrench philosopher Maurice Blanchot said in The Writing of the Disaster (1980), “In the night, insomnia is discussion, not the work of arguments bumping against other arguments, but the extreme shuddering of no thoughts, percussive stillness.” [+]

“Irracionalismo e pessimismo em Schopenhauer e Cioran” (Ruy de Carvalho)

Kalagatos – Revista de Filosofia vol. XI, n. 22 (Universidade Estadual do CearĂĄ, Fortaleza, 2014)

Resumo: O artigo pretende demonstrar que a leitura das filosofias de de Schopenhauer e Cioran como expressÔes do pessimismo esquece ou atenua os interesses e compromissos mais profundos de ambos os pensadores: sua posição quanto à natureza e ao alcance da razão no conhecimento e na vida. Dialogando, sobretudo com Rosset, frequenta-se as obras dos autores em questão com outra disposição afetiva e mostra-se que, com isso, ambas aparecem sob um outro humor, que não propriamente o pessimismo: o irracionalismo e, quiçå, o cinismo.
Palavras-chave: Pessimismo, Irracionalismo, Vontade, RazĂŁo.

Abstract: The article aims to show that reading the philosophies of Schopenhauer and Cioran as pessimism expressions forget or attenuates the interests and deepest commitments of both thinkers: its position on the nature and scope of reason in knowledge and life. Dialogue, especially with Rosset, attends the works of the authors concerned with other affective disposition and it is shown that, with this, both appear in another mood, which hardly pessimism: irrationalism and perhaps cynicism.
Key-words: Pessimism, Irrationalism, Will, Reason.

Talvez nĂŁo seja muito educado começar com uma provocação, mesmo quando esta procura apenas lembrar e resgatar um humor que julgamos fundamental para nos aproximarmos das obras de Schopenhauer e Cioran. A provocação: Ă© preciso nĂŁo ser muito inteligente para simpatizar com estes dois. É que eles nĂŁo parecem ter tido como maior preocupação a consistĂȘncia e a coerĂȘncia sistemĂĄticas. O que solicitam Ă© muito mais uma certa disposição afetiva, uma convicção obscura na inexistĂȘncia de duplos, uma cegueira que tomam como insuperĂĄvel: uma certa ascese na lucidez. Pessimistas, sim; esta Ă© a mĂĄscara pela qual costuma-se reconhecĂȘ-los e cumprimentĂĄ-los e, mais frequentemente, para deles desviar o olhar ou dispensĂĄ-los com ironia ou sarcasmo. PorĂ©m, o pessimismo, neles e deles, Ă© uma mĂĄscara: importante, vital, mas nĂŁo a Ășnica, uma vez que existem outras, por trĂĄs, ao lado, acima e mesmo dentro desta. A mais importante: o irracionalismo. Comecemos por Schopenhauer!

Nada mais comum do que um Schopenhauer pessimista: “pessimismo metafĂ­sico”, “clarividente”, “desencantado”, etc, sĂŁo os nomes de guerra desta filosofia. O pessimismo Ă© neste caso fruto e, se gera novos frutos, Ă© apenas por transmissĂŁo das sementes que traz consigo. O nome pelo qual reconhecemos a ĂĄrvore: irracionalismo. Defendo que, em Schopenhauer, mas isso igualmente vale para Cioran, o pessimismo Ă© uma das mĂĄscaras ou, se preferirem, um dos reflexos do irracionalismo; seria antes o humor ou uma das imagens de Schopenhauer, mais que uma derivação necessĂĄria do seu irracionalismo.

A honestidade exige que eu diga que esta intuição, e mesmo que esta tese, Ă© defendida por ClĂ©ment Rosset, nos Escritos sobre Schopenhauer e em seu Schopenhauer, filĂłsofo do absurdo. A hipĂłtese: em Schopenhauer, o irracionalismo detĂ©m o primado; se Schopenhauer se julga um pessimista Ă© porque extraiu esta posição, sem que isso fosse necessĂĄrio, do irracionalismo manifesto na e pela significação de sua noção de Vontade. Assim, ele teria transitado do irracionalismo da Vontade para o pessimismo metafĂ­sico e, portanto, qualquer tentativa de interpretação de sua filosofia como fundamentalmente pessimista, movimentar-se-ia na contramĂŁo de sua intuição originĂĄria, em uma palavra, de seu pensamento Ășnico. O pessimismo, assim, seria antes o esgar medonho de um corpo cujo humor natural seria apenas o suor de uma Vontade cega em seu exercĂ­cio irracionalista matinal… [+]

 

 

Cioran’s Nietzsche (Willis G. Regier)

Source: French Forum, Vol. 30, No. 3 (Fall 2005), pp. 75-90
Author(s): Willis G. Regier
Published by: University of Nebraska Press

Cioran’s Nietzsche

Susan Sontag wrote that

Cioran comes after Nietzsche, who set down almost the whole of Cioran’s position a century ago. An interesting question: why does a subtle, powerful mind consent to say what has, for the most part, already been said? . . . Whatever the answer, the “fact” of Nietzsche has undeniable consequences for Cioran. He must tighten the screws, make the argument denser. More excruciating. More rhetorical.

Sontag’s essay has become a touchstone for taking Cioran seriously as a philosopher and the correlations between Cioran and Nietzsche she described are now staples of Cioran criticism.

Sontag’s junction of Cioran and Nietzsche has been steadily reinforced. As a postscript to his book on Nietzsche, ClĂ©ment Rosset puts Cioran in the tradition of Nietzsche’s Gay Science and credits him for posing the most serious and most grave question to philosophy: whether an alliance is possible between lucidity and joy. Two of Cioran’s most esteemed translators, Ilinca Zarifopol- Johnson and Sanda Stolojan, separately asserted that Nietzsche was a major influence on Cioran in the 1930s. Cioran’s friend, the Spanish philosopher Fernando Savater, emphasized how much the two have in common. In a close comparison of Cioran’s Romanian works with Nietzsche’s books and Nachlass, Lucia Gorgoi found multiple similarities in style and substance, particularly regarding aphorisms and nihilism. Patrice Bollon’s summary of Cioran’s philosophy links it to Nietzsche more frequently than to any other philosopher.

Despite all this, Nietzsche and Cioran are a pair that ought not be taken for granted, for three reasons: affinity and resemblance are too easily mistaken for agreement and influence; Cioran strenuously resisted… [Pdf]

“O trĂĄgico da existĂȘncia na filosofia de Cioran” (RogĂ©rio de Almeida)

In: Religare 10 (1), 52-59, março de 2013 [Pdf]

Resumo: O objetivo deste artigo é refletir sobre o pensamento de Emil Cioran e as possíveis relaçÔes com uma filosofia trågica, como a de Friedrich Nietzsche e Clément Rosset. Como método, adotou-se a escrita fragmentada dos aforismos, emulando o estilo de escrita de Cioran. A reflexão aponta que Cioran é um filósofo do pior, que pensa negativamente a vida, mas também a afirma, a aprova, ainda que esta seja racionalmente injustificåvel.
Palavras-chave: Cioran, filosofia trågica, afirmação da vida

Abstract: The purpose of this article is to reflect on the thought of Emil Cioran and possible relations with a tragic philosophy, like Friedrich Nietzsche and Clément Rosset. As a method, we adopted the fragmented writing of aphorisms, emulating the writing style of Cioran. The reflection shows that Cioran is a philosopher of the worst, that consider negatively life, but also affirms, approves, even if it is rationally unjustifiable.
Keywords: Cioran, tragic philosophy, life-affirming

“O trĂĄgico da existĂȘncia na filosofia de Cioran”, por RogĂ©rio de Almeida

O objetivo deste artigo é refletir sobre o pensamento de Emil Cioran e as possíveis relaçÔes com uma filosofia trågica, como a de Friedrich Nietzsche e Clément Rosset. Como método, adotou-se a escrita fragmentada dos aforismos, emulando o estilo de escrita de Cioran. A reflexão aponta que Cioran é um filósofo do pior, que pensa negativamente a vida, mas também a afirma, a aprova, ainda que esta seja racionalmente injustificåvel.

Artigo publicado na revista Religare 10 (1), 52-59, março de 2013 [Pdf]

O TRÁGICO DA EXISTÊNCIA NA FILOSOFIA DE CIORAN

(THE TRAGIC OF THE EXISTENCE IN CIORAN’S PHILOSOPHY)

Por Rogério de Almeida
(Faculdade de Educação da USP)

Resumo: O objetivo deste artigo é refletir sobre o pensamento de Emil Cioran e as possíveis relaçÔes com uma filosofia trågica, como a de Friedrich Nietzsche e Clément Rosset. Como método, adotou-se a escrita fragmentada dos aforismos, emulando o estilo de escrita de Cioran. A reflexão aponta que Cioran é um filósofo do pior, que pensa negativamente a vida, mas também a afirma, a aprova, ainda que esta seja racionalmente injustificåvel.
Palavras-chave: Cioran, filosofia trågica, afirmação da vida

Abstract: The purpose of this article is to reflect on the thought of Emil Cioran and possible relations with a tragic philosophy, like Friedrich Nietzsche and Clément Rosset. As a method, we adopted the fragmented writing of aphorisms, emulating the writing style of Cioran. The reflection shows that Cioran is a philosopher of the worst, that consider negatively life, but also affirms, approves, even if it is rationally unjustifiable.
Keywords: Cioran, tragic philosophy, life-affirming.

Cioran Ă© filĂłsofo porque seu modo de pensamento Ă© suficientemente questionador? Ou antifilĂłsofo por rechaçar a arquitetura das ideias, praticando marteladas de sabedoria impertinĂȘncia? Qual o grau de importĂąncia desua escritura para seu pensamento? Ou, ainda,o que hĂĄ em seu pensamento que jĂĄ nĂŁo foi pensado?

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Seria legĂ­timo dizer que o pensamento é uma coisa e a escritura desse pensamento outra? Poderia uma linguagem totalmente nova dizer novamente o que jĂĄ foi dito,repetindo-o atĂ© que o prĂłprio pensamento setorne novo? Essa Ă© uma questĂŁo que ficarå para os comentadores de Cioran, para a assembleia dos historiadores, que definirĂŁo qual o espaço e o nĂșmero de pĂĄginas que os manuais dedicarĂŁo ao filĂłsofo romeno que escrevia melhor o francĂȘs que os franceses… [+]

“Comment Cioran m’a sauvĂ© la vie” (Roland Jaccard)

img_20Pessimiste dĂšs l’enfance, l’écrivain Roland Jaccard a Ă©tĂ© sĂ©duit par la noirceur d’Emil Cioran, penseur qui lui a permis d’ĂȘtre plus subtil dans son nihilisme. TĂ©moignage.

par Roland Jaccard – CLES – Trouver du sens, retrouver du temps

L’enfant que j’étais comprenait mal que ses parents l’aient jetĂ© dans cette fournaise qu’était le monde. Il les jugeait inconscients. En temps de paix et de prospĂ©ritĂ©, passe encore. Mais en 1941
 L’adolescent que j’étais avait lu Bouddha et partageait son pessimisme. Il ne se doutait pas qu’il allait bientĂŽt rencontrer une rĂ©incarnation de Bouddha, un Bouddha des Carpates, et encore moins que ce nihiliste malicieux deviendrait son ami.

Avant de me rendre chez lui, 26, rue de l’OdĂ©on, je l’avais beaucoup lu, couvrant les murs de mon studio de citations dĂ©sespĂ©rantes. Je jugeais son dĂ©sespoir tonique. Et il l’était. Il alliait perfection du style et noirceur totale. Ce n’était pas tout d’ĂȘtre dĂ©sespĂ©rĂ©, encore fallait-il l’ĂȘtre Ă©lĂ©gamment, ne point dĂ©daigner les paradoxes et saupoudrer d’humour la vĂ©hĂ©mence des propos. La forme littĂ©raire qu’il privilĂ©giait, l’aphorisme, ne tolĂ©rait pas la moindre faille. MĂȘme ceux qui le dĂ©testaient reconnaissaient au moins Ă  Cioran ce mĂ©rite : ĂȘtre parvenu Ă  mĂ©tamorphoser le Roumain turbulent et lyrique qu’il Ă©tait avant de venir en France en moraliste que Chamfort, Pascal ou La Rochefoucauld auraient admis dans leur club.

Ce qui crĂ©a d’emblĂ©e une complicitĂ© entre lui et moi, ce furent une femme, Sissi, l’épouse de François-Joseph, empereur d’Autriche-Hongrie, et un jeune philosophe suicidĂ© Ă  23 ans : Otto Weininger. Ma mĂšre, Viennoise d’origine, m’avait transmis sa passion pour Sissi. Les contraintes de la vie universitaire m’avaient amenĂ© Ă  prĂ©facer « Sexe et caractĂšre » d’Otto Weininger, la somme antifĂ©ministe et antisĂ©mite la plus violente jamais Ă©crite. Freud avait trouvĂ© du gĂ©nie Ă  Otto. Hitler pensait que c’était le seul juif Ă  avoir le droit de vivre. Et Cioran l’admirait pour son suicide prĂ©coce dans la maison de Beethoven – et pour tous les suicides qu’il avait provoquĂ©s en publiant son livre. Cioran prĂ©fĂ©rait un concierge qui se pend Ă  un poĂšte vivant. La magie de l’extrĂȘme le fascinait et il la trouvait aussi bien chez Weininger, admirĂ© Ă©galement par Wittgenstein, que chez l’impĂ©ratrice Sissi.

Ce qui rapprochait le plus Sissi et Cioran, c’était leur lancinante obsession du suicide, ainsi qu’un dĂ©sir irrĂ©pressible de fuir le monde. C’est en le fuyant que Sissi fut poignardĂ©e Ă  GenĂšve sur le quai du Mont-Blanc par l’anarchiste italien Luigi Lucheni qui s’était trompĂ© de cible. Cette fin absurde, dĂ©routante, charmait Cioran qui vit lĂ  le plus grand service jamais rendu Ă  Sissi.

Oui, Sissi reprĂ©sentait bien pour lui la vivante incarnation de la mĂ©lancolie. Il en donnait d’ailleurs une trĂšs belle dĂ©finition : « La mĂ©lancolie est l’apothĂ©ose de l’à-quoi-bon, c’est le triomphe de l’inĂ©luctable ressenti comme mĂ©lodie sans trĂȘve, comme tonalitĂ© fondamentale de la vie. » Quand il sentait la dĂ©pression venir, il se couchait et Ă©coutait du fado. Il me conseillait d’en faire autant. Françoise Hardy me suffisait.

On se tromperait cependant en imaginant un Cioran triste ou amer. MĂȘme Ă  la fin de sa vie, quand il faisait semblant d’ĂȘtre encore lĂ  (selon son expression), il Ă©tait prĂȘt Ă  rire de tout ou presque. Je me souviens Ă  ce propos qu’à deux reprises seulement, il manifesta sa mauvaise humeur. La premiĂšre, quand je lui avais prĂ©sentĂ© un philosophe dont la jeune Ă©pouse Ă©tait enceinte. Il soutenait que les femmes qui ne se faisaient pas avorter tĂ©moignaient par lĂ  d’une absence totale de sensibilitĂ©. La seconde fois, quand un ami universitaire l’avait priĂ© de lui dĂ©dicacer ses livres. Il avait refusĂ© prĂ©textant que tout cela – son Ɠuvre – ce n’était que des conneries. Il ne voulait en aucune maniĂšre ĂȘtre pris au sĂ©rieux.

Les dĂźners qu’il organisait rĂ©guliĂšrement chez lui Ă©taient somptueux, mais lui-mĂȘme s’abstenait de manger. Il vivait selon une diĂ©tĂ©tique rigoureuse : lĂ©gumes Ă  la vapeur, compotes de fruits. Mais il jouissait de voir ses amis apprĂ©cier ses plats. François Bott, Gabriel Matzneff, Linda LĂȘ et Dima EddĂ© Ă©taient ses convives prĂ©fĂ©rĂ©s. Nous formions autour de celui que nous appelions « notre bon maĂźtre de Dieppe » une garde rapprochĂ©e. Pourquoi de Dieppe ? Parce qu’il aimait y passer l’étĂ© dans sa mansarde. MalgrĂ© les six Ă©tages qu’il gravissait plusieurs fois par jour pour retrouver son studio rue de l’OdĂ©on, nous ne redoutions rien pour lui. En dĂ©pit de sa petite taille, il Ă©tait d’une vigueur exceptionnelle. Et souvent nous le quittions, vers deux heures du matin, plus Ă©puisĂ©s qu’il ne l’était lui-mĂȘme.

Il prenait un soin extrĂȘme de ses amis, toujours disponible pour leur apporter mĂ©dicaments et fruits au moindre bobo. Ce qui le troublait nĂ©anmoins, c’était que Matzneff et moi passions des journĂ©es entiĂšres Ă  la piscine Deligny sous un soleil de plomb, souvent en nous affrontant au tennis de table. Lui prĂ©fĂ©rait les promenades nocturnes autour du jardin du Luxembourg. Confidences, ragots parisiens, dĂ©molition des penseurs Ă  la mode, tout y passait avec une drĂŽlerie et un sens de la dĂ©rision que je n’ai retrouvĂ© que chez trĂšs peu d’écrivains et d’artistes, Ă  l’exception de Roland Topor et de ClĂ©ment Rosset que Cioran apprĂ©ciait d’ailleurs. Il pratiquait l’art trĂšs viennois du « Blödeln », c’est-Ă -dire de faire l’idiot avec intelligence.

Son goĂ»t pour les apocalypses l’avait amenĂ© dans sa jeunesse Ă  faire l’éloge d’Hitler. Peu avant sa mort, des universitaires publiĂšrent des textes d’un nationalisme nausĂ©abond qu’il avait soigneusement Ă©vitĂ© de mentionner. J’en fus surpris et déçu. Ainsi, mĂȘme lui avait cĂ©dĂ© Ă  la folie furieuse qui s’était emparĂ©e de l’Europe dans les annĂ©es 1930. Je me rendis Ă  son enterrement presque Ă  contre-cƓur. Les officiels qui s’y pressaient, la liturgie orthodoxe, la grandiloquence des hommages, tout cela me rĂ©vulsait. OĂč Ă©tait passĂ© mon Cioran ? Il me fallut quelques annĂ©es pour le retrouver. Une femme m’y aida. Elle se nommait Friedgard Thoma et avait entretenu une liaison avec lui. Ainsi donc, mĂȘme Cioran menait une double vie. Comme c’est rassurant. J’écrivis un livre sur ce que je lui devais, « Cioran et compagnie » (PUF, 2005). J’ai donnĂ© comme titre Ă  ce portrait : « Comment Cioran m’a sauvĂ© la vie. » C’est un titre accrocheur et un peu nul. Et puis, Cioran ne m’a pas sauvĂ© la vie. S’il l’avait fait, il aurait considĂ©rĂ© que c’était une mauvaise action. Moi aussi, du reste. Non, Cioran m’a permis d’ĂȘtre un peu plus subtil dans mon nihilisme et un peu plus vrai dans ma relation Ă  autrui. Cela mĂ©ritait bien cet hommage, n’est-ce pas ?

Un cynique mort trop tard

NĂ© en 1911 Ă  Rasinari, petit village de Transylvanie (qui n’est pas encore la Roumanie), d’un pĂšre prĂȘtre orthodoxe et d’une mĂšre athĂ©e, Emil Cioran dĂ©veloppe trĂšs jeune une vision pessimiste du monde. Il a 22 ans quand il publie son premier ouvrage, « Sur les cimes du dĂ©sespoir ». AprĂšs avoir passĂ© deux ans Ă  Berlin, il revient dans son pays oĂč il enseigne la philosophie au lycĂ©e et frĂ©quente la Garde de fer, mouvement fasciste et antisĂ©mite dont il partage alors les idĂ©es qu’il exprime dans son deuxiĂšme livre, « La Transfiguration de la Roumanie ».

En 1937, Cioran s’installe Ă  Paris pour terminer sa thĂšse sur Bergson. A la fin de la DeuxiĂšme Guerre mondiale, ses livres sont interdits en Roumanie et il choisit de rester en France. A partir de 1949, il adoptera le français comme langue d’écriture. Cioran a dĂ©jĂ  dĂ©laissĂ© la politique pour se consacrer Ă  son Ɠuvre, essentiellement des recueils d’aphorismes oĂč se mĂȘlent humour et cynisme, ironie et dĂ©sillusion. Vivant dans le dĂ©nuement, poursuivi par l’idĂ©e du suicide, il dĂ©clinera systĂ©matiquement les prix et les honneurs – sauf le prix Rivarol, en 1949. Lui qui affirmait que « ce n’est pas la peine de se tuer, puisqu’on se tue toujours trop tard » est mort, vaincu par l’Alzheimer, en 1995, Ă  Paris.

Cioran au petit bonheur

z « Plus on vit, moins il semble utile d’avoir vĂ©cu. »

z « Que faites-vous du matin au soir ? – Je me subis. »

z « A quoi bon fréquenter Platon, quand un saxophone peut aussi bien nous faire entrevoir un autre monde ? »

z « Je n’ai approfondi qu’une seule idĂ©e, Ă  savoir que tout ce que l’homme accomplit se retourne nĂ©cessairement contre lui. »

z « L’art d’aimer ? C’est savoir joindre Ă  un tempĂ©rament de vampire la discrĂ©tion d’une anĂ©mone. »

z « Pour entrevoir l’essentiel, il ne faut exercer aucun mĂ©tier. Rester toute la journĂ©e allongĂ© et gĂ©mir
 »

z « Les religions, comme les idĂ©ologies qui en ont hĂ©ritĂ© les vices, se rĂ©duisent Ă  des croisades contre l’humour. »

z « Ne me demandez plus mon programme ; respirer, n’en est-ce pas un ? »

z « Plus on a souffert, moins on revendique. Protester est le signe qu’on n’a traversĂ© aucun enfer. »

z « Si je prĂ©fĂšre les femmes aux hommes, c’est parce qu’elles ont sur eux l’avantage d’ĂȘtre plus dĂ©sĂ©quilibrĂ©es, donc plus compliquĂ©es, plus perspicaces et plus cyniques, sans compter cette supĂ©riorité mystĂ©rieuse que confĂšre un esclavage millĂ©naire. »

z « Aimer son prochain est chose inconcevable. Est-ce qu’on demande Ă  un virus d’aimer un autre virus ? »

z « Nous sommes tous des farceurs ; nous survivons à nos problÚmes. »

portrait_23Ecrivain, chroniqueur de 1969 Ă  2001 au quotidien « Le Monde », Roland Jaccard, un proche de Cioran, se situe dans la ligne des penseurs nihilistes. L’auteur du « Dictionnaire du parfait cynique » (Zulma, 2007) se dĂ©voile sur son trĂšs original site Internet : www.rolandjaccard.com.

Post-Scriptum: o descontentamento de Cioran (C. Rosset)

– Nada tens a declarar?
– Sim, senhor, tenho a declarar… que estou longe de estar satisfeito!
Christophe, A ideia fixa do såbio Cosimus

O que chamo de o descontentamento de Cioran, na falta de um vocĂĄbulo melhor que poderia ser “in-contentamento”, se tal palavra existisse, Ă© alheio a qualquer ressentimento, a qualquer razĂŁo de querer mal a alguma pessoa ou ser particulares. Ele tem por objeto a existĂȘncia em geral e designa uma dificuldade aparentemente insuperĂĄvel em aclimatar-se a ela – em filiar-se a ela, captar seu tom, sua dobra, para retomar os termos do prĂłprio Cioran, cuia escritura sabiamente colorida diz sempre e necessariamente mais dela, no vivo dos pontos sensĂ­veis, do que uma anĂĄlise abstrata pode relatar. Definirei sumariamente esse descontentamento como o sentimento da insignificĂąncia, o pensamento permanente – pensamento que se esquece Ă s vezes, mas que nunca se expulsa nunca, pois ele volta, invariavelmente, a se insinuar para a consciĂȘncia no momento em que se estaria tentado a se deixar conquistar por urna alegria do mundo – da igual e morna insignificĂąncia de qualquer coisa… [+]