“O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A atitude gnóstica constitui, com efeito, a chave de uma obra representativa das tendências contraditórias deste século: niilismo, angelismo, revolta e fatalismo. Mais precisamente, ela nos fornece a resposta a esta questão que não falha em colocar-se a propósito de Cioran: como o niilismo é compatível com uma criação literária? O ato literário em si…

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Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (1ª parte)

In memoriam: María Liliana Herrera Alzate (1960-2019) “Às vezes tenho a impressão de que a obra de Cioran é interpretada como uma espécie de bazar, onde cada um se serve daquilo que quer, inclusive dos aspectos místicos-religiosos.” (Mirko Integlia) * [Pdf] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese crítica sobre Cioran,…

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“Cioran, ingênuo e sentimental”: um perfil literário e psicológico, por Ion Vartic (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Eu havia escrito esta resenha em 2011, e não sei porque não a publiquei à época. Acabo de descobri-la, perdida, num HD de backup. RESENHA: VARTIC, Ion. Cioran, ingenuo y sentimental. Trad. do romeno de Francisco Javier Marina (título original: “Cioran, naiv şi sentimental”). Zaragoza: Mira Editores, 2009. O ensaio de crítica literária e psicológica…

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“Pessimismo filosófico: a negatividade integrada na vida” (Ingresson Oliveira de Jesus)

Revista Pandora, no. 99, março de 2019 Resumo: O presente artigo busca apresentar a filosofia negativa de Cioran e, desse modo, desenvolver ideias sobre a produção intelectual do filósofo. O pessimismo filosófico, corrente de pensamento que caracteriza a filosofia de diversos pensadores inclui uma reflexão sobre o mundo e a physis. No contexto dessa corrente…

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Cioran: solidão, êxtase, solidariedade (Rodrigo Menezes)

Um comentário que sempre me chamou a atenção na entrevista de Cioran a Sylvie Jaudeau, e que me parece uma chave de leitura ao essencial do pensamento insone e errático de Cioran, é o seguinte: “A única experiência profunda é a que se realiza na solidão. Aquela que resulta de um contágio permanece superficial —…

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“Signos gnósticos nos cumes do desespero” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O título, inspirado em manchetes sensacionalistas sobre casos de óbito por suicídio, não deixa de aludir também ao Desespero humano (1849) de Kierkegaard, avidamente estudado pelo jovem Cioran. Seria uma questão ociosa debater se Cioran é um kierkegaardiano que leu Nietzsche ou um nietzschiano que leu Kierkegaard. Muito embora tenha frequentado a escola de ambos,…

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“Um -ismo ocioso: a crítica de Michael Allen Williams ao conceito de gnosticismo” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em Rethinking Gnosticism: An Argument for Dismantling a Dubious Category [Repensando o Gnosticismo: Um Argumento para Desmantelar uma Categoria Duvidosa] (1999), Michael Allen Williams argumenta que o termo “gnosticismo” se tornou, no discurso moderno, “um rótulo tão proteiforme que perdeu qualquer sentido confiável e identificável pelo grande público leitor”.[i] Mais ou menos como “niilismo”: de…

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“Niilismo, existencialismo e gnosticismo: a hermenêutica existencial de Franco Volpi” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A obra de Heidegger, leitor de Nietzsche, apresenta um paradoxo que é o mesmo de boa parte do pensamento contemporâneo: “Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro, o convite a uma visão inspirada, senão mesmo ao misticismo.”[i] Daí, segundo Volpi, em face dos escritos…

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Um místico sem absoluto: “Cioran, l’hérétique”, de Patrice Bollon (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A biografia crítica de Patrice Bollon, Cioran, l’hérétique (1997) não acrescenta muita coisa, no que concerne ao tema da religião e da mística, em relação ao ensaio de Jaudeau (1990) – antes reitera o que já havia sido intuído e apontado pela antecessora (por exemplo, que se trata de um gnóstico sem deus e sem…

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“O visitante de um mundo abandonado pelo seu demiurgo: Sylvie Jaudeau e o gnosticismo ateu de Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

As nossas fontes gnósticas, por mais distantes que pareçam, não deixam de inspirar ainda a nossa literatura. Menos de uma maneira direta (poucos escritores de fato conhecem esse período da nossa história reservado aos eruditos) quanto de maneira inconsciente. Eu não falo de uma referência histórica, mas de uma impregnação da sensibilidade por toda uma…

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Sobre desastres, escritura fragmentária e outras volúpias: as “Notas Soltas para Cioran”, de Ricardo Gil Soeiro (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

RESENHA DO LIVRO: Volúpia do Desastre: Notas Soltas para Cioran de Ricardo Gil Soeiro Existe um ponto de vista desde o qual o discurso pedagógico é impossível. O que se consegue ver deste ponto cego do espírito – que aqui chamaremos lucidez –, mais que dizer, apaga o dito; nega inclusive quando afirma – a…

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“Um pensamento religioso heterodoxo” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Eu não gostaria de viver em um mundo esvaziado de todo sentimento religioso. Eu não penso na fé, mas nessa vibração interior que, independente de qualquer crença, vos projeta em Deus, e às vezes acima. (Écartèlement) Clément Rosset e Fernando Savater estão de acordo sobre Cioran em ao menos um ponto. Segundo Rosset, o amigo…

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“Contradições lúcidas de um não-liberto” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran sabe: Contar com o que quer que seja, aqui ou alhures, é dar prova de que ainda se arrastam correntes. O réprobo aspira ao paraíso, e esta aspiração o rebaixa, o compromete. Ser livre é desvencilhar-se para sempre da ideia de recompensa, é não esperar nada dos homens ou dos deuses, é renunciar não…

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“Cioran and Gnosticism” (Ciprian Sonea)

STUDIA UNIVERSITATIS BABEŞ-BOLYAI THEOLOGIA ORTODOXA, vol. 63, no. 1, June 2018 Abstract: This study presents Cioran’s relation with Gnosticism that is marked by the fragmentary and contradictory style of Romanian thinker. This is caused by the specific ambivalence signaled by the Romanian essayist, ambivalence that is affirmed by the vitalist standpoint, and negated by the…

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“As revelações da insônia: escritura e autobiografia em Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Versão revisada e ampliada a partir do original “Les révélations de l’insomnie : écriture et autobiographie chez Cioran”, in Anale. Seria Drept, volumul XXVII (2018), la editura Mirton Timisoara, ISSN 1582-9359. Facultatea de Drept şi Administraţie Publică, Universitatea Tibiscus din Timişoara. [Baixar PDF] Resumo: Toda autobiografia espiritual é uma canção do eu, escreveu Harold Bloom. Esta…

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“A categoria do religioso nos Cahiers de Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran não é um crente. Ele não possui o “órgão da fé”, como faz questão de deixar claro. É um douteur incurable (“duvidador incurável”) e, mais do que isso, um negador incurável. Não é, decididamente, um pensador cristão como Kierkegaard, Unamuno, ou mesmo Dostoiévski, muito embora se sinta familiarizado a eles. Ao mesmo tempo, não…

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“Une poétique du détachement” (Sylvain David)

On ne se méfie pas d’eux des mots et le malheur arrive. Louis-Ferdinand Céline L’incipit, ou ouverture, d’un texte constitue un lieu privilégié pour observer la mise en place d’une écriture, d’une forme d’expression. Les premières pages d’une œuvre représentent une rupture du silence, marquent une prise de parole, et, en tant que telles, contiennent nombre de…

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“Les révélations de l’insomnie” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

La vérité réside dans le drame individuel. Si je souffre réellement, je souffre beaucoup plus qu’un individu, je dépasse la sphère de mon moi, je rejoins l’essence des autres. La seule manière de nous acheminer vers l’universel est de nous occuper uniquement de ce qui nous regarde. De l’inconvénient d’être né Ma mission est de…

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“Cioran ou a vertigem da liberdade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio impõe-se. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “O despertar independe das capacidades intelectuais:…

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Émission : “Une Vie, une œuvre : Emil Cioran, ou les nuits suspendues (1911-1995)”

FRANCE CULTURE, le 01.05.2005 Par Sylvia Ben Ytzhak et Christine Berlamont. Émission consacrée à Cioran. Entretien avec Roland JACCARD, auteur du livre “Cioran et compagnie”, Simona MODREANU, auteur d’une biographie et de l’ouvrage “Le Dieu paradoxal de Cioran”, Sylvie JAUDEAU, auteur de “Cioran ou le dernier homme”, Besarab NICOLESCU, ami de Cioran, Nicole PARFAIT, docteur en…

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“Mystique et sagesse” (Sylvie Jaudeau)

UNE THÉOLOGIE NEGATIVE “Celui qui ne pense pas li Dieu demeure étranger à lui-même.” (Des larmes et des saints, p. 93) “Peut-on parler honnêtement d’autre chose que de Dieu ou soi ?” (Syllogismes de l’amertume) Se vivre dans l’exil entraîne inevitablement un questionnement sur une dimension interdite : Dieu ou le divin. Malgré des apparences qui la…

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