Vida de tradutor

Em viagem à Romênia, a jornalista Elisianne Campos entrevista o paulistano Fernando Klabin, funcionário da Embaixada do Brasil em Bucareste e tradutor de grandes nomes da literatura e da cultura romenas

Entrevista realizada por Elisianne Campos e publicada em O Povo, 04/02/2013

Desde que teve sinal verde para ingressar na União Europeia, em 2007, a Romênia vem sofrendo um gradual processo de modernização, na tentativa de ocupar um patamar de igualdade em relação aos seus companheiros de bloco. Encravada no leste da Europa, a Romênia é uma ilha de latinidade no meio de uma encruzilhada cultural predominantemente eslava, que permaneceu fechada durante 22 anos (1967 a 1989), sob o regime comunista de Nicolae Ceasescu.

O romeno é uma espécie de primo distante do português que, visto de perto, nem parece tão distante assim. Em uma viagem de estudos à Bulgária, decidi passar também pela Romênia, e em Bucareste conheci Fernando Klabin, paulistano apaixonado por esse país que, para a maioria de nós, é um mistério. Funcionário da Embaixada do Brasil em Bucareste e tradutor, Klabin já transpôs para o português grandes nomes da literatura e da cultura romenas, como Lucian Blaga e Mircea Eliade, e traduziu para o romeno o clássico do economista brasileiro Celso Furtado, A formação econômica do Brasil. Há 15 anos no país, ele não consegue dizer ao certo o que há de comum entre romenos e brasileiros, mas afirma: “Acho que existe uma comunhão mental que está além da língua”.

Encontramo-nos para esta entrevista em um prédio pequeno, mas que guarda em si muitos significados para os bucarestinos. Em um dos cantos da Piata Revolutiei, de onde Ceausescu viu explodir a revolução que culminou com seu fuzilamento e de sua esposa, em 1989, há um edifício cujas paredes antigas contornam uma construção de estilo moderno. O prédio era utilizado pelo serviço de informações romeno para torturar opositores ao regime. As instalações foram desativadas, deram lugar à sede da Ordem dos Arquitetos da Romênia e a um restaurante, mas a memória foi preservada na fachada intocada e nas fotografias da década de 1980 que recobrem as paredes… [+]

 

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