Tal como foi publicado pela editora Gallimard em 1949, o primeiro livro escrito em francês pelo romeno Emil Cioran, Breviário de Decomposição, tem por autor E.M. Cioran, como, de resto, os livros escritos em francês que se seguirão; hoje em dia, porém, após o sucesso de Exercícios de admiração, de 1986, lê-se em muitas das […]

via “Quem escreveu o Breviário de Decomposição?” (Nicolas Cavaillès) — Breviário de Decomposição 7.0

“O emigrado metafísico: o gnóstico” (Sylvie Jaudeau)

A atitude gnóstica constitui, com efeito, a chave de uma obra representativa das tendências contraditórias deste século: niilismo, angelismo, revolta e fatalismo. Mais precisamente, ela nos fornece a resposta a esta questão que não falha em colocar-se a propósito de Cioran: como o niilismo é compatível com uma criação literária? O ato literário em si…

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“Cioran, entre filosofia e poesia: ambivalência, hibridismo, temeridade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Já que tudo o que se concebeu e empreendeu dede Adão é ou suspeito ou perigoso ou inútil, que fazer? Dessolidarizar-se da espécie? Seria esquecer que nunca se é homem tanto como quando se lamenta sê-lo.” (La chute dans le temps) O “pecado original” de Cioran é ser demasiado filósofo, pensador. Corrijo-me: é não ser…

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“Certas manhãs” (E.M. Cioran)

PESAR POR NÃO SER ATLAS, por não poder sacudir os ombros para assistir ao desmoronamento desta risível matéria… a raiva segue o caminho inverso da cosmogonia. Por que mistério despertamos certas manhãs com a sede de demolir o conjunto inerte e vivo? Quando o diabo penetra em nossas veias, quando nossas ideias sofrem convulsões, e…

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“Confissão resumida” (E.M. Cioran)

O que sempre me seduziu na negação é o dom de tomar o lugar de tudo e de todos, de ser uma espécie de demiurgo, de dispor do mundo como se tivesse colaborado na sua aparição e depois tivesse o direito, e mesmo o dever, de precipitar a sua queda. A destruição, consequência imediata do…

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“A criação sem amanhã” (Albert Camus)

AGORA PERCEBO, então, que a esperança não pode ser eludida para sempre e que pode assaltar os mesmo que se achavam livres dela. Este é o interesse das obras examinadas até aqui. E poderia, ao menos na ordem da criação, enumerar algumas obras verdadeiramente absurdas (Moby Dick de Melville, por exemplo). Mas tudo requer um…

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“Cioran e o grande estilo” (Stéphane Barsacq)

CIORAN, que não se entrega a mais nada, entregou-se ao francês. “Pensar em francês é apartar-se do caos, de tudo o que ele aporta de riquezas e de surpresas”, escreve ele, lembrando que se refere mais do que tudo à clareza francesa. Ele faz sentir a embriaguez, em que se compraz com o mundo. Apanharam-no.…

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Conversación con Cioran (François Bondy)

¿Le gusta escribir? Lo detesto y, además, he escrito muy poco. La mayor parte del tiempo no hago nada. Soy el hombre más ocioso de París. Creo que sólo una puta sin cliente está menos activa que yo. […] No se debería escribir sobre lo que no se haya releído. En Francia existe también el…

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“Do exílio metafísico: existência, escritura e destino em Cioran” (Rodrigo Inácio Ribeiro Sá Menezes)

 Resumo: Formado em Filosofia pela Universidade de Bucareste, em 1932, Emil  Cioran (1911-1995) é um pensador e escritor romeno  radicado na França, onde, vivendo em Paris, abandonaria seu idioma materno, adotando o francês como língua de expressão. Como outros autores do século XX, ele é um exemplar notável de dois fenômenos tipicamente modernos, amiúde concomitantes: a…

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“El aforismo como escritura disidente en Cioran”, por Víctor Ignacio Coronel Piña [Esp]

Publicado en Reflexiones Marginales – ISSN 2007-8501 Otorgado por el Centro Nacional del ISSN Introducción ¿Existe una escritura más disidente que la aforística? Sin duda, los cuatro grandes maestros del aforismo son: Heráclito, Schopenhauer, Nietzsche y Cioran. Para muestra un aforismo. El filósofo de Éfeso dice: “Lo contrario se pone de acuerdo; y de lo diverso…

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“La morale dans l’écriture: Camus, Char, Cioran”, de Michel Jarrety (prefácio)

JARRETY, Michel. La morale dans l’écriture: Camus, Char, Cioran Saímos agora de uma época em que a disjunção radical do autor e da obra conduzia a enxergar a relação do autor com o mundo, no que concerne ao essencial, apenas sob a forma de um engajamento que, justamente, o desligava em grande medida daquilo que…

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“E. M. Cioran: La caída en la palabra”(Juan Manuel Tabío)

RIALTA, La Habana Juan Manuel Tabio nació en La Habana, en 1983. Enseña griego, estudia los sinuosos vínculos que sujetan la novela moderna a la tragedia clásica, y traduce a los poetas arcaicos. Integra el staff editorial de Rialta. La suspicacia es la manera en que Cioran reacciona contra la obsesión por el lenguaje experimentada…

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“Há uma poética da desnaturação em Cioran”: Entrevista com Mihaela-GenÅ£iana Stănişor

Mihaela-GenÅ£iana Stănişor é romena, filóloga de formação, com especialização nos idiomas romeno e francês. Obteve seu doutorado em 2005 com uma tese sobre os Cahiers de Cioran. Atualmente, é professora na Universidade Lucian Blaga, de Sibiu (cidade em que Cioran viveu dos 10 aos 17 anos). É autora de diversos livros, dentre os quais se…

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“La escritura como expiación” (Rafael Conte)

El País, 23 Noviembre 2002 El breve relato que de un viaje a Ibiza realizó Emil M. Cioran (1911-1995) ayuda a comprender el misterio que impregna la obra del autor francorrumano. Su publicación en España coincide con la edición en Francia de un duro estudio sobre Cioran, Eliade e Ionesco, rumanos de nacimiento, fascistas en…

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“O lugar do escritor – Ensaio sobre Emil Cioran [fragmentos]” (Renato Tapado)

Possivelmente, é o incômodo provocado pelos textos do romeno Emil Cioran (1911–1995) que o torna um escritor praticamente desconhecido no Brasil, com poucos livros traduzidos, apesar de ser publicado na França pela prestigiosa editora Gallimard já desde 1947 e, atualmente, ser conhecido por toda a Europa e em diversos países não europeus… [PDF]

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“Emil Cioran e a escritura de si” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Em seu artigo “O ensaio como forma”, Adorno diz que “ainda hoje, elogiar alguém como écrivain é o suficiente para excluir do âmbito acadêmico aquele que está sendo elogiado”.[2] Este parece ser o caso de Emil Cioran, tão frequentemente classificado como um escritor, pura e simplesmente, o que tende a perder de vista o valor…

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“O prior da Ordem da Santa Temeridade” (Peter Sloterdijk)

A obra de Cioran pode ser considerada como um conjunto de exercícios, a meio caminho entre ginástica e ascese, experimentando todas as posições do homem sem posição.  Parece-me que a melhor maneira de abordar o fenômeno Cioran é escolher como fios condutores duas proposições de Nietzsche: “Quem se despreza, ainda preza a si mesmo como…

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L’anti-écrivain-voyageur (tombeau pour Cioran)

Pierre Jamet – Philosophique, Annales Littéraires de l’Université de Franche-Comté Abstract : Ce texte reprend de manière holistique l’œuvre de Emile M. Cioran afin de rappeler à quel point elle est taraudée par la question du temps et ne peut se concilier avec la mode littéraire de l’écriture de voyage qu’artificiellement, quoi qu’on en dise. Keywords : Cioran, temps, gnosticisme, écrivains-voyageurs, nomadisme, érémitisme…

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Entrevista a Cioran (fragmento)

In: Adiós a la Filosofía y otros textos, Alianza Editorial, 1994. Cioran, usted ha hablado frecuentemente del hastio. ¿Qué papel ha desempeñado en su vida el hastio, el tedio? Puedo decirle que mi vida ha estado dominada por la experiencia del tedio. He conocido ese sentimiento desde mi infancia. No se trata de ese aburrimiento…

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“Cioran. Le mal jusque dans tout le remède, ou la langue de Molière comme principe de conversion” (Yann Porte)

Levure Littéraire 1. Narcissisme ontologique et essentialisme identitaire : le stigmate nationaliste Cioran, avant de se mettre à écrire en français, processus long et difficile de conversion existentielle, était déjà un auteur consacré en Roumanie où il avait exalté le génie national jugé défaillant de son peuple par le recours à une idéologie fasciste qui allait…

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Una escritura, un destino (María Liliana Herrera A.)

Revista Ciências Humanas no. 23, Universidad Tecnológica de Pereira (UTP), Colómbia Lo que aquí exponemos puede considerarse como una introducción a dos problemáticas que nos plantea la obra cioraniana: la escritura fragmentada y la percepción del tiempo que la articula. Se trata del planteamiento general el cual es propiamente el horizonte en el que el…

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Relato de um encontro: E.M. Cioran (Ernesto Sábato)

Ernesto Sábato, Antes del Fin. Buenos Aires: Espasa Calpe/ Seix Barral, 1998, p. 82-3. Tradução de Rodrigo Inácio R. Sá Menezes. Sobre estes e outros temas conversei longamente com Cioran, em uma tarde de 1989. Anos atrás me chegaram notícias do desejo que ele tinha de me conhecer; insistência que interpretei como mensagens crípticas, reiteradas…

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