Em defesa da arte “degenerada” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Cioran teve uma breve experiência como professor de filosofia, na segunda metade da década de 1930, na cidade de Brasov. Ele conta a anedota da ocasião em que, chegando à sala de aula, perguntou à classe: “Por que razão não devemos dizer fenômenos psicológicos, mas fenômenos psíquicos?” Um aluno respondeu: “Um fenômeno psíquico é instintivo,…

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La figure du raté : perspectives comparatistes

POST-SCRIPTUM, n. 13, mai 2011 Présentation de Sara Danièle BÉLANGER-MICHAUD Les figures du raté ne sont pas rares en littérature : qu’on pense à l’Oblomov de Gontcharov, à l’homme du sous-sol de Dostoïevski, au Bartleby de Melville ou aux personnages de Maupassant, de Bernhard, de Vila-Matas ou de Coetzee. Mais cette figure n’est pas seulement l’apanage…

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“E. M. Cioran, Nihilist and Ecstatic” (Robert Wicks)

Life and works In a brief autobiographical sketch, Emile Mihai Cioran described himself as follows: I was born on the 8th April 1911 in Rasinari, a village in the Carpathians, where my father was a Greek Orthodox priest. From 1920 to 1928 I attended the Sibiu grammar school. From 1929 to 1931 I studied at…

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Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (última parte)

[PDF] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese filosófica sobre Cioran – e um importantíssimo, tanto pela temática quanto pela abordagem: Atormentado por Deus: o niilismo místico de Emil Cioran (Libreria Editrice Vaticana, 2019), do filósofo e teólogo Mirko Integlia. O livro é uma minuciosa análise textual e contextual, histórico-hermenêutica, disso…

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“Pure comedy” (Father John Misty)

The comedy of man starts like this Our brains are way too big for our mothers’ hips And so Nature, she divines this alternative We emerged half-formed and hope that whoever greets us on the other end Is kind enough to fill us in And, babies, that’s pretty much how it’s been ever since Now…

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Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (2ª parte)

“Il testo cioraniano è ‘rischioso‘. A escritura cioraniana possui uma profundidade que poderíamos definir, para usar uma terminologia atual, “hipertextual”, isto é, a assim-chamada mensagem não se esgota na imediatidade do escrito, mas abre continuamente vertentes de reflexão ulterior, as quais, de resto, atravessam a obra inteira como um fluxo de consciência que busca superar…

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“A patifaria intelectual de Olavo de Carvalho” (Tomás Troster)

Decidi revisitar o trabalho do filósofo e avaliar o agora ‘guru do presidente’. Deixo o leitor tirar suas próprias conclusões Carta Capital, 13 de dez. 2019 A Dialética erística é uma obra na qual Schopenhauer expõe 38 estratagemas – subterfúgios ou artimanhas – usados inescrupulosamente para vencer um debate. Segundo Dionisio Garzón, a obra só…

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“Emil Cioran e Correia de Sá: o ensaio de um ‘desconhecido’ ilustre” (Rui Benevides Prates)

Meus eternos agradecimentos a Rui Benevides Prates, o “arqueólogo” cioraniano que desenterrou estas relíquias. 1. Introdução “Dans le Jornal Do Comercio de Rio de Janeiro du 2 XI 68, un inconnu, Correia de Sá, vient d’écrire un des articles les plus sérieux qu’on ait jamais écrit sur moi. Que ce soit dans un «Journal de…

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L’avant-garde ? Ça depend (Cioran)

J’aime l’avant-garde, à condition qu’elle ne soit pas ennuyeuse. Elle l’est, le plus souvent. Est-ce que Nietzsche, est-ce que Pascal se réclamaient d’une avant-garde quelconque? Le pire est de vouloir être d’avant-garde. [Eu gosto do avant-garde, desde que não seja entediante. Ele o é, amiúde. Será que Nietzsche ou Pascal se reclamam de uma vanguarda…

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“Sobre a gênese da burrice” (Adorno & Horkheimer)

O SÍMBOLO DA INTELIGÊNCIA é a antena do caracol “com a visão tacteante”, graças à qual, a acreditar em Méfistófeles, ele é também capaz de cheirar. Diante de um obstáculo, a antena é imediatamente retirada para o abrigo protector do corpo, ela se identifica de novo com o todo e só muito hesitantemente ousará sair…

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“O Real Resiste” (Arnaldo Antunes)

Quando Mircea Eliade publicou o romance Senhorita Cristina, na Romênia, foi duramente criticado pela velha geração conservadora. O que mereceu uma resposta de Cioran, que saiu em defesa do amigo, escrevendo um artigo de título: “O crime dos velhacos”. Arnaldo Antunes acaba de lançar uma música, “O Real resiste”, censurada pela TV Brasil. Uma música…

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Eros, alteridade e transcendência (Byung-Chul Han)

A DEPRESSÃO é uma enfermidade narcísica. O que leva à depressão é uma relação consigo mesmo exageradamente sobrecarregada e pautada num controle exagerado e doentio. O sujeito depressivo-narcisista está esgotado e fatigado de si mesmo. Não tem mundo e é abandonado pelo outro. Eros e depressão se contrapõem mutuamente. O eros arranca o sujeito de…

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“Devemos repetir a nós próprios todos os dias: Sou um daqueles que, entre milhares, se arrastam pela superfície do globo. Essa banalidade justifica qualquer conclusão, qualquer comportamento ou acto: deboche, castidade, suicídio, trabalho, crime, preguiça ou rebelião. … E daí se conclui que todos nós temos razão em fazer o que fazemos.” (Do inconveniente de […]

via Breviário de Decomposição 7.0

“O conceito de disciplina de horror no Breviário de decomposição de Cioran” (Anthonio Delbon)

Dissertação apresentada à banca examinadora como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob orientação da Profa. Dra. Jeanne-Marie Gagnebin. São Paulo, 2019. O presente trabalho tem por objetivo estabelecer um diálogo entre Cioran e algumas correntes de pensamento clássicas tendo como chave central o…

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Um canal do YouTube, jovens estudantes de física. Interessante em termos de divulgação/vulgarização científica, sobretudo de temas tão complexos como física quântica. Porém, como é regra no YouTube, onde todo mundo é guru, professor, influenciador ou agitador, um dos vídeos do canal me broxou: “Porque acupuntura não é ciência…” Oi? Vê-se que se foi longe […]

via Itinerarivm Mentis in Nihilvm

“Breviário de Decomposição: livro perigoso e essencial” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Por que reunir-se em torno do Précis de décomposition – e celebrá-lo? Alguns diriam que não há nada aí a ser celebrado, muito pelo contrário. Cioran: pró e contra… Qual a importância do Breviário de decomposição, conforme o temos, desde 1989, primorosamente traduzido ao português pelo professor José Thomaz Brum? Qual sua importância hoje, para […]…

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Tal como foi publicado pela editora Gallimard em 1949, o primeiro livro escrito em francês pelo romeno Emil Cioran, Breviário de Decomposição, tem por autor E.M. Cioran, como, de resto, os livros escritos em francês que se seguirão; hoje em dia, porém, após o sucesso de Exercícios de admiração, de 1986, lê-se em muitas das […]

via “Quem escreveu o Breviário de Decomposição?” (Nicolas Cavaillès) — Breviário de Decomposição 7.0

“Tired of waiting to make a profit online?” – The Mad Men & Us

When the solitude is intensified to the point of constituting not so much our datum as our sole faith, we cease to be integral with the whole: heretics of existence, we are banished from the community of the living, whose sole virtue is to wait, gasping, for something which is not death. CIORAN, A Short…

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A Reading of Leonard Cohen’s “The Future” (Heidi Hochenedel)

THE LEONARD COHEN FILES In his 1992 album The Future, poet and musician Leonard Cohen combines images, both sacred and profane, to reveal a stunning vision of the apocalypse and the means to salvation. Although Cohen is a Jewish student of Buddhism, he frequently uses Christian mythology in his writing. The purpose of this essay…

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O Mau Demiurgo: Cúmulo do “Veneno Abstrato”, ou Porque Coringa Não É Cioran (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O bem-sucedido em tudo é necessariamente superficial. O fracasso é uma versão moderna do nada. Ao longo da minha vida, estive fascinado pelo fracasso. Um mínimo de desequilíbrio se impõe. Ao ser perfeitamente sadio física e psiquicamente falta um saber essencial. Uma saúde perfeita é a-espiritual.” (Entrevistas com Sylvie Jaudeau) “A única experiência profunda é…

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Echoes of Laughter in The Pale Moonlight: Notes on Joker (John Gillen)

MEDIUM, October 16, 2019 “You are only given a little spark of madness. You mustn’t lose it.” — Robin Williams In the late twentieth century, a writer named Emil Cioran was invited to speak in Zurich. He was introduced with much reverence and compared to some of the greatest existentialist philosophers in history like Kierkegaard…

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“Desejo e Horror da Glória” avant la lettre (E.M. Cioran)

“Désir et horreur de la gloire” é um dos ensaios que compõem La chute dans le temps (1964), livro que sucede diretamente a História e utopia (1960) no qual este tema (tão “adâmico”) já se encontra enunciado e problematizado, antecipando o que virá a seguir. Trata-se da dualidade-contradição — inconciliável — entre o desejo e…

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“Sede escassos!” (E.M. Cioran)

TÍMIDO, desprovido de dinamismo, o bem é inapto a se comunicar; o mal, pelo contrário, apressado, quer se transmitir e o consegue, já que possui o duplo privilégio de ser fascinante e contagioso. Assim, vê-se mais facilmente se estender, descolar de si, um deus malvado que um deus bom. Esta incapacidade de permanecer em si…

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Antinatalismo e Mistério (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“O que nos distingue de nossos antepassados é nossa petulância em face do Mistério. Nós até o desbatizamos: assim nasceu o Absurdo…” (Silogismos da amargura) AFASTA-ME do antinatalismo a total carência do sentido do mistério, o misterioso, no caso, sendo uma categoria teológica ou — a fortiori — mística por excelência — e perfeitamente fora…

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“A Ditadura da Transparência” (Byung-Chul Han)

No início, a rede digital foi celebrada como um medium de liberdade ilimitada. O primeiro slogan publicitário da Microsoft, «Aonde você quer ir hoje?», sugeria uma liberdade e uma mobilidade sem fronteiras na internet. Hoje, essa euforia já se mostrou uma ilusão. A liberdade e a comunicação ilimitadas se transformam em monitoramento e controle total.…

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“Bípedes de rostos desvalorizados” (E.M. Cioran)

SÓ NOS SUAVIZAMOS, só nos tornamos bons destruindo o melhor de nossa natureza, submetendo o corpo à disciplina da anemia, e o espírito à do esquecimento. Enquanto guardamos nem que seja uma sombra de memória, o perdão se reduz a uma luta com os instintos, a uma agressão contra o próprio eu. São nossas vilanias…

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“Benjamin Fondane. Tra Gerusalemme e Atene” (Francesco Testa)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 11, novembre 2019, anno IX Il libro Tra Gerusalemme e Atene – recentemente pubblicato dalla casa editrice Giuntina – offre per la prima volta al pubblico italiano una prospettiva d’insieme sul rapporto di Benjamin Fondane con l’ebraismo. Il volume – curato da Francesco Testa e Luca Orlandini – raccoglie gli articoli che il…

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“Tormentato da Dio. Il nichilismo mistico di Emil Cioran”, nuovo libro di Mirko Integlia (Antonio Di Gennaro)

Orizzonti Culturali Italo-Romeni, n. 11, novembre 2019, anno IX Il lavoro di Mirko Integlia costituisce un punto di vista importante, un tassello fondamentale, un anello essenziale per l’analisi e la ricostruzione dell’opera di Emil Cioran, nell’ambito della storia della filosofia continentale contemporanea. È la prospettiva di un uomo di fede, di un sacerdote, di un…

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“Cioran, entre filosofia e poesia: ambivalência, hibridismo, temeridade” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Já que tudo o que se concebeu e empreendeu dede Adão é ou suspeito ou perigoso ou inútil, que fazer? Dessolidarizar-se da espécie? Seria esquecer que nunca se é homem tanto como quando se lamenta sê-lo.” (La chute dans le temps) O “pecado original” de Cioran é ser demasiado filósofo, pensador. Corrijo-me: é não ser…

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De Maistre, Baudelaire, and Original Sin: between Tyranny and Heresy as Radical Liberty (Joseph Acquisto)

“Freedom is the supreme good only for those animated by the will to heresy.“ Cioran, Syllogismes de l’amertume * The high stakes of any modern or contemporary discussion of original sin immediately become apparent: quickly divorced from questions of belief, original sin becomes the base of a political theology that veers toward tyranny. The authoritarian conclusions fall back, however,…

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“Exegese da decadência” (E.M. Cioran)

O aforismo “Exegese da decadência” retoma — sob uma outra luz, pelo filtro de um novo idioma e da forma mentis peculiar que ele modela — a temática e a problemática de um importante texto periodístico de juventude do autor romeno do Breviário de decomposição: trata-se de Nihilism şi natura [Niilismo e natureza], publicado originalmente na revista…

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