Cioran, o místico de uma era pós-Deus: entrevista com Mirko Integlia (1ª parte)

In memoriam: María Liliana Herrera Alzate (1960-2019) “Às vezes tenho a impressão de que a obra de Cioran é interpretada como uma espécie de bazar, onde cada um se serve daquilo que quer, inclusive dos aspectos místicos-religiosos.” (Mirko Integlia) * [Pdf] Acaba de ser publicado, em inglês, um novo livro de exegese crítica sobre Cioran,…

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Clément Rosset: sobre sabedoria erudita e sabedoria popular (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Nietzsche, Além do Bem e do Mal “Ao divinizar a história para desacreditar Deus, o marxismo só conseguiu tornar Deus mais estranho e mais obsedante. Pode-se sufocar tudo no…

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Despre lucruri: sobre “coisas” e “lucros”

“Coisas”, em romeno, se diz lucruri (pl.), de lucru (sing.), “coisa”: Tot ceea ce există (în afară de ființe) și care este conceput ca o unitate de sine stătătoare; obiect. Lucru în sine = noțiune a filozofiei lui Kant desemnând realitatea obiectivă, existentă independent de cunoașterea noastră, care, deși percepută sub formă de reprezentare, nu poate…

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“Signos gnósticos nos cumes do desespero” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

O título, inspirado em manchetes sensacionalistas sobre casos de óbito por suicídio, não deixa de aludir também ao Desespero humano (1849) de Kierkegaard, avidamente estudado pelo jovem Cioran. Seria uma questão ociosa debater se Cioran é um kierkegaardiano que leu Nietzsche ou um nietzschiano que leu Kierkegaard. Muito embora tenha frequentado a escola de ambos,…

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“Como a política é uma questão de logos” (Barbara Cassin)

O paradoxo começa a se explicar quando aceitamos regredir, para aquém de nossas antíteses modernas (democracia/conservadorismo, revolução/reação), à própria constituição da polis que marca o “milagre grego” do século V. Polis, logos, sofística: o caráter eminentemente político da sofística é, antes de tudo, um questão de logos, termo em que o grego liga, como se…

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“Do conhecimento religioso: sobre um texto de juventude e sua repercussão na obra de Cioran” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Além de um sentimento fundamental da existência, a categoria do religioso designa também um tipo especial de conhecimento, aquele que mais importa para Cioran. Num artigo publicado na Revista Teologică (1932), “A estrutura do conhecimento religioso“, o jovem estudante de filosofia na Universidade de Bucareste faz a crítica do racionalismo e afirma a “preeminência do…

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Um místico sem absoluto: “Cioran, l’hérétique”, de Patrice Bollon (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

A biografia crítica de Patrice Bollon, Cioran, l’hérétique (1997) não acrescenta muita coisa, no que concerne ao tema da religião e da mística, em relação ao ensaio de Jaudeau (1990) – antes reitera o que já havia sido intuído e apontado pela antecessora (por exemplo, que se trata de um gnóstico sem deus e sem…

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“Niilismo, existencialismo, gnose” (Franco Volpi)

A obra de Heidegger oferece, com certeza, fundamental contribuição para a análise do niilismo europeu. No entanto, em última instância, ela apresenta um paradoxo singular, que é também o paradoxo de uma parte importante do pensamento contemporâneo. Nela, com efeito, parecem tocar-se e conviver dois extremos incompatíveis: de um lado, um niilismo radical; de outro,…

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“Platonici o caporali” (Vincenzo Nuzzo)

Succede Oggi, maggio 2017 La realtà precipita, la possibilità di capirla si assottiglia continuamente: non possiamo non dirci pessimisti. Ma l’etic|a fa la differenza tra un atteggiamento gnostico o platonico La filosofia non è affatto uno scherzo, come invece si usava dire ai tempi del liceo («La filosofia è quella cosa con la quale o…

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“Jean Baudrillard, sofista pós-moderno” (Francisco Rüdiger)

Correio do Povo, 4 de março de 2017 Professor fala da trajetória do pensador francês e da sua inclassificabilidade pela área do pensar Sabe-se que a partir da era burguesa, século 18, tentou-se com a formação cultural e as virtudes civis preencher a função que a religião perdera como meio de regramento das relações humanas…

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“Cuatro maestros inquietantes” (Fernando Savater)

El País, 26 enero 2002 La aparición de cuatro monografías, dedicadas a los pensadores Arthur Schopenhauer, Georges Bataille, Cioran y Clément Rosset, permite abordar las distintas, brillantes y estremecedoras versiones que éstos proponen en contra de una edénica teología natural. Como nuestros días abundan en disturbios y padecemos pánico al pánico, supongo que los maestros…

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“Crítica de um certo uso das filosofias de Nietzsche, Marx e Freud” (Clément Rosset)

Numa obra que, de certo modo, anunciava na França o verdadeiro início dos estudos nietzscheanos, Georges Bataille desenvolve o tema seguinte: Nietzsche teria sido o primeiro filósofo a fundar uma filosofia sobre o “não-sentido”, ou o acaso, libertando sua representação do mundo de todo pensamento racionalizante, finalista ou teológico. A este primeiro erro histórico (tais…

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“Êxtase, não-saber e experiências interiores: um diálogo inaudito entre Cioran e Bataille” (Rodrigo Inácio R. Sá Menezes)

Dedicado a Rose Cunha. Conhece-se um autor ou uma autora não apenas pela leitura da sua obra, também — indiretamente, por uma espécie de détour — pela maneira como ele ou ela se insere no seu contexto histórico e sócio-cultural, o qual pode ser delimitado de forma mais ou menos ampla (uma tribo, um país,…

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“A expressão e o silêncio: o estilo de Cioran (epílogo)” (Fernando Savater)

Embora tenha jurado nunca pecar contra a santa concisão, mantenho-me sempre cúmplice das palavras, e, se o silêncio me seduz, não ouso entrar nele, limito-me a girar na sua periferia. (IN) Nos capítulos anteriores eu pretendi deixar falar, com a maior transparência possível, o pensamento de Cioran. É claro que o meu próprio pensamento se…

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“Barthes, Cioran, Bataille et ‘la transcendence’ qui ne cesse de s’écrire… de l’autre à l’absolument autre” (Gabriel Popescu)

Cahiers Emil Cioran – Approches Critiques, VII, Editura Universităţii “Lucian Blaga” (Sibiu); Les Sept Dormants (Leuven), 2006 Argument Inspire par “l’interminable”, “l’incessant’” dans la theorisation obsessive de Blanchot — à observer que la demarche qui suivra se situera dans la trace de l’auteur de l’Espace litteraire sans que, pour autant, elle ait la pretention d’etre…

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“Nietzsche e as Artes do Intelecto, de José Thomaz Brum” (Paulo Jonas de Lima Piva)

Argumentos, ano 5, n. 9 – Fortaleza, jan./jun. 2013 Uma resenha sobre um livro pioneiro há tempos esgotado, feita para que ele seja mais do que lembrado, mas reeditado, cabe numa seção de resenhas de uma revista acadêmica de nível respeitável, a princípio destinada apenas para lançamentos? Inovemos se essa quebra de protocolo pode render…

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“Weird Mysticism: Philosophical Horror and the Logic of Negation in Thomas Ligotti, Georges Bataille, and E. M. Cioran” (Brad Baumgartner)

PhD dissertation, Indiana University of Pennsylvania, 2015 Abstract: This dissertation will identify and evaluate a new category of transatlantic, twentieth-century literature by showing the influence of speculative writing on three intersecting critical categories: modern literature, apophatic mysticism, and philosophical pessimism. Historically, the idea of negativity has been approached by focusing on its relegation to one or…

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“At the margins of productivity: Philosophy of Uselessness” (Vytautas Šliuburys)

Master thesis, Faculty of Political Science and Diplomacy, Department of Philosophy and Social Critique, Kaunas, Lithuania SUMMARY With usefulness expanding and consuming more and more areas of our lives, the useless – philosophy and the humanities in general – are fighting a losing battle and gradually becoming extinct. In order to defend them I attempt…

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“Estética e horror: o monstro, o estranho e o abjeto” (Marcelo Rodrigues de Moraes)

Dossiê “Escritas da Violência” do Grupo de Pesquisa Literatura e Autoritarismo, UFSM/RS. Resumo: O propósito deste trabalho é refletir a respeito do tema Estética e Horror, evidenciando seu caráter teórico e as três principais categorias estudadas: o monstro, o estranho e o abjeto. O trabalho, desenvolvido no projeto Literatura e Autoritarismo, tenta mostrar como a…

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“Emil Cioran: el filósofo demediado” (Juan Ángel Juristo)

Cuartopoder.es, 2 de abril de 2011 Estaba hace unas horas escuchando las intervenciones de Ignacio Vidal Folch , Héctor Subirats, colaborador de cuartopoder.es, y Fernando Savater en el salón de actos del Círculo de Lectores sobre sus encuentros con la obra y la figura de Cioran, actos encuadrados dentro de la Semana que el Instituto…

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